sexta-feira, 30 de março de 2012

Palavras proibidas

François Hollande, o candidato socialista à presidência francesa, afirmou recentemente, em campanha, que a primeira medida a tomar, caso seja eleito, será pedir ao parlamento para suprimir a palavra “raça” da Constituição da República Francesa. O caso pode até parecer um ‘fait-divers’ que pouco nos diz respeito, mas este é um fenómeno que se começa a manifestar em muitos países europeus e com tendência para acentuar-se.

Em primeiro lugar, a ideia de querer acabar com o racismo por genocídio gramatical é simplesmente absurda. Não é eliminando uma palavra que se acaba com a discriminação. Em segundo lugar, a palavra “raça” está em várias constituições de diversos países, bem como na Declaração Universal dos Direitos do Homem, exactamente para combater o racismo.

Como questionou ironicamente a jornalista francesa Élizabeth Lévy, uma das vozes críticas nesta polémica, “vamos também suprimir a palavra sexo para acabar com o sexismo?” De facto, até em Portugal se começa a fazer isso mesmo. A esquerda apresentou já propostas para que, na nossa Constituição, se substituísse “raça” por “etnia” e “sexo” por “género”. Depois do falhanço na criação do “homem novo”, lança-se agora na construção da “novilíngua”, tal como na distopia orwelliana “1984”...

Curiosamente, os que andam agora nesta sanha proibicionista, são os mesmos que há não tanto tempo gritavam “é proibido proibir”.

A criação de um ‘index’ de palavras proibidas não é apenas um caminho errado, o pior é que se trata de um caminho sem fim.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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