quarta-feira, 14 de março de 2012

O vício do sexo

“Vergonha” é a segunda longa-metragem do realizador britânico Steve McQueen depois de “Fome” (2008), onde nos levou à greve de fome de Bobby Sands na prisão, em 1981. Não é um filme “fácil”, nem entretenimento. Novamente com uma especial atenção ao detalhe, desta vez entramos na vida de um viciado em sexo.

Para além da sua vida profissional, parece não haver outro interesse para Brandon Sullivan (Michael Fassbender) que não o sexo. Da masturbação ao recurso a prostitutas, passando pelas relações fortuitas depois de uma ida a um bar, sem esquecer, claro, a pornografia vista através da Internet, este adicto passa pelas mais variadas experiências sem qualquer inibição.
O sexo pelo sexo está sempre presente, mas as cenas mais fortes nem são as explícitas. Há uma, fantástica, passada numa carruagem de metropolitano, onde Brandon e uma desconhecida trocam olhares e aproximações que está muito bem filmada e conseguida. É, sem dúvida, uma das marcas do filme.

A característica fundamental destes “relacionamentos”, se é que podem ser considerados como tal, é o total desprendimento e a frieza de Brandon. Este ainda tenta uma relação “normal” com uma colega de trabalho, mas esse parece não ser o seu mundo.

É um solitário que vive apenas com a sua obsessão. Mas a chegada da irmã, Sissy (Carey Mulligan) vem perturbar esta sua ordem estabelecida. Quebra-se a segurança aparente da sua solidão e distanciamento.

Fassbender tem um desempenho formidável e Carey Mulligan não lhe fica atrás. Esta é uma obra que vale sobretudo pelas actuações e pelos pormenores extraordinários e tons frios tão bem conseguidos pelo realizador. Há também os silêncios e os diálogos parcos ou ásperos. Mas é isso e pouco mais. O que é pena. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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