quinta-feira, 29 de março de 2012

Jean Mabire – In Memoriam

Definia-se a si próprio como “normando e europeu”, Jean Mabire foi jornalista, escritor, historiador, crítico literário e activista político. Deixou uma extensa obra publicada e uma influência marcante. Muitos querem hoje esquecê-lo, ou considerá-lo um dos “malditos”. Mas este é um autor que paira acima da mesquinhez. Na semana em que passam seis anos da sua partida para o mundo dos mortos, aqui fica um excerto da homenagem que lhe dediquei na última edição do semanário "O Diabo".


Jean Mabire (Paris, 8/2/1927 — Saint-Malo, 29/3/2006) foi desde cedo apaixonado pelas letras e pela escrita, tendo fundado uma revista regionalista pouco depois de se formar. Cumprido o serviço militar como pára-quedista, foi mobilizado para a Argélia, onde combateu e foi condecorado, experiência que inspiraria uma das suas obras mais conhecidas. Colaborou em variadíssimas revistas e escreveu mais de uma centena de livros. O leque de temas abrangidos foi vasto, da Normandia ao paganismo, da História, em especial a História militar, à política, dos romances ao mar e aos marinheiros. Foi também crítico literário e as suas biografias de autores foram publicadas em vários volumes. Defensor da “Europa das Pátrias Carnais”, esteve na fundação de um movimento regionalista normando e participou na criação do GRECE e da chamada “Nova Direita”. É ainda hoje uma referência para o Movimento Normando, para a associação Terre et Peuple e, para preservar e defender a sua obra, existe a Associação dos Amigos de Jean Mabire.

Presente!
Quando Mabire morreu, um jornalista amigo meu, que na altura estava em Paris em trabalho, escreveu: “As edições ‘on-line’ de hoje dos três grandes jornais franceses — ‘Libération’, ‘Figaro’, ‘Le Monde’ — não tinham uma linha sobre a morte de Jean Mabire. Significativamente, a peça mais destacada na secção de Cultura do ‘Libération’ levava o título ‘Os Kékélé, cantores da rumba congolesa’”. É uma belíssima imagem do que se passa hoje em dia, quando a brigada do “politicamente correcto” faz constantemente o “culto do outro” preterindo a nossa cultura e as nossas tradições populares. Autores “incorrectos”, como este, devem então ser votados à censura pelo esquecimento. O que os censores hodiernos talvez não tenham presente é que fazer entrar alguém para o panteão dos “escritores malditos” é também uma forma de reconhecimento do seu talento.

Felizmente, estes “apagadores da História” não conseguem eliminar a extensa e rica obra de um escritor que foi sempre um lutador e um exemplo, nem muito menos a sua influência que ainda vive. O seu espírito continua entre todos aqueles que o sentem presente, mas também naqueles que, não o conhecendo, prezam a sua terra e o seu povo, defendem-nos e sabem a importância dessa ligação sagrada.


Mabire dizia categoricamente: “Nós não mudaremos o mundo, não nos iludamos, não somos nós que o vamos mudar, mas o mundo não nos mudará.”

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