sábado, 3 de março de 2012

Do casamento à adopção 'gay'

Já se sabia que a consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal era apenas uma “meia-dose”, ou um prato inacabado. Foi mais uma manobra ilusória do ex-primeiro-ministro José Sócrates, bem orquestrada para distrair a populaça. Mais tarde ou mais cedo, alguém levantaria a questão da adopção por casais homossexuais. Foi o que fizeram, agora, o Bloco de Esquerda e o Partido Ecologista “Os Verdes”, que viram chumbadas no parlamento as suas propostas nesse sentido. Já no PS e no PCP acha-se que é necessário mais debate. Ou seja, as esquerdas tendem realmente para o mesmo lado nesta questão.

Vários analistas têm afirmado que hoje a diferença fundamental entre esquerda e direita é a família. Há muito que deixou de ser o sistema económico ou político. Pior, a esquerda tem-se vindo a esvaziar ideologicamente e a agarrar-se a “causas” como esta. Acontece que nem o assunto interessa à maior parte dos cidadãos, mais preocupados com o estado do País e com a sua situação económica, nem está a ser abordado da forma correcta.

O principal na adopção devia ser o interesse da criança, mas pelos vistos é relegado para segundo plano face à “orientação sexual”, como agora se diz. Luís Villas-Boas, director do Centro Aboim Ascensão, que, em 2004, presidiu à Comissão de Acompanhamento da Revisão da Lei da Adopção, afirmou: “A homossexualidade deve ser respeitada, mas os direitos da criança também. Tecnicamente, uma criança não pode viver de forma equilibrada, feliz, harmónica e bem tipificada sexualmente com um casal do mesmo sexo. O complexo de Édipo fica mal resolvido”. Mas pouco importa e comentários como este são considerados “politicamente incorrectos”. Mesmo à direita prefere-se normalmente o silêncio.

Seguimos, assim, o caminho do “progresso social”, como querem alguns. Mas até onde e a que custos? Parece que depois de querer fazer o “homem novo”, as esquerdas querem hoje fazer a “família nova”. Os resultados só podem ser igualmente maus.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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