quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sagres, a história de um símbolo nacional


O navio-escola Sagres actualmente ao serviço é o terceiro com esse nome na história da Marinha Portuguesa. Foi construído nos estaleiros da Blohm & Voss, em Hamburgo, em 1937, tendo, na altura, sido baptizado com o nome “Albert Leo Schlageter”. No final da Segunda Guerra Mundial, coube, juntamente com o seu navio-irmão “Horst Wessel” (hoje “Eagle”, ao serviço da Guarda Costeira norte-americana), aos EUA como despojos de guerra. No entanto, acabou por ser cedido à Marinha brasileira, onde recebeu o nome Guanabara. Em 1961 foi comprado por Portugal, para substituir a antiga Sagres, que, curiosamente, também havia sido navio alemão.

O navio Albert Leo
Schlageter (1937)
Foi no dia 8 de Fevereiro de 1962, no Rio de Janeiro, que teve lugar a cerimónia oficial de entrada do NRP Sagres para a Marinha Portuguesa, tendo o Capitão-tenente Silva Horta assumido o comando do navio. Com esta aquisição, atingiu-se o principal objectivo, que era o de garantir a existência de um navio-escola veleiro português, que assegurasse a formação marinheira dos seus futuros oficiais, complementando-se assim as componentes técnica e académica ministradas na Escola Naval.

Albert Leo Schlageter
Schlageter
O nome Albert Leo Schlageter pouco dirá aos portugueses, mas, como qualquer história, tem as suas curiosidades. Schlageter foi um herói dos Freikorps, fuzilado pelos franceses após a Primeira Guerra Mundial, elevado a mártir pelos nacionais-socialistas, no início do III Reich. Não só o seu nome foi dado a este navio, como a um esquadrão da Luftwaffe, a duas secções das SA e a um quartel. Teve também direito a um monumento em sua memória que foi destruído pelos Aliados depois da Guerra.

No entanto, há uma curiosidade ligada ao seu nome que deu origem a uma má citação que se tornou recorrente. Por diversas vezes vemos atribuída a Hitler, Goebbels, ou Goering a frase “Quando oiço falar de cultura, puxo logo da pistola”. Na realidade, tal é a deturpação de um diálogo da peça “Schlageter”, escrita pelo dramaturgo Hans Johst em 1933, na qual Thiemann, outra personagem, diz para o jovem Schlageter: “Quando oiço a palavra cultura, tiro a segurança da minha Browning”. Afirmação que espanta Schlageter, apesar de o contexto, neste caso, ser o de não se deixar desarmar por discursos ideológicos.

Hoje
O navio-escola Sagres tornou-se num símbolo nacional, que apela à nossa vocação marítima e nos recorda a grande gesta lusa das Descobertas. É uma autêntica embaixada itinerante do País que transporta as cores portuguesas para os quatro cantos do mundo, tendo visitado até à data 60 países, 166 portos estrangeiros e feito três viagens de circum-navegação. É um ex-líbris da nossa Marinha, reconhecido e apreciado pelos portugueses, que se espera continue a cruzar os mares antes navegados pelos nossos antepassados.

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