domingo, 26 de fevereiro de 2012

"O impossível acordo"

Este é o título do excelente e imperdível artigo de António Guerreiro, publicado no suplemento "A(c)tual" do semanário "Expresso" de ontem, sobre o Acordo Ortográfico, disponível na íntegra aqui.

Deixo algumas passagens:

"Em várias e competentes instâncias, o AO foi criticado, desautorizado enquanto documento técnico-científico, considerado inepto e nefasto. Em sua defesa, porém, o mais que pudemos ler foram artigos em jornais, refugiados nas questões genéricas das supostas vantagens de um acordo, sem responderem aos argumentos dos críticos. É fácil perceber que a impermeabilidade à crítica e a imunidade do AO estavam garantidas pelo facto de se tratar de um instrumento político para servir a estratégia ideológica da lusofonia."


"Um breve exame ao que se passa nos locais e instituições que adoptaram o Acordo mostra que a sua aplicação fica sujeita a normas locais, casuísticas e decididas arbitrariamente."

"Como vai ser possível ensinar a ortografia nas escolas? Como reagirão os alunos quando um professor os ensinar a escrever uma palavra de uma determinada maneira e um outro professor os ensinar de maneira diferente? A inexistência de um Vocabulário Ortográfico Comum (prometido para janeiro de 1992 e que era um dos requisitos da entrada em vigor do Acordo) torna tudo ainda mais complicado. Ou será que esse Vocabulário Ortográfico Comum não existe porque não pode existir e não passa de uma enorme falácia?"

1 comentário:

  1. Come on...

    Estou farto de ver uma manada não sei bem de quê a criticar o acordo.
    Primeiro o acordo, qualquer que ele fosse, seria sempre criticável do ponto de vista técnico. Há muitas opções e não há, nem pode haver uma solução única.
    Depois, criticar este acordo é defender o odiosa reforma ortográfica de 1911, feita à revelia do Brasil e que tinha um único objectivo, aproximarmos-nos da ortografia espanhola (portuguez para português, mais semelhante ao castelhano portugués, etc.)

    Posso perceber que se defenda uma volta à ortografia do Século XIX mas não a uma reforma pró-castelhana.

    Phoda-se sejam coerentes!

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