sábado, 4 de fevereiro de 2012

O (des)Acordo Ortográfico na ordem do dia

A corajosa decisão de Vasco Graça Moura teve principalmente o mérito de trazer o disparate do Acordo Ortográfico (AO) para a ordem do dia, coisa que os seguidistas - com o falso e estafado argumento da "inevitabilidade" - tanto querem evitar.

Hoje, ao ler o jornal "i", para além da peça que fez a manchete "Graça Moura tem razão", deparei-me com três textos de opinião que referem o AO. O primeiro é o excelente editorial, de António Ribeiro Ferreira, que reza assim: "Seguro, com a mesma voz indignada e compungida, a clamar contra Vasco Graça Moura, que erradicou do Centro Cultural de Belém um aborto chamado Acordo Ortográfico. O líder da oposição, entalado entre a troika e a pesada herança socrática, tenta sempre refugiar-se em assuntos fúteis e em fantochadas nos intervalos dos imensos lugares-comuns que atira para o ar a propósito de cimeiras europeias, tratados, austeridade e crescimento económico. Assim vai a pátria falida e decrépita."

O segundo é de André Abrantes Amaral, que afirma: o "que se quer com o acordo ortográfico é decretar a rua a seguir os gabinetes. Ora, que mais não é uma língua que muda por decreto, que uma língua morta?"

O último, de José Couto Nogueira, diz: "É evidente que o acordo ortográfico, tão do desagrado de muitos intelectuais e profissionais da escrita (inclusive o autor desta coluna), está para ficar; é letra de lei, os livros didácticos já foram modificados, seria moroso e diplomaticamente desagradável voltar atrás. Também é evidente que foi um disparate, um imposição comercial sem reflexo na evidência de que o Brasil e Portugal tendem a afastar os idiomas. Só fica bem a Graça Moura este gesto quixotesco de última barricada."

Obviamente que não me identifico com o tom derrotista, ou conformado, do último texto, mas o que é notório em todos eles é a oposição ao AO. Sinais de que a questão está longe de estar encerrada.

2 comentários:

  1. Concordo ,contra o acordo ortografico sempre mal debatido e decidido sem acesso a todos e porque aceitam que exite um grande nivel de iliteracia entre os Portugueses.

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  2. Um Acordo agora com desacordo mais evidente que nunca foi suficientemente debatido e explicado aos Portugueses e aos Brasileiros porque a maioria deles n\ao sabe que foi feito e muitos dos intelectuais Brasileiros est\ao contra o tal chamado Acordo.

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