sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Natalidade

O problema é grave e não é de hoje. Tem vindo a arrastar-se perante a passividade de políticos e governantes, que ultimamente pioraram a situação. A sustentabilidade demográfica e a natalidade nacional são temas há muito descurados pelos que deviam assegurar as condições necessárias para a nossa vitalidade enquanto Povo.

Há muito que se caminha para um individualismo que vai afastando, progressivamente, a família enquanto modelo e base da sociedade. Ao mesmo tempo, o egoísmo consumista faz com que muitos vejam os filhos como uma mera fonte adicional de despesas e prefiram os bens materiais da “felicidade” efémera anunciados pela publicidade omnipresente. Depois, há sobretudo uma falta de sentimento de comunidade na qual esteja presente o dever da continuidade.

Um estudo científico recente sobre a fecundidade em Portugal veio revelar algo de que nos apercebemos todos os dias. As famílias portuguesas têm menos filhos porque não têm dinheiro, apesar de muitas delas terem vontade.

Na semana passada, Cavaco Silva abordou o problema numa conferência, afirmando que são necessárias “políticas de estímulo à natalidade”. O Presidente fez bem em trazer o assunto para a ordem dia, mas a questão é muito mais profunda. Não bastam medidas pontuais, a pensar nas próximas eleições, ou em reacção a notícias ou estudos. A demografia é um dos pilares de um projecto nacional. Sem uma renovação de gerações o País está condenado a um envelhecimento generalizado.

Uma nação sem filhos não tem futuro.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

1 comentário:

  1. Sobre este assunto também já tenho falado em diversas ocasiões

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