sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A luta continua

Há dias mostrei a um jovem jornalista a primeira edição de “O Diabo” dirigido pela sua fundadora Vera Lagoa. Foi bastante interessante ver como ele notou, automaticamente, a diferença para os jornais de hoje. Tanto pelo estilo e pela a riqueza da escrita, mas, principalmente, pela forma como se vivia e sentia a política. Os tempos eram outros e o País estava ao rubro. Os ânimos inflamavam-se, o destino de Portugal preocupava as pessoas e o combate político mobilizava as opiniões. É impossível não fazer um paralelo com os tempos conturbados que atravessamos hoje, mas onde parece que a apatia reina e o futuro da Pátria não diz respeito aos seus cidadãos.

O jornalismo independente e de coragem é essencial para inverter esse estado de coisas. A imprensa livre, capaz de denunciar os abusos e atropelos dos que detêm o poder não pode deixar de existir.

No dia 10 de Fevereiro de 1976, Vera Lagoa, no seu primeiro editorial, fez uso de uma frase de quando começou o anterior “O Diabo”, em 1895, que mostrava bem a linha a seguir: “Cavalheiros! Parece-me que lhes vejo os narizes torcidos! Pois destorçam-nos que eu vou falar”. A fundadora deste jornal era uma verdadeira “mulher de armas” e recordou nesse texto o seu passado de luta e que “O Diabo” foi sempre conhecido como um jornal de combate e cultura. Terminou escrevendo: “Já destorceram os narizes? Continuem com eles destorcidos. Porque eu tenciono continuar a falar”. E continuou. Depois da sua morte, “O Diabo” continuou e continuará a falar.

Cada vez mais é preciso “O Diabo”.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Sem comentários:

Enviar um comentário