sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Debandada geral

Já muito se falou dos elevados níveis de emigração atingidos no nosso país nos dias que correm. Ao contrário de tão criticados períodos anteriores, desta vez, quem sai, são os mais jovens e mais qualificados. Também já é conhecido o fenómeno de regresso acentuado de vários imigrantes, que descobrem no seu país de origem melhores condições laborais.

Acontece que tudo isto não se passa nas notícias dos jornais – esse mundo que por vezes é tão distante da realidade –, mas à frente dos nossos olhos, com pessoas que conhecemos e com quem lidamos diariamente.

Venho assistindo a esta fuga há algum tempo, mas recentemente tenho visto um agravamento acelerado, em círculos bastante próximos. Por vezes, é uma saída forçada, mas normalmente é apenas a natural e recorrente busca de melhores condições de vida.

Relato três casos distintos, e por isso exemplificativos, que presenciei nos últimos tempos. No primeiro, uma familiar minha, bastante bem colocada numa multinacional, viu o seu talento reconhecido e conseguiu um lugar de topo, com um salário correspondente, na sede da empresa, na Suíça. Depois, um amigo meu, engenheiro numa grande empresa nacional, foi informado que a fábrica onde trabalhava será encerrada em breve. A “solução” proposta ao pessoal especializado foi a ida para Angola, Brasil, Polónia ou Roménia. Por fim, um brasileiro residente em Portugal há dez anos, recebeu uma proposta de trabalho na sua terra natal, onde auferia consideravelmente mais do que cá. Não hesitou e partiu com a família.

Todos, à sua maneira, reflectem as consequências nefastas do denominado “mercado global”, onde tudo se pode mudar. As raízes amputam-se em nome do conforto ou da estabilidade. Para trás ficam os teimosos, os menos preparados, ou, pior, os aproveitadores do costume. Aqueles que “raparam” e continuam a “rapar o tacho” até ao fim. Triste sina…

Portugal precisa de portugueses.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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