quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Da Grécia sem amor

O novo cinema grego tem boas surpresas, como foi o caso do peculiar “Canino”, de 2009, realizado por Giorgos Lanthimos. Mas, desta vez, Athina Rachel Tsangari, que realizou e escreveu “Attenberg”, não vai além de uma colecção de situações, ambientes e personagens bizarras.

O título do filme é uma corruptela do apelido do famoso documentarista da vida animal David Attenborough, cujos programas são vistos por Marina (Ariane Labed), sozinha ou em companhia do seu pai, que depois faz imitações dos animais. Mas esta não é a única bizarria do filme. Outra, e talvez a mais engraçada, são os passeios que Marina faz com a sua única amiga, Bella (Evangelia Randou), mimetizando os ‘silly walks’ dos maravilhosos Monty Python.

A abertura mostra-nos que estamos a entrar num mundo estranho. As duas amigas estão frente a frente e Bella, a promíscua, tenta ensinar Marina, a frígida sem experiência sexual, a beijar. Esta última sente-se enojada e não demonstra qualquer jeito para o exercício.

O ambiente onde tudo se passa é uma cidade industrial costeira de arquitectura modernista, que mais parece quase fantasma. É neste ambiente humanamente árido que nos apercebemos da frieza natural de Marina, que vai acompanhando o seu pai, que sofre de uma doença terminal, ao hospital. Entre pai e filha também se nota um afastamento e uma comunicação distante.

Um dia, Marina conhece um engenheiro (Giorgos Lanthimos) e decide iniciar a sua vida sexual. Mas não se espere uma mudança, antes as mesmas situações estranhas a que o filme recorre. A história, essa, não existe. Nesta colagem não há um fio condutor e a realização reflecte exactamente isso.

Apesar de alguns pormenores interessantes e até curiosos, “Attenberg” deixa-nos sempre distantes e acaba por tornar-se enfadonho. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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