quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

As paixões de Edgar

Este não é um filme sobre o FBI ou uma biografia extensiva sobe o homem que o dirigiu durante quase meio século, servindo oito presidentes norte-americanos. É antes uma perspectiva intimista das suas paixões e como estas influenciaram a sua vida. Daí a queda, no título, do apelido Hoover, nome ainda hoje associado à inovação de métodos e princípios de investigação criminal e ao controlo da informação, e que se confunde com o próprio FBI. O realizador, Clint Eastwood afirmou “este não é um filme de política, é uma história de amor”.

Já nos seus últimos dias, J. Edgar começa a ditar as suas memórias e é a partir daí o enredo vai ziguezaguear temporalmente. A construção do filme está bem feita porque, por um lado, vemos a sua história “oficial”, por outro, entramos dentro do seu universo pessoal.

As paixões de Edgar são a ordem e a segurança, como vemos na sua dedicação ao cargo e ambição profissional, mas também os seus amores pessoais: a mãe (Judi Dench), a sua referência máxima, Helen Gandy (Naomi Watts), a sua fiel secretária, e Clyde Tolson (Armie Hammer), o seu companheiro de trabalho e de amor.

Muito se tem falado da forma como o filme “revela” a homossexualidade reprimida de Hoover. No entanto, não há aqui “militância gay”, já que o próprio percebe, para além de avisado pela mãe, que para a manutenção da ordem que tanto deseja, tal é algo que deve ficar bem oculto.
Para além do óptimo trabalho de Leonardo DiCaprio no papel principal, há a destacar as representações de Naomi Watts e de Judi Dench em dois papéis secundários, mas que nem por isso deixam de ser essenciais.

Apesar de todos estes aspectos, o filme ficou foi “esquecido” pela Academia e não teve uma única nomeação para os Óscares. Algo que dá que pensar… [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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