Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

Nós e o Estado

Perante as crescentes dificuldades que enfrentam, muitos portugueses encontram no Estado o responsável por todo o mal que lhes caiu em cima. Este aparece normalmente enquanto entidade convenientemente abstracta, quando muito personificada num caricatural funcionário de uma repartição das Finanças. Num país onde a culpa habitualmente morre solteira, parece que culpar o Estado é o mesmo que atirar para trás das costas.

No entanto, ultimamente, parece que o Estado – será melhor dizer os governantes e o legislador – age de má fé contra os cidadãos. Vários casos recentes são ilustrativos. Veja-se o “apagão” anunciado à televisão, devido à introdução da TDT (mais uma sigla que é suposto conhecermos...), que obrigará os portugueses a gastar mais de 130 milhões de euros para continuar a ter algo que já tinham. Veja-se, também, a intenção de restringir totalmente o fumo em locais fechados, o que deitará para o lixo os milhões investidos pelos que, obrigados pela lei anterior, alteraram os seus estabelecimentos para ter salas para fumadores. Por último, e apenas para não ser exaustivo e maçador, o caso das chamadas “reformas douradas”. Depois de aprovadas as “medidas de contenção e austeridade”, que tantos de nós sentem já na pele, soube-se que foram atribuídas mais 385 dessas aposentações de luxo no ano passado, o que significa um aumento de 21,6 milhões de euros no encargo anual da Caixa Geral de Aposentações.

O Estado deve ser o reflexo de uma comunidade politicamente organizada. Não deve, nem pode – nunca –, estar contra os cidadãos. O Estado devemos ser nós. Cabe-nos mudar o estado do Estado.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

2 comentários:

  1. Cabe-nos mudar o estado do Estado.

    Como?

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  2. A intenção não era apresentar uma solução milagrosa (que desconheço), mas contrariar a tendência para que se veja o Estado como algo que não nos diz directamente respeito.

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