segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Mais vozes contra o (des)Acordo Ortográfico

"A partir de 1 de Janeiro, ao que parece, é de vez: todas as entidades públicas são obrigadas a adoptar o Acordo Ortográfico, mediante o qual o Estado português vendeu, grátis, parte do seu património inalienável. O Expresso, como sabem os leitores, já é escrito em obediência a esse malfadado acordo. Mas sobra a liberdade para os colunistas que assim o desejem, e entre os quais me incluo, continuarem a utilizar nos seus textos a ortografia da língua que herdámos dos nossos pais e que gostaríamos de transmitir aos nossos filhos. Assim continuarei, pois, a fazer, com o grande conforto de saber que estou a fazer a coisa certa."

Miguel Sousa Tavares, in "Expresso".

"É fascinante que um pequenino bando de ociosos tenha decidido corromper a língua de milhões. O fascínio esvai-se quando se percebe que os ociosos atingiram os intentos. O Acordo Ortográfico, criação de arrogantes com uma missão, é oficial e está aí, perante a complacência dos poderes públicos em princípio eleitos para defender o país e não para o enxovalhar deliberadamente."

Alberto Gonçalves, in "Diário de Notícias".

"Gostaria também de dar uma boa nota a Nuno Crato. E fá-lo-ia sem reservas, não fosse a sua cumplicidade vergonhosa na adopção do Acordo Ortográfico nas escolas. Bem sei que a Universidade portuguesa, nomeadamente as suas escolas de Letras e de Direito, tem também graves responsabilidades em tal ignomínia, pelo silêncio tumular a que se tem remetido. O Governo e a Universidade são os grandes responsáveis por esse atropelo arbitrário de princípios elementares do Estado de Direito."

Vasco Graça Moura, in "Diário de Notícias".

2 comentários:

  1. O Sousa Tavares diz que "estou a fazer a coisa certa", aportuguesamento da expressão inglesa "doing the right thing" e que fica grotesca traduzida directamente para a nossa língua. Seria interessante que certa gente percebesse que a defesa da língua não se deve limitar à oposição ao acordo ortográfico pois o seu abastardamento já vem de longe e agrava-se com este tipo de textos e expressões.

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