sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Agente Amor

Nesta comédia romântica, que é a estreia na realização de Pascal Chaumell, descobrimos alguém com uma profissão no mínimo invulgar – um quebra-corações. Que, ao contrário do que nos leva a pensar o título, é mais um “quebra-relações”. Nesta sua actividade comercial, Alex Lippi (Romain Duris), é contratado para terminar com relações amorosas indesejadas ou mal vistas pelas famílias das visadas. Mas este galã, que desenvolve o seu negócio nas mais longínquas paragens, não usa apenas o seu charme, a sua experiência e o seu imutável, mas eficaz, discurso. Conta com a preciosa ajuda de um casal que com ele faz equipa, dando-lhe todo o apoio técnico e usando disfarces para construir o cenário de captura da “presa”.

Alex age como um verdadeiro agente secreto, numa piscadela humorística aos filme do tipo James Bond, mas tem princípios – só age quando as mulheres estão em relações infelizes.
Certo dia é contratado por um milionário com ar de mafioso que quer impedir que a sua filha Juliette (Vanessa Paradis) se case com um inglês. O problema é que desta vez a relação parece perfeita, mas a situação financeira empurra Alex para um difícil trabalho, ainda por cima feito contra o tempo. Será que conseguirá atingir o seu objectivo, como sempre? Ou será que, desta vez, o amor prega uma partida ao quebra-corações?

O humor clássico da traulitada na cabeça, ou da garfada na perna, alterna com piadas de registo europeu, de estilo francês, mais sofisticadas. É o caso do ‘roquefort’ comido pela manhã, do gozo com os sotaques, que se perde na tradução, e a paródia à “coisa” anglo-saxónica, a mostrar que a rivalidade perdura desde a Guerra dos Cem Anos.

Um filme agradável que, apesar de algumas gargalhadas, não surpreende. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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