domingo, 27 de novembro de 2011

Pierre Vial no Méridien Zéro


Hoje, às 22 horas portuguesas, será emitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, que tem como convidado Pierre Vial, presidente da associação Terre et Peuple.

sábado, 26 de novembro de 2011

Ride of the Valkyries



We use Wagner. It scares the shit out of the slopes. My boys love it!

Lieutenant Colonel Bill Kilgore

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Corrigível

Uma das maiores trapalhadas que o famigerado Acordo Ortográfico produziu foi a confusão no ensino. A este propósito  leia-se o artigo de Francisco Miguel Valada, na edição de ontem do jornal «Público», intitulado "A anunciada revisão do Acordo Ortográfico", no qual recorda uma entrevista com o actual secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, na qual admitiu que o Acordo "é corrigível". Se bem que, para mim, a única "correcção" possível é a revogação de tamanho disparate.

Contra-relógio

Num regresso à ficção científica, depois de “Gattaca” (1997), Andrew Niccol escreveu, dirigiu e produziu “Sem Tempo”, um filme que nos leva a um futuro próximo onde as pessoas param de envelhecer aos 25 anos, idade a partir da qual estão programadas para viver apenas mais um ano e a trabalhar para ganhar mais tempo de vida.

Neste mundo, que tem um curioso cenário de anos 50 futuristas, o tempo é literalmente dinheiro. Tudo se compra com tempo, com um simples movimento de antebraço, onde está um relógio que assinala o que resta a cada um. Obviamente que os ricos podem ser imortais e os pobres vivem contando os minutos que lhes faltam. Estas diferenças sociais provocam separações entre as chamadas “zonas temporais”, nas quais é necessário pagar avultadas portagens até chegar à melhor.

Um jovem chamado Will Salas (Justin Timberlake), que vive numa das piores zonas, recebe certa noite um século de um rico que deseja morrer. Esta fortuna vai torná-lo um alvo tanto para ladrões como polícias. Depois da morte da sua mãe, Will decide fugir para a zona mais rica, onde encontra Sylvia Weis (Amanda Seyfried), a filha de um dos grandes multimilionários do tempo.

Juntos começam uma revolta contra o sistema que questionam, no qual muitos têm que morrer para que uns poucos vivam para sempre. Tornam-se uma espécie de Bonnie e Clyde, enquanto assaltantes apaixonados, mas com um lado Robin dos Bosques, já que roubam para distribuir pelos menos afortunados.

Nas representações, há a lamentar a escolha de Justin Timberlake, cujo desempenho deixa bastante a desejar. Amanda Seyfried e Cillian Murphy, no papel de polícia, cumprem sem deslumbrar. O resto do elenco é meramente decorativo.

Um filme que é interessante pelo tema, mas que se torna uma corrida contra o tempo. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Cassiano Branco


Sai hoje, com o jornal «Público», mais um número da colecção "Arquitectos Portugueses", desta vez dedicado a Cassiano Branco. Da autoria de José Bartolo, este livro de divulgação dá-nos a conhecer um dos grandes nomes da arquitectura no nosso país. Pena que tenham escolhido para a capa uma imagem (talvez demonstrativa daquilo a que chegámos) do Éden Teatro "recuperado". Um abastardamento que passou por pôr palmeiras no interior. Algo a fazer lembrar o "Mundo Perdido"... Só falta um pterodáctilo a voar! Enfim, apesar disso, um livro a comprar.

Despertar


Hoje o dia começou bem. Acabado de acordar, encontro o meu filho na sala compenetrado a ler o álbum "A Ilha Negra" do Tintin. Afinal o filme serviu para alguma coisa... Um belo despertar!

Um Tintin


Fui finalmente ao cinema ver "As Aventuras de Tintin - O Segredo do Licorne" com os meus filhos, que adoraram. O filme é espectacular, no sentido literal do termo, e com uma animação que é um prodígio da técnica. Mas, para um tintinófilo como eu, isso não basta.

O filme mistura três álbuns de Tintin, o que não é de estranhar, já que seria indesejável uma transposição directa da banda desenhada ao cinema. Mas tem pormenores absurdos e incompreensíveis, como a breve aparição de Castafiore, totalmente "metida à pressão". Logo no início, pelo contrário, há uma passagem excelente. Uma homenagem a Hergé, que se cruza com o herói que criou. Para o final, uma cena exagerada e até disparatada - um combate de gruas num porto. Talvez o pior dos momentos "à Indiana Jones", como tão bem escreveu o Eurico de Barros, que abundam.

Este é um filme a ver, apesar de tudo. Claro que, para mim, é um Tintin e não o Tintin. Preciosismos à parte, mesmo com Spielberg aos comandos, Tintin continua europeu e não me parece que vingue nos EUA como grande sucesso comercial.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dos feriados

Num país onde se olha para os calendários com a pronta intenção de calcular a extensão dos dias de descanso, com o recurso a “pontes” e “tolerâncias”, a questão de se alterar as regras dos feriados e mesmo o fim de alguns é naturalmente incómoda. Mas, sejamos claros, vistos apenas assim, perdem totalmente o seu significado.

No caso dos feriados políticos, a maior parte das pessoas nem sabe o que representam. Nem lhes interessa, à parte do facto de ser mais um dia sem trabalhar, ou pago a dobrar. Em muitos dos feriados religiosos acontece exactamente o mesmo. Quanto a estes, recorde-se como os ultra-laicistas, que tão fervorosamente se batem contra os crucifixos em escolas públicas, por exemplo, gozam prazenteiramente os dias que a tradição católica lhes concede sem qualquer reclamação ou problema de consciência.

Perante este cenário, parece que se pode pura e simplesmente acabar com tais dias, mas não é assim tão linear. O caso do 1.º de Dezembro, que gerou alguma indignação em certos sectores, pode ser um ponto de partida. Se nesta data se mantiverem as respectivas cerimónias oficiais e se realizarem acções evocativas nas escolas, explicando às futuras gerações a importância da restauração da independência, é com certeza mais importante que mais um dia de “balda”.

Os verdadeiros feriados são os que servem para marcar um novo ciclo, assinalar uma mudança, mas que são reconhecidos por todos enquanto tal. É o caso indiscutível do Natal, do qual nos aproximamos. Nesses é que nunca se deve ceder, muito menos em nome de uma cega medida de “aumento de produtividade”, como se o País não passasse de uma linha de montagem.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Greve

Ainda para aí muita gente contente com uma greve qualquer (mais uma) que está agendada para breve. Como sempre, quero lá saber! A única greve que faço é ao (des)Acordo Ortográfico. Para sempre!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O velho soldado


O escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte escreveu uma excelente crónica intitulada "El viejo soldado", que fala de homens, camaradas de armas, e que a todos aconselho. Termina assim: «-Allí no había nada -dice de pronto-. Sólo viento y arena, ¿te acuerdas?... Pero era el lugar más hermoso del mundo.» A não perder.

domingo, 20 de novembro de 2011

Panorama europeu no Méridien Zéro


Hoje, às 22 horas portuguesas, será emitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, sobre o panorama actual europeu e que terá uma participação lusitana. De regresso a este programa, novamente conduzido pelo Lt. Sturm auxiliado pelo PGL, fui convidado a comentar ao lado de Pierre Vial, presidente da Terre et Peuple, Gabriele Adinolfi, director do Centro Studi Polaris, e Georges Feltin-Tracol, responsável pelo Europe Maxima.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Supranacional

O tempo é de crise, já o sabemos, e as pessoas sofrem com as chamadas "medidas de austeridade". É-nos recordado diariamente pelos meios de comunicação social. Mas certos comportamentos não deixam de nos causar uma estranha perplexidade. Entrar num supermercado e assistir à euforia do Natal comercial não parece fazer sentido. Menos sentido faz depois de se saber, pela imprensa, que as famílias portuguesas vão gastar mais com o Natal deste ano que as famílias alemãs. A ilusão do consumismo desenfreado distrai as massas do essencial.

Ao confiarem que um qualquer governo vai "resolver" a crise, as pessoas não estão a ver o problema de fundo. O mundo alterou-se radicalmente. Sem entrar em teorias da conspiração, que nestas alturas abundam, é fácil verificar como o poder foi tomado por altos interesses económicos, supranacionais, que decidem o futuro e os dirigentes de países oficialmente independentes.

Um dos seus agentes directos são as agências de notação financeira, também conhecidas como de 'rating'. Algo que, até há não muito tempo, o comum dos mortais nunca tinha ouvido falar e que desconhecia a sua influência devastadora.

No nosso caso, o erro começou na construção de uma união europeia económica. Aquela que poderia e deveria ser uma das maiores potências mundiais está agora às ordens de interesses que vêm do outro lado do Atlântico.

Começou pelo ataque aos pequenos e periféricos países, como a Irlanda, Portugal e a Grécia. Mas agora seguiu-se a Itália, um dos países mais ricos do mundo, com um vitalismo económico competitivo e com uma direcção que fugia à habitual influência norte-americana. Veja-se, por exemplo, o inteligente entendimento com a Rússia. Quem se seguirá neste verdadeiro "dominó chinês"? Espanha, França?

Esta é uma guerra supranacional, que exige uma resposta igual. A de uma Europa que faça frente a quem a ataca.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

sábado, 12 de novembro de 2011

Manhã parisiense


A Île de la Cité vista da Pont des Arts, bem cedo, a caminho da gravação de mais uma emissão do Méridien Zéro.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Memória

O homem do futuro será o que tiver a mais longa memória.
Nietzsche

Aparentemente, fazem hoje sucesso certos programas televisivos onde verdadeiros gebos demonstram publicamente um desconhecimento profundo e escandaloso sobre matérias que deviam ser básicas. Para gáudio de espectadores que não ficam muito atrás destas tristes figuras, revelam uma total ausência daquilo a que comummente se chama “cultura geral”.

Mas pior, esta ignorância estende-se a cada vez mais pessoas e ao conhecimento da História de Portugal e da cultura portuguesa. Neste campo, o problema também vem de cima. O ensino das humanidades e das letras é preterido em favor das “áreas técnicas”, que supostamente garantirão emprego. Consequência directa da ultra-especialização imposta pelo modelo capitalista no mundo ocidental e que, agora, alastra pelo globo.

O historiador francês Dominique Venner escreveu: "Não há futuro para quem não sabe de onde vem, para quem não tem a memória de um passado que o fez aquilo que é." Sábias palavras de um homem experimentado. É uma das explicações fundamentais para a nossa actual falta de direcção.

Há que, contrariando o embrutecimento intelectual generalizado, cultivar a nossa memória e passá-la de geração em geração. Aprender com a História, com as provas e privações do passado que nos conduziram ao que hoje somos, é essencial para traçar o caminho a seguir.

A nossa memória garante o nosso futuro.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

sábado, 5 de novembro de 2011

Geopolítica da Rússia


Excelente número especial da revista francesa "Diplomatie", que é o quinto nos "Grands Dossiers", dedicado à geopolítica da Rússia. A não perder!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Regresso ao político

Lêem-se os jornais, vêem-se os noticiários televisivos ou ouvem-se os radiofónicos e o tema omnipresente é exactamente o mesmo – a crise. Mais concretamente a “económico-financeira”. Mas desengane-se quem pensa que está a ser informado. Pelo contrário, está a ser inundado pela “ditadura dos gestores”. Tudo dito num linguajar até há bem pouco tempo estranho, o “economês”. Com os seus termos imperceptíveis e palavras anglo-saxónicas terminadas em “ing”, a fazer lembrar a secreta caligrafia receituária dos médicos. Aliás, não há muito tempo, todas estas “perspectivas”, “previsões” e demais futurologias eram recebidas com o devido cepticismo.

Mas os senhores dos MBA, e restantes acrónimos que é suposto conhecermos, impuseram o seu reinado. Tudo se resume ao mercado – ou ao seu plural, como está tão em voga – e o “resto” é estrategicamente empurrado para segundo plano.

A história do “rei vai nu” não deve já constar do imaginário de quem acredita piamente nos “analistas”, que cada vez mais se pavoneiam, aparentemente seguros, pelos ‘media’, e nas suas “análises” intoxicantes.

Paremos. Recusemos a onda. Recordemos que os Estados são construções políticas, derivadas de uma vontade. Não são, nem podem ser, reflexos de interesses globalizados cujo único propósito é o lucro exagerado e cego.

A política – não a baixa política, que nos repugna diariamente – é do interesse directo dos cidadãos. Urge, assim, um regresso ao político. A solução não está na continuação do todo-económico, antes no seu fim. Parece que os ventos da História anunciam alterações, mas sem vontade não há, nunca, mudança.

O problema da Europa, e consequentemente de Portugal, não é económico, é político. Haja vontade!

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O colaboracionista e a sua família

RECHOKIM – THE COLLABORATOR AND HIS FAMILY
Realização: Ruthie Shatz e Adi Barash
FRA/EUA/ISR, 84 min.
Filme projectado no DocLisboa 2011

Este é um documentário que nos leva a um tema algo desconhecido, os palestinos que colaboram com o Estado de Israel. No entanto, mais que uma investigação política, esta é uma viagem ao seio de uma família afectada pela opção do pai. Ibrahim colaborou com as autoridades israelitas durante vários anos, sendo depois forçado a um Exílio em Israel com a sua mulher e filhos. Impedido de voltar à Palestina, onde o destino dos traidores é a morte, não encontrou porém a melhor das recepções no país para o qual trabalhou. Numa perspectiva intimista, vemos as condições deploráveis de vida que estes párias palestinos têm no sul de Telavive, com as dificuldades em arranjar emprego, devido à falta de visto, como os sucessivos problemas com as autoridades policiais. No final da projecção houve uma sessão de perguntas e respostas com a realizadora, onde esta afirmou que o filme havia tido uma boa recepção em Israel. Um olhar interessante e corajoso, mas infelizmente demasiado fechado sobre as vivências familiares. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

Amor, Absinto, Revolução!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O oligarca

KHODORKOVSKY
Realização: Cyril Tuschi
ALE, 2011, 111 min.
Filme projectado no DocLisboa 2011

Através deste filme temos uma visão das profundas alterações políticas na Rússia contemporânea. O nome do Khodorkovsky está imediatamente associado à ascensão estonteante dos oligarcas russos. À frente da petrolífera Yukos, comprada a “preço de saldo”, transformou-se num dos homens mais ricos do mundo. No entanto, as suas aspirações políticas fizeram-no desafiar o então presidente Putin. Decidido a contrariar uma ocidentalização capitalista e o crescente poder dos récem-milionários, o líder russo não se deteve. Khodorkovsky foi acusado, julgado e preso na Sibéria, onde está até hoje. Neste documentário bem construído, são evidentes as simpatias do realizador alemão pelo ex-oligarca, agora “mártir”, mas mesmo assim há lugar ao contraditório e a todo o estranho enredo associado aos seus negócios e que, finalmente, o conduziu ao cárcere. Nota positiva para as partes de animação, bastante bem conseguidas. Referência ainda maior para o facto de Cyril Tuschi ter conseguido entrevistar Khodorkovsky durante uma audiência de julgamento. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]