quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Tintin na História

A revista francesa “Historia” e o jornal “Le Point” publicaram um número especial, em formato de álbum, onde são retratados momentos-chave do século XX, nomeadamente de 1930 a 1944, que inspiraram a obra de Hergé e a criação de várias das personagens que habitam no universo de um dos mais famosos e apreciados heróis da banda desenhada. “Les personnages de Tintin dans l'histoire” (encadernado, 130 páginas, 10,90 euros), disponível nas bancas portuguesas, reúne como autores vários historiadores, académicos e jornalistas e está dividido em capítulos que associam cada aventura de Tintin com uma personagem e um artigo sobre o período histórico no qual se insere.

O primeiro é obviamente sobre “Tintin no pais dos sovietes”, inspirado directamente no manifesto anti-soviético “Moscou sans voiles”, de Joseph Doulleit, e em destaque está o “duo para a vida” Tintin e o seu inseparável companheiro canino Milou. A enquadrar a primeira história do nosso “pequeno repórter”, podemos ler sobre a forma como a URSS se impõe como ditadura, controlada por um partido que vigia tudo e todos, e provoca uma catástrofe económica. A seguir um livro que hoje alguns tentam envolver em polémica, “Tintin no Congo”, complementado com um texto sobre a África colonial do homem branco, tendo como personagens Dupond e Dupont, inspirados no pai e no tio de Hergé. O milionário Rastapopoulos, inspirado em Onassis, leva-nos a “Os Charutos do Faraó” e aos rumores e maldições associadas às descobertas dos egiptólogos, nomeadamente o túmulo de Tutankamon. Depois, é a vez do amigo chinês Tchang, que aparece no álbum “O lótus azul” e do conflito sino-japonês. Outra guerra, desta vez entre a Bolívia e o Paraguai, vai inspirar “A orelha quebrada” e o general Alcazar. Já em “A ilha negra”, com o dr. Müller como personagem, viajamos até ao mundo dos falsários que lucravam no início dos anos 30. A excêntrica Castafiore é descrita a propósito de “O ceptro de Ottokar”, tendo como pano de fundo geográfico os Balcãs e histórico o Anschluss. Inspirado no filme “Le Capitainne Craddock”, surge em “O caranguejo das tenazes de ouro” o capitão Haddock e o problema do consumo e tráfico de ópio. Em “O segredo do Licorne” aparece pela primeira vez o mordomo Nestor e viajamos até ao mundo dos piratas. Por último, é a vez do Professor Girassol, inspirado em Auguste Piccard, que se estreia em “O tesouro de Rackham, o terrível”, com um artigo sobre o castelo de Cheverny.

Este livro inclui ainda um capítulo dedicado às aventuras de Tintin no cinema, não podendo deixar de falar no filme de Steven Spielberg que está a gerar grande expectativa. Por fim, os interessados em aprofundar os temas tratados podem recorrer às duas breves bibliografias, uma com obras sobre os momentos históricos referidos e outra sobre o mundo de Tintin.

Bastante interessante para os entusiastas de um dos nomes maiores da banda desenhada franco-belga, este é um álbum obrigatório na colecção de qualquer tintinófilo. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Poesia em tribunal

Em 1955, Allen Ginsberg escrevia o poema “Howl”, publicado no ano seguinte, que se seria considerado uma dos mais importantes expressões da chamada ‘beat generation’, que incluiu autores como Jack Kerouac e William S. Burroughs. Mas o aparecimento desse texto no livro” Howl and others poems” não seria pacífico e gerou polémica. Por conter linguagem considerada indecorosa e ter referências explícitas a sexo, incluindo relações homossexuais, foi acusado de ser “obsceno” e o seu editor levado a tribunal.

Durante o julgamento foram questionados vários especialistas em literatura para tentar avaliar o mérito literário da obra, a necessidade da utilização de palavrões, a promoção da homossexualidade, a sua compreensão pelo público em geral, entre outras coisas hoje impossíveis. Mas o que estava realmente em causa era a liberdade de expressão e criação. Nesse sentido, o juiz acabou por considerar que “Howl” não era “obsceno”. O processo judicial acabou por dar publicidade ao livro e ao seu autor.

“Uivo” retrata esse julgamento, que nos é mostrado como um filme de tribunal da época. Mas os realizadores não se ficam por apenas um registo. Há a entrevista com Ginsberg, ou as memórias antigas, tudo filmado de forma diferente, para criar quase uma ilusão de documentário. Apesar do exagero, a ideia até é boa, mas acaba por não resultar. Pior, mesmo, são as partes em animação, que acontecem durante a leitura do poema. Algo totalmente deslocado e desnecessário, para além de mal conseguido, que arruína de vez a coisa.

James Franco até se esforça no papel principal, mas nem por isso melhora o que podia ser um interessante choque entre a América conservadora e uma geração que quer pôr tudo em causa. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Em desacordo


António Emiliano, professor de Linguística na Universidade Nova de Lisboa, tem sido um incansável activista contra o Acordo Ortográfico (AO), com a mais-valia de saber exactamente do que fala. Depois de “Foi você que pediu um Acordo Ortográfico?” e “O Fim da Ortografia”, ambos de 2008, saiu no ano passado “Apologia do Desacordo Ortográfico” (brochado, 204 páginas, 18,17 euros), publicado pela Verbo, uma compilação dos textos de intervenção e entrevistas contra o AO que o autor escreveu para a imprensa, incluindo também alguns inéditos e um texto inicial de Miguel Esteves Cardoso.

Longe de ser uma polémica encerrada, a questão do AO é ainda bastante desconhecida e referida amiúde superficialmente ou dando apenas voz aos acordistas. Este livro, que tem uma leitura rápida e agradável, sendo acessível ao público em geral, é da maior utilidade para esclarecer fundamentadamente o que, como afirma o autor, é “um atentado contra o nosso património, o nosso povo e o nosso desenvolvimento”. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Memória selectiva

A proximidade das eleições regionais trouxe de novo um ataque cerrado a Alberto João Jardim. A descoberta do chamado “buraco da Madeira” está a ser utilizada para tentar eclipsar o buraco nacional. Mas, como é óbvio, não se pode tapar um buraco com outro.

É incrível como os responsáveis pelo descalabro do País apontam tão rapidamente o dedo, esquecendo as suas próprias culpas. Enquanto no continente há dinheiro que não se sabe onde foi parar, na Madeira o investimento é visível. A obra feita nesta região autónoma, reconhecida por exemplo pelo insuspeito Jaime Gama, que a considerou “ímpar”, é inegável.

Ao contrário dos dissimulados profissionais que abundam na política nacional, Jardim é genuíno e “sem papas na língua”, algo que incomoda muita gente. Mais incómodo ainda, em especial para os que acusam a Madeira de “défice democrático”, é o facto de ele se manter no poder legitimado pela vontade popular expressa em sufrágio.

Como muito bem afirmou Vasco Pulido Valente no jornal “Público” do passado domingo, a impunidade que tem distinguido a política portuguesa exclui Jardim. Fazendo, um necessário exercício de memória, escreveu: “A gente que, em 1975, destruiu alegremente a economia não sofreu o menor incómodo pessoal ou profissional; e a gente que proclamava pelas ruas a necessidade de ‘fuzilar a reacção’ e de estabelecer rapidamente uma ditadura do PC acabou em Belém a receber a Ordem da ‘Liberdade’ das mãos de Soares”.

A memória não pode ser selectiva.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Auto-retrato do tirano

O culto da imagem pode virar-se contra aquele que se quer glorificar a todo custo. Descobrir o que se pretende ocultar com exercícios propagandísticos de Estado é o objectivo “A Autobiografia de Nicolae Ceausescu”, que apenas utiliza imagens oficiais da época. Um filme auto-biográfico, no sentido de que apresenta um tirano como ele queria ser representado.

A vida política de Ceausescu acabou, como sabemos, em negação. É assim que começa e acaba este documentário monumental, de quase três horas de duração. As imagens da recusa do ditador comunista, ao lado da sua mulher Elena, em admitir qualquer responsabilidade na tirania imposta durante quase 25 anos aos romenos, dizendo não reconhecer o tribunal que o julgou e condenou à morte.

Andrei Ujica, que havia já realizado “Videograms of a Revolution”, sobre a queda do regime de Ceausescu, em 1992, optou agora por outra perspectiva. De uma exaustiva pesquisa de mais de mil horas de filmes dos arquivos oficiais, seleccionou imagens de circunstâncias públicas e privadas que mostram a fantasia da vida do dirigente de um regime opressivo que se desmoronou.

Festas, conferências de imprensa, discursos, intervenções, cerimónias oficiais, visitas a obras públicas e fábricas, mas também momentos de lazer como Ceausescu a jogar vólei, a nadar na praia, ou na caça, e até do funeral da sua mãe, Alexandrina. As relações externas têm um papel especialmente importante, demonstrado pelas várias imagens das visitas oficiais recíprocas com os regimes comunistas da época, mas também a presença de líderes do Ocidente na Roménia, como de De Gaulle ou Nixon, e as visitas de Ceausescu aos EUA ou a Inglaterra.

O tão repetido “caminho para o socialismo e para o comunismo”, insistentemente apregoado pela propaganda oficial, conduziu ao sofrimento e à miséria não só os romenos, mas tantos outros povos. Este é um precioso documento histórico para que não esqueçamos o horror do comunismo e o delírio de um dos seus líderes mais megalómanos. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Haja coragem

Nuno Pacheco, director adjunto do jornal "Público", assina hoje um excelente artigo sobre o Acordo Ortográfico, onde explica várias das incongruências desse disparate que nos querem impor. Termina com um apelo muito importante: "Valha-nos, ao menos, a insistência da iniciativa legislativa de cidadãos contra o acordo (http://ilcao.cedilha.net/). Deviam assiná-la todos os que ainda não perderam a coragem."

domingo, 18 de setembro de 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Frase do dia

"Nunca, em quase 50 anos, conheci um político que se aproximasse tanto de não ser nada, como António José Seguro."

Vasco Pulido Valente
in "Público".

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pesada factura


No dia em sabemos que as "Finanças penhoram estádio do Leiria", não restam dúvidas do disparate que foi a embriaguez colectiva do Euro 2004. Ainda mais, porque certamente outras destas obras paquidérmicas terão a mesma sorte... Mas, claro, como se trata de bola, nesta terra é sempre um tema complicado (quando não sagrado). Nada tenho contra o desporto, enquanto tal, mas tenho tudo contra o futebol-negócio (tantas vezes "negociata"), essa praga que tão bem serve os propósitos de "ópio do povo".

Portugal

“Esta é a ditosa Pátria minha amada”
Camões

O imediatismo, o relativismo, o materialismo, a atomização da sociedade, são alguns dos sintomas da decadência de que padece o mundo ocidental moderno. No caso concreto do nosso país, vemos como cada vez mais autóctones vão ficando desligados – no sentido profundo do termo – da sua terra, arrancados das suas raízes. Parece que Portugal “já não vale a pena” e que o que é “bom” está lá fora. Para muitos, o sentido de pertença vai-se esvaindo lentamente. Como um ácido que corrói pacientemente a nossa identidade. Para além da indiferença generalizada, há os derrotistas habituais, que garantem que “tudo está perdido”, que “não há solução”.

Mas, como demonstra a mais importante lição que a História da Europa nos deu, é sempre possível renascer. Para um renascimento é indispensável uma vontade e homens que a encarnem, desinteressadamente e com sentido de dever. É necessário – sempre – um espírito trágico. Esse sentimento imbuído que levou os europeus, desde a aurora da nossa civilização, a alcançar o impensável contra as maiores adversidades.

Ser português, hoje como ontem, é sentir Portugal. Encarnar um elo na cadeia da perenidade. Por muito que o futuro próximo se vislumbre negro, os portugueses que acreditam na sua Pátria devem ser “homens de pé entre as ruínas”, como diria Evola. Fiéis herdeiros da sua História, da sua Cultura, mas movidos por uma saudade do futuro. E basta que sejam “poucos, mas bons”, como tão bem ensinou a sabedoria popular. As maiorias nunca mudaram a História e os heróis forjam-se na tempestade.

Não há Portugal sem portugueses.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

La Nouvelle Revue d’Histoire n.º 56


O número 56 de «La Nouvelle Revue d’Histoire», relativo aos meses de Setembro e Outubro, disponível nas bancas nacionais, tem como tema central “O imprevisto na História” e oferece um excelente dossier com vários artigos de Dominique Venner, Yann Le Bohec, Bartolomé Bennassar, Jean-François Gautier, Philippe Conrad, Jean Kappel, Jean des Cars e Pascal Gauchon. Destaque ainda para os artigos “As fontes históricas de Tintin”, de Francis Bergeron, “França e Alemanha: economias comparadas”, de François-George Dreyfus,e “O choque da potência americana”, de Aymeric Chauprade. Para além disso, podemos também ler três entrevistas. A primeira com Paul Gottfried, sobre “as metamorfoses do conservadorismo americano”, a segunda com Pascal Gauchon, sobre “o ensino, a história e a geoeconomia”, e por fim uma com o director da revista sobre o seu novo livro, “Le choc de l'histoire”, no qual afirma que “a França e a Europa entraram numa época inédita”. Como sempre, há ainda outros artigos e as secções habituais de actualidade e crítica de livros. Uma referência na divulgação histórica.

Ver para crer

Na abertura do MOTELx, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, que vai já na sua quinta edição, foi projectado um filme norueguês que deu muito que falar na sua terra natal, onde recebeu críticas positivas e foi um sucesso relativo de bilheteiras. Como disse o actor Glenn Erland Tosterud, convidado para a apresentação do filme no festival, “Trollhunter” foi visto por mais pessoas que “Inception”. A verdade é que mal o filme estreou nos EUA, em Junho passado, houve uma companhia cinematográfica norte-americana que comprou os direitos de ‘remake’.

A história parte de uma gravação vídeo encontrada que foi editada para produzir este falso documentário e tem origem nas filmagens feitas por um grupo de estudantes universitários que pensam ter encontrado um caçador de ursos furtivo, mas encontram algo totalmente inesperado. Dito assim, pode até fazer lembrar “O Projecto Blair Witch” (1999), mas as semelhanças reduzem-se a esta forma.

Os jovens seguem o enigmático caçador e descobrem, estupefactos, quais são as suas presas. Aqui entramos no mundo da mitologia nórdica, ainda presente no imaginário deles, mas recusada por se tratar de uma lenda. Hans (Otto Jespersen) caça ‘trolls’ ao serviço do governo norueguês, para esconder essa realidade da população. Para além do lado fantástico, há um lado cómico bem conseguido. O caçador, como funcionário que é, queixa-se da profissão e da burocracia como qualquer um e tem, por exemplo, que preencher formulários de captura. Ao mesmo tempo, há uma explicação científica para a anatomia e desenvolvimento dos ‘trolls’, as várias famílias, ou as causas da sua morte, como de um qualquer animal selvagem se tratasse.

“O Caçador de Trolls” é um divertido e bem feito encontro entre folclore local, maravilhosas paisagens e um género de cinema que mostra que, também aqui, a terra dos fiordes pode surpreender. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

O Fim da Ortografia


“O Fim da Ortografia. Comentário razoado dos fundamentos técnicos do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990)”, de António Emiliano, professor de Linguística na Universidade Nova de Lisboa, publicado em 2008 pela Guimarães, é uma segunda versão do texto apresentado nesse ano ao Presidente da República na audiência concedida aos signatários da petição “Em defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico”.

É um livro implacável que desmonta, tecnicamente, ponto por ponto, o Acordo Ortográfico, concluindo que se trata de “uma reforma ortográfica inexplicável”. Para António Emiliano, esta reforma, “por atentar contra a estabilidade do ensino, a valorização da língua e a integridade do seu uso, valores que a Constituição consagra e protege, (...) não serve o interesse de Portugal e deve, em consequência, ser impugnada e rejeitada.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Q


Sinceramente, o registo em que o «Diário de Notícias» entrou há algum tempo está longe de ser do meu agrado, mas parece que há uma vontade de mudar. Gosto de suplementos culturais e, por isso, acho que é sempre de saudar o seu aparecimento na imprensa nacional, tão mal servida nesta área. No passado sábado, o «Diário de Notícias» iniciou a publicação de dois novos suplementos. Um económico, chamado "Dinheiro Vivo", e um caderno cultural chamado “Quociente de Inteligência”. O “Q” está bem paginado e o destaque escolhido para este primeiro número foi Salazar, tema que, em princípio, chama a atenção e aumenta as vendas. Mas a melhor surpresa foi ver a publicação da tradução de um excelente artigo de Jean-Michel Baldassari, intitulado “A perturbante actualidade de 'A Rebelião das Massas'”, publicado originalmente no n.º 55  de uma das minhas revistas de eleição, “La Nouvelle Revue d'Histoire”, que aqui aconselho regularmente.

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Réfléchir & Agir n.º 38


O mais recente número da obrigatória «Réfléchir & Agir», a “revista autónoma de desintoxicação ideológica”, tem como tema central “As oligarquias que nos esmagam”, e inclui um óptimo dossier com artigos de Eugène Krampon, Michel Drac, Robert Steuckers, Richard Neuville, Pierre Hillard, Tanguy Douar e Aliénor Thibault, e duas entrevistas, uma com Tomislav Sunic e outra com Emmanuel Ratier. Nota especial para o artigo de Pierre Gillieth feito a partir do diário-áudio, gravado em cassete, de Olivier Thiriat, um francês que morreu em 1989 em defesa de um acampamento karen. Destaque ainda para o artigo de Pierre-Patrice Bélesta, “A França, pequeno polícia do mundialismo contra as identidades árabes” e a reflexão sobre “As ilusões do Eu e a revolta libertária”, de Claude Bourrinet. Nas notas de leitura, temos várias páginas de livros para descobrir. Não esquecendo as habituais críticas, música e cinema, os breves comentários à actualidade e outras secções habituais.

Devemos desobedecer ao Acordo Ortográfico

É a única atitude a tomar face ao disparate que é o Acordo Ortográfico (AO). Na passada semana foi publicada nas páginas centrais do semanário "O Diabo", jornal que se opõe ao AO, a entrevista que fiz a António Emiliano, professor de Linguística na Universidade Nova de Lisboa, acompanhada de uma coluna de opinião do Humberto Nuno de Oliveira. Um documento a ler e divulgar, contra este atentado à nossa Língua.

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domingo, 11 de setembro de 2011

Livro para hoje: Crónica do Choque das Civilizações


"Chronique du Choc des Civilisations", publicado em 2009 pelas Editions Chronique, é, como nos diz o subtítulo, uma obra que nos traz a actualidade, análises geopolíticas e mapas para compreender o mundo depois do 11 de Setembro. O autor, Aymeric Chauprade, é um geopolitólogo francês, professor e colaborador de várias publicações, como "La Nouvelle Revue d'Histoire", dirige actualmente o site realpolitik.tv.

Apesar do seu reconhecido mérito, Chauprade viu-se envolvido numa polémica devido a esta obra, concretamente o capítulo dedicado à contestação da versão oficial do 11 de Setembro. Acusado no jornal "Le Point" pelo jornalista Jean Guisnel de dar voz às teorias conspiracionistas, foi afastado da docência no Collège interarmées de défense, por ordem expressa do ministro pró-atlantista Hervé Morin. O longo processo legal que se seguiu acabaria por lhe dar razão.

Com um grande formato, encadernado, 268 páginas e bastante ilustrado, é um livro essencial para perceber como o mundo mudou e os desafios que nos esperam.

Méridien Zéro e o 11 de Setembro


Hoje, o programa Méridien Zéro é dedicado ao 11 de Setembro e tem como convidados Lucien e Hubert Marty-Vrayance, dois dos autores do livro-choque "le 11 septembre n'a pas eu lieu". A emissão tem início às 22 horas portuguesas e pode ser seguida através da Radio Bandiera Nera.

Terre & Peuple Magazine n.º 48


O último número da "Terre et Peuple Magazine" tem como tema central "A nossas Pátrias Carnais" e inclui excelente um dossier com artigos de Pierre Vial, Jean Mabire, Edouard Rix, Guillaume Guégan, entre outros. Nota para o editorial de Pierre Vial, "A podridão", sobre o caso Strauss-Kahn. Destaque ainda para o artigo de Alain Cagnat intitulado "Panorama do mundo muçulmano", uma perspectiva etno-política que mostra as especificidades de um quadro que está longe de ser homogéneo, a entrevista com Emmanuel Ratier sobre o principal clube de influência francês, Le Siècle, que analisou no seu último livro "Au coeur du pouvoir", e o artigo de Edouard Rix que traça "A genealogia do individualismo moderno". Como habitualmente, podemos ainda ler outros artigos e as secções de notícias, crítica a livros, música e banda desenhada.

Sem efeitos


Este é o título que o "ípsilon" de anteontem dá à peça sobre o novo filme de John Carpenter, "O Hospício". Mais que o filme, interessou-me a atitude deste grande realizador, em especial o que diz sobre a grande "novidade" que entusiasma algumas pessoas: "Comentando o espectáculo do 3D, o realizador relembra que cresceu com as primeiras experiências tridimensionais nos anos 50: 'Foi ridículo na altura e (é) ridículo agora'."

sábado, 10 de setembro de 2011

Frase do dia

"Não contem com a velha protecção da Alemanha submissa e americanizada de antigamente. Essa Alemanha acabou; e a de hoje manda."

Vasco Pulido Valente
in "Público".

Uma mentira



What do you call it when the assassins accuse the assassin? A lie. A lie and we have to be merciful.

Colonel Walter E. Kurtz

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Amizade com cama

O género da comédia romântica norte-americana é bastante popular e apreciado por um grande público. Mas este tipo de filmes ligeiros acabam por obedecer a um formato quase preestabelecido. Desta vez, para tentar variar, recorre-se à “amizade colorida” entre uma caçadora de talentos e um ‘designer’ gráfico, que vêm de relações terminadas.

No entanto, a história tem um encontro “East meets West”, que nos EUA é algo apreciado. Jamie (Mila Kunis) é de Nova Iorque e Dylan (Justin Timberlake) é de Los Angeles. Ela consegue convencê-lo a mudar de costa para aceitar um emprego numa grande revista masculina. As diferenças entre as duas cidades e o comportamento dos seus habitantes são bastante explorados, por vezes com alguma graça.

Desta relação profissional começa uma amizade que os leva a um acordo de “só sexo”. É forma que ambos encontram para “resolver” a sua vida amorosa, mas é este é o ponto de partida para uma história de amor cujo desfecho se antevê. Talvez seja esse o propósito deste tipo de filmes, a garantia de um final feliz. Aliás, Jamie, que aparenta ser muito moderna, vê recorrentemente na televisão a mesma comédia romântica que acaba bem e afirma que gostava que a sua vida fosse um filme. Sente-se incompreendida nos relacionamentos porque acredita no “amor verdadeiro”.

Pelo meio, não podiam faltar as piadas tecnológicas e todo o tipo de modernices, como ‘apps’, telemóveis e até um juramento feito sobre uma bíblia no i-Pad. Outra coisa explorada são as chamadas ‘flashmobs’, grupos de pessoas que se combinam juntar-se num determinado local público a uma determinada hora para, neste caso, fazer uma coreografia de dança. Por fim, nota para o colega ‘gay’, interpretado por Woody Harrelson, uma personagem que evita o estereótipo. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Foi você que pediu um Acordo Ortográfico?


Um título engraçado, mas esclarecedor, para um opúsculo sobre um assunto demasiado sério. “Foi você que pediu um Acordo Ortográfico?”, de António Emiliano, professor de Linguística na Universidade Nova de Lisboa, publicado pela Guimarães, com prefácio de Vasco Graça Moura, foi apresentado publicamente em Maio de 2008 no Grémio Literário, em Lisboa.  Não perde a actualidade na mobilização contra este verdadeiro atentado contra a nossa Língua. A conclusão não podia ser melhor: "O Acordo Ortográfico de 1990 é, objectivamente, um atentado contra o nosso património, o nosso povo e o nosso desenvolvimento. Acordo não, obrigado. Não pedimos, não queremos, e, sobretudo, não precisamos."

Avenida de Roma

Esteve patente no núcleo fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa a exposição “Avenida de Roma – Fotografias (1930-2011)”, que mostrou a evolução desta “espinha dorsal” de uma das expansões da cidade que se tornou uma das zonas nobres da capital.

Cinema Roma nos anos 50.

Constituída por 50 imagens, sendo metade da colecção do arquivo, dando a conhecer a evolução da avenida entre os anos 30 e 80 do século XX, e as outras tiradas em 2011, pelo fotógrafo Luís Pavão, a exposição inclui ainda uma projecção de cerca de dez minutos onde é possível ver outras fotografias.

Há uma fotografia de Horácio Novais, de 1942, que capta a vista a partir do Hospital Júlio de Matos para aquela que seria a futura avenida, que funciona como uma porta de entrada para essa Lisboa nova que ali nasceu. Com um especial destaque ao cruzamento com a Av. dos EUA, intercalando fotografias de outros tempos com imagens deste ano, a exposição dá-nos um termo de comparação que nos permite ver as alterações arquitectónicas, mas também perceber e descobrir as alterações nas vivências neste espaço que se foi consolidando até aos nossos dias. Nota, por exemplo, para a fotografia de Salvador Almeida Fernandes, dos anos 50, do cinema Roma que, se compararmos com a actual, vemos como as árvores sobredimensionadas e o quiosque ‘kitsch’ taparam por completo este belíssimo edifício.

Aqui se observa a evolução do que já foi considerado por vários autores como o “paradigma do urbanismo português”, ou simplesmente recorda-se um sítio que faz parte da vida de tantos de nós. Como nos é dito – e muito bem – na descrição da exposição, esta é “uma avenida que, apesar das feridas infligidas pelas ‘marquises’, é ainda um exemplo do que de melhor se fez em Portugal em planeamento urbanístico”. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ricos

“Os ricos que paguem a crise” foi uma das frases do PREC que continua cara às esquerdas. Sempre que há uma “crise”, há quem queira recuperá-la. Mas, desta vez, foi um tiro que saiu pela culatra. Em França, foram os próprios ricos a propor essa “solução”, o que deixou muita gente, em especial os “revolucionários” de serviço, pasmada. Noutros países, rapidamente surgiram apelos a que se agravassem os impostos sobre os “ricos” – esse alvo tão indefinido como apetecido. Foi o caso do nosso país.

Mas, o que é ser rico? Como estabelecer os limites? Pelos ganhos mensais, ou pelas propriedades? Se tudo isso está declarado e os respectivos impostos são pagos, qual o problema?

Em primeiro lugar, conhecemos bem os desastrosos resultados deste nivelamento por baixo, feito em nome da sociedade sem classes. Depois, há uma consequência imediata desta sanha contra os ricos – a fuga de capitais a sediação de empresas noutros portos mais apetecíveis. Em Portugal, os verdadeiramente ricos já puseram as suas fortunas a salvo, lá fora. E os “quase-ricos” estão também a fazê-lo. Quem se segue?

Depois de acabar com os gestores públicos que auferem salários milionários e ganham prémios de desempenho em empresas que apresentam prejuízos, o que importa taxar são os “ricos” que estão fora do sistema. Os que não declaram. São casos bem conhecidos de todos nós. Aqueles que às Finanças dizem ganhar o salário mínimo, não passam facturas e, depois, pavoneiam-se em carros de luxo e exibem ostensivamente outros sinais exteriores para mostrar o seu “sucesso”.

A carga fiscal deve ser suportada por todos nós. Todos.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».