quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sobre rodas

Depois do surpreendente “Valhalla Rising - Destino de Sangue” (2009), Nicolas Winding Refn subiu consideravelmente a fasquia. A expectativa sobre este filme, rodado nos Estados Unidos da América, era elevada. Apesar de ter ganho o Prémio de Melhor Realização no Festival de Cinema de Cannes deste ano, “Drive - Duplo Risco” não nos conduz a nada verdadeiramente novo e o seu jogo de emulações não passa de uma colecção de revisitações de ambientes passados.

O início do filme é tão prometedor como enganador. Um homem de expressão fria conduz um carro clássico americano e, ouvindo-se o sonoro ruído do motor, temos a sensação do movimento e da adrenalina. Mas, para um filme que vai ser centrado na condução e passado num automóvel, acaba por ser inexplicável por que, depois, não se mantém o registo inicial.

O ‘driver’ (Ryan Gosling), personagem da qual nunca conhecemos o nome, é um condutor profissional de automóveis de Los Angeles, duplo para produções cinematográficas, e ainda trabalha numa oficina. Mas, durante a noite, aproveita as suas qualidades para conduzir assaltantes em assaltos criminosos. Para além da eficácia, há características neste condutor que saltam à vista – a frieza, a segurança e o silêncio, apenas interrompido com palavras bem medidas. Tudo isto lhe dá uma aura que, juntando-lhe o escorpião nas costas do blusão, faz lembrar um super-herói. Um dia a sua vida cruza-se com a da sua vizinha, Irene (Carey Mulligan), uma jovem mãe que se vê envolvida no submundo do crime, depois do regresso da prisão do marido, Standard (Oscar Isaac). Afinal, este ‘driver’ também tem sentimentos e descobrimos-lhe um lado humano e um implacável espírito vingativo.

Este é um filme que segue sobre rodas, mas por caminhos já conhecidos. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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