quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Separações

Este magnífico filme iraniano foi o grande e justo vencedor do último Festival de Berlim, conquistando os prémios para melhor filme, melhor actor e melhor actriz. Um excelente trabalho, de uma qualidade impressionante, que é sem dúvida um dos filmes do ano.

Como o título indica, esta história parte da separação de um casal. Simin (Leila Hatami) quer sair do Irão com a sua filha na esperança de uma vida melhor. Mas o seu marido, Nader (Peyman Moaadi), não concorda. Quer ficar no país para tratar do seu pai que sofre da doença de Alzheimer. Também a filha quer ficar com o pai, na esperança de uma reconciliação. Simin não sai do Irão, mas vai para casa dos pais. Nader vê-se forçado a contratar uma mulher para ficar em casa e cuidar do seu pai, que exige atenção permanente. Mas o que prometia correr mal, vai afinal correr ainda pior. Um intrincado jogo de mentiras, culpas, responsabilidades, fidelidades, emoções e mesmo de honestidade vai adensar-se, enquanto por duas horas vivemos, literalmente, na sociedade iraniana.

Vamos conhecer as divisões sociais e as respectivas barreiras, as diferentes formas de encarar a religião, os tribunais, as escolas, os hospitais e até os hábitos, a forma de conduzir. Mas, principalmente, vamos conhecer uma família e os seus laços, alguns quebrados, que podia muito bem ser a nossa, no nosso país. Para além de tudo isto, “Uma Separação” é ao mesmo tempo uma reflexão sobre a natureza humana.

É de realçar o soberbo desempenho dos actores, até dos mais novos. A realização, de câmara ao ombro, transporta-nos directamente para o local, onde sentimos na pele o ‘stress’ de toda esta história.

Um filme tão extraordinário como tocante. E, para acabar em grande, Asghar Farhadi oferece-nos o final perfeito. Imperdível. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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