quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Seca de morte

“Inquietos” é o relato de um fim de vida fora do comum e com protagonistas inesperados, mas nem por isso é um filme surpreendente. É antes uma experiência entediante num registo que se pode considerar pueril.

Enoch (Henry Hopper) é jovem estranho e distante que tem o hábito singular de ir a cerimónias fúnebres de pessoas que não conhece. Numa dessas intromissões no sofrimento alheio encontra Annabel (Mia Wasikowska), uma rapariga que tem cancro e a quem os médicos deram apenas três meses de vida.

Juntos começam a partilhar momentos íntimos e experiências divertidas que culminam num puro amor juvenil, apesar da condicionante terminal dela. Annabel considera-se uma “naturalista”, admiradora de Darwin e interessada em insectos e aves. Enoch tem uma fixação quase obsessiva pela morte e, mais bizarro ainda, um amigo “fantasma”. Hiroshi (Ryo Kase) é o espírito de um piloto ‘kamikaze’ japonês que só ele consegue ver e com quem discute a sua vida e joga batalha naval.

Podia ser o início de uma reflexão sobre como os adolescentes enfrentam o fim da vida antecipado, lidam com a perda e o respeito pelos mortos. No entanto, nesta história prefere-se o simples e previsível. O único momento em que parece que o tema vai ser tratado com profundidade resume-se à altura em que Enoch, durante uma discussão com Annabel, fala sobre a morte e afirma que “já lá esteve” e que “não há nada”. “Nada” parece ser a palavra apropriada para descrever o conteúdo desta obra. O aborrecimento é, assim, inevitável. Não se encontra aqui nada que deixe os espectadores verdadeiramente inquietos.

A realização também não ajuda, à excepção de alguns planos bem conseguidos. Para piorar a coisa, a banda sonora é por vezes desajustada, senão mesmo injustificável. Um filme para quem sofre de insónias... [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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