quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Provocações

“Melancolia” ficou marcado desde o início pelas polémicas declarações de Lars von Trier numa conferência de imprensa em Cannes, este ano, aquando da estreia do filme. O realizador dinamarquês declarou que compreendia Hitler e admirava o trabalho do arquitecto Albert Speer, acabando por dizer, ironicamente, que era “nazi”. Desta vez, o conhecido provocador não foi perdoado. O Festival de Cannes declarou-o como ‘persona non grata’.

A abertura do filme é fabulosa, quando vemos cenas que envolvem as personagens principais em câmara extremamente lenta, antecipando o final, tudo ao som de Wagner. Maravilhoso. Seguem-se dois capítulos, baptizados a partir das duas irmãs através das quais vamos ter duas diferentes reacções ao anunciado fim do mundo.

Justine (Kirsten Dunst) é uma bela mulher que aparenta estar bastante feliz. É o dia do seu casamento com Michael (Alexander Skarsgård) e a dispendiosa festa é na luxuosa mansão onde vivem a sua irmã e o seu cunhado. Cedo se percebe que, por detrás deste aparente conto de fadas, algo está errado. Descobrimos uma família disfuncional e uma Justine estranha e depressiva. Na segunda parte, centrada em Claire (Charlotte Gainsbourg) vemos então o tema do planeta Melancolia que está em rota de colisão com a Terra. Mais do que o fim do mundo, o que está aqui em causa é o fim da vida. E como lida uma pessoa, ou uma família, com isso?

Nota para o desempenho extraordinário de Kirsten Dunst, que ganhou justamente o prémio de Melhor Actriz no Festival de Cannes. Com um elenco de luxo, um realizador excepcional – que ainda assim nos oferece momentos inesquecíveis – e um cenário maravilhoso, é pena que se tenha caído em banalidades e revisitações. Aqui, parece que o “fim do mundo” foi afinal uma provocação intolerável… [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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