sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal

“Foi este um ano de açaimes e de açoites.
Mas não faz mal: não há nisso grande mal...
Recolho a mim e dou, enfim, as boas noites
ao Sol de mais um Dia de Natal...!
Rodrigo Emílio

O ano que agora se aproxima do fim não foi dos melhores. A crise económico-financeira trouxe as chamadas “medidas de contenção e austeridade” e com estas a desilusão da perpetuação da “terra da abundância”. Para cada vez mais famílias foi uma altura de desilusão, no sentido literal do termo. Muitos portugueses começam a tomar consciência do mundo ilusório que era a vida a crédito e a felicidade assente na posse de bens materiais, demasiadas vezes supérfluos.

Festa da memória, da família e da fé, o Natal é assim o tempo por excelência para repensar atitudes. Para recordar os valores – hoje adormecidos, esquecidos ou desprezados – nos quais deve assentar a sociedade. Para lembrar o que é realmente importante e recomeçar. Para partir em direcção ao futuro que nos cabe construir e que nos pertence. É um fim de ciclo que abre, sempre, a porta a outro.

Como escreveu Alain de Benoist: “nascimento de Cristo, (re)nascimento do Sol: o Natal é também a festa do que nunca morre, do que regressa sempre. E, nesse sentido, é a própria imagem da eternidade.”

Esta é uma altura de reflexão e de esperança. Feliz Natal a todos os leitores.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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