quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Independência

Só existem Nações, não existe Humanidade.
Fernando Pessoa

Em vésperas de mais um 1.º de Dezembro, data da restauração da independência, quando um movimento de génese popular decidiu tomar em mãos o destino da Pátria, libertando-nos do jugo de Castela e permitindo a reafirmação de Portugal como uma das grandes potências europeias, vê-se como infelizmente poucos hoje o recordam e, mais importante, o que representa.

Não é um simples caso de ignorância, é o culminar de um processo de estupidificação generalizada com o objectivo de desenraizar e descaracterizar os povos para uma homogeneização global. A isso se chama mundialização.

No nosso caso, com a perda do Império ultramarino, tentou-se reencontrar a pátria na Europa. Mas acontece que nos venderam uma “Europa” de construção puramente económica à qual nos vendemos. A troco de quê? Não de nos tornarmos “europeus”, algo que somos desde tempos imemoriais. Pior, as bugigangas foram a ilusão do progresso a crédito.

Assim se perdeu a independência política e económica, para um directório sedeado em Bruxelas. O que se seguiu foi a submissão total a interesses financeiros apátridas.

Em todo este tempo fomos destruindo a nossa Língua, os nossos valores, costumes e tradições, fomos esquecendo a nossa História, a ligação à nossa terra e as nossas origens. Estes são os pilares da verdadeira independência, que hoje em dia se vão corroendo. Até quando?

A independência é a tomada de consciência de um povo no seu destino comum e na necessidade da sua perenidade. Tenhamos esperança que, como em 1640, essa consciência desperte.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Sem comentários:

Enviar um comentário