sábado, 10 de dezembro de 2011

História e ignorância

“A História é vida – tal o axioma inicial a propor. E não apenas a vida dos outros – de outros tempos, de outros seres – mas a nossa vida, antes de nós.”
João Ameal


Tenho um colega de curso, hoje professor universitário, que tem por hábito dizer que “é ‘de História’ por deformação”. A afirmação irónica surgiu de novo quando me confessava o seu desespero em encontrar cada vez mais “analfabetos funcionais” a frequentar o ensino superior. Alunos que demonstram uma total ignorância em assuntos básicos, que qualquer português com a antiga 4.ª classe saberia na ponta da língua. Pior, consideram que saber “essas coisas” não tem qualquer interesse prático para a vida. Estes sim, são os verdadeiros deformados.

Não se trata aqui de defender a memorização pela memorização. Essa tem o seu papel importante e o seu tempo. Trata-se de assegurar um conhecimento, uma consciência da identidade de uma Nação. O desconhecimento do passado condiciona necessariamente o futuro e compromete o nosso destino. Quando hoje em dia tanto se fala “alargar horizontes”, nada mais os fecha que a ignorância.

Como afirmou o nosso Rei Esperançoso, D. Pedro V: “Estou certo de que nada produz mais o barbarismo do que a ignorância, e nenhuma mais que a da história, porque a história mostra o que são os homens, mostra o que eles foram, e é a experiência dos séculos; e acrescentarei nenhuma ignorância de história é mais prejudicial do que a da história da civilização”.

A nossa História somos nós. A ignorância da História transforma-nos numa massa indiferenciada.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

2 comentários:

  1. Os meus aplausos e a natural concordância que pode ser vista aqui

    http://sobreaponte.blogspot.com/2011/11/importancia-do-ensino-da-historia.html

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  2. Obrigado. Como te disse antes, foi uma inspiração.
    Mas, infelizmente, os exemplos repetem-se e agravam-se.
    A ignorância reina...

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