quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Supranacional

O tempo é de crise, já o sabemos, e as pessoas sofrem com as chamadas "medidas de austeridade". É-nos recordado diariamente pelos meios de comunicação social. Mas certos comportamentos não deixam de nos causar uma estranha perplexidade. Entrar num supermercado e assistir à euforia do Natal comercial não parece fazer sentido. Menos sentido faz depois de se saber, pela imprensa, que as famílias portuguesas vão gastar mais com o Natal deste ano que as famílias alemãs. A ilusão do consumismo desenfreado distrai as massas do essencial.

Ao confiarem que um qualquer governo vai "resolver" a crise, as pessoas não estão a ver o problema de fundo. O mundo alterou-se radicalmente. Sem entrar em teorias da conspiração, que nestas alturas abundam, é fácil verificar como o poder foi tomado por altos interesses económicos, supranacionais, que decidem o futuro e os dirigentes de países oficialmente independentes.

Um dos seus agentes directos são as agências de notação financeira, também conhecidas como de 'rating'. Algo que, até há não muito tempo, o comum dos mortais nunca tinha ouvido falar e que desconhecia a sua influência devastadora.

No nosso caso, o erro começou na construção de uma união europeia económica. Aquela que poderia e deveria ser uma das maiores potências mundiais está agora às ordens de interesses que vêm do outro lado do Atlântico.

Começou pelo ataque aos pequenos e periféricos países, como a Irlanda, Portugal e a Grécia. Mas agora seguiu-se a Itália, um dos países mais ricos do mundo, com um vitalismo económico competitivo e com uma direcção que fugia à habitual influência norte-americana. Veja-se, por exemplo, o inteligente entendimento com a Rússia. Quem se seguirá neste verdadeiro "dominó chinês"? Espanha, França?

Esta é uma guerra supranacional, que exige uma resposta igual. A de uma Europa que faça frente a quem a ataca.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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