quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dos feriados

Num país onde se olha para os calendários com a pronta intenção de calcular a extensão dos dias de descanso, com o recurso a “pontes” e “tolerâncias”, a questão de se alterar as regras dos feriados e mesmo o fim de alguns é naturalmente incómoda. Mas, sejamos claros, vistos apenas assim, perdem totalmente o seu significado.

No caso dos feriados políticos, a maior parte das pessoas nem sabe o que representam. Nem lhes interessa, à parte do facto de ser mais um dia sem trabalhar, ou pago a dobrar. Em muitos dos feriados religiosos acontece exactamente o mesmo. Quanto a estes, recorde-se como os ultra-laicistas, que tão fervorosamente se batem contra os crucifixos em escolas públicas, por exemplo, gozam prazenteiramente os dias que a tradição católica lhes concede sem qualquer reclamação ou problema de consciência.

Perante este cenário, parece que se pode pura e simplesmente acabar com tais dias, mas não é assim tão linear. O caso do 1.º de Dezembro, que gerou alguma indignação em certos sectores, pode ser um ponto de partida. Se nesta data se mantiverem as respectivas cerimónias oficiais e se realizarem acções evocativas nas escolas, explicando às futuras gerações a importância da restauração da independência, é com certeza mais importante que mais um dia de “balda”.

Os verdadeiros feriados são os que servem para marcar um novo ciclo, assinalar uma mudança, mas que são reconhecidos por todos enquanto tal. É o caso indiscutível do Natal, do qual nos aproximamos. Nesses é que nunca se deve ceder, muito menos em nome de uma cega medida de “aumento de produtividade”, como se o País não passasse de uma linha de montagem.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Sem comentários:

Enviar um comentário