quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pesadelo previsível

É sempre estranho, no mínimo, ver um ‘trailer’ de um filme que praticamente nos revela o enredo. É ainda pior quando se trata de um filme de suspense, ou neste caso uma tentativa de o ser. É o que acontece com “A Casa dos Sonhos”, que se torna, pouco tempo depois de começar, um pesadelo de previsibilidade e consequente aborrecimento.

Will Atenton (Daniel Craig), um editor de sucesso em Nova Iorque, decide mudar-se com a sua mulher Libby (Rachel Weisz) e as duas filhas para uma pequena cidade do Connecticut para escrever um romance. Mas esta mudança, que pretendia melhorar a vida da família, não corre como esperado. Algumas situações estranhas, como um homem que espreita à janela, ou as reacções dos vizinhos, indicam que algo invulgar se passa. Rapidamente Will descobre que a casa foi anteriormente habitadada por Peter Ward, um homem que matou a mulher e as filhas. Mas, como sabe quem viu a publicidade ao filme, Will é na realidade Peter. A partir daqui há uma tentativa sem sucesso de uma reflexão sobre o conflito interior na mente de uma pessoa que assume outra identidade para recusar uma tragédia.

É uma pena ver Jim Sheridan, realizador de “Em nome do Pai” (1993) ou “Na América” (2002), e actrizes como Rachel Weisz ou Naomi Watts prestarem-se a tão mau serviço como este. Mas a rodagem não foi pacífica e Sheridan entrou em conflito com a produtora e as constantes alterações que esta impunha ao filme, chegando a tentar retirar o seu nome dos créditos. O realizador e os actores Daniel Craig e Rachel Weisz, descontentes com a montagem final, recusaram-se a fazer publicidade ao filme e a dar entrevistas.

Um péssimo desfecho na realização de um mau filme que, ainda por cima, tem um daqueles mais que estafados finais felizes. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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