quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Naufrágio

Parece que hoje, apesar de os efeitos directos da crise já se fazerem sentir em grande parte da população portuguesa, o anúncio de novas e mais pesadas “medidas de austeridade” causam menos incómodo que a notícia de uma derrota num desafio de futebol.

Mesmo com algumas alterações de hábitos de vida, vemos que muita gente continua sem abdicar do acessório mesmo sabendo que já no próximo ano as coisas vão começar a ser a doer e que, a partir daí, muito dificilmente regressaremos em breve ao tempo das vacas gordas.

Será que este alheamento generalizado, aparentemente cómodo, é o resultado do processo de estupidificação que há muito está em curso? Será o reflexo de um povo agora brando e sem costumes? Ou, muito simplesmente, será que os portugueses decidiram continuar a gozar hoje o que não poderão dentro em breve?

“Portugal não é a Grécia”, garantem-nos. E realmente não é. A maioria continua à espera que os políticos resolvam as coisas e os “indignados” esperam que tudo seja como dantes e que alguém lhes trate da vidinha. Os governantes esperam que os sacrifícios dos mesmos mantenham a coisa, de preferência sem grande burburinho.

Assistimos a uma política de “aguentar o barco” à custa dos remadores, mas sem sequer haver um rumo decidido. O destino mais provável é o naufrágio.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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