sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Culturas

Todas as semanas somos presenteados com novos cortes orçamentais ou com intenções de os fazer. Parece que estas últimas são uma espécie de teste ao efeito que as medidas poderão ter na opinião pública. Uma péssima forma de fazer política, que ainda por cima não é nova.

Seja como for, esperemos que tenha sido a táctica utilizada pelo secretário de Estado da Cultura quando afirmou, em entrevista à Sic Notícias, que os museus nacionais deveriam ter apenas um dia de entrada gratuita. Esperemos, sinceramente, que tenha sido mais uma medida atirada para o ar que depois cai em saco roto.

A justificação para os museus deixarem de ser gratuitos aos domingos é a necessidade de gerarem mais receitas. Mas alguém acredita, sinceramente, que assim se consigam mais receitas? O que se consegue, com tamanho disparate, é uma redução considerável da frequência destes espaços. Pior, parece que apenas se vai dificultar o acesso aos museus, nomeadamente de famílias que aproveitam este dia para o contacto com a cultura.

É sabido, pelas anteriores experiências governativas, que a cultura se habituou à subsídio-dependência. É exactamente aí que se deve cortar.

O papel do Estado, neste caso, deve ser o de abrir as portas da cultura – principalmente da cultura portuguesa – aos cidadãos. O incentivo devia ser tirar as pessoas do passeio dos tristes dominical nos centros comerciais, não empurrá-las para os templos do consumo.

Esta é uma medida que, a concretizar-se, demonstra uma má cultura política e uma consequente má política para a cultura.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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