quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Portugal

“Esta é a ditosa Pátria minha amada”
Camões

O imediatismo, o relativismo, o materialismo, a atomização da sociedade, são alguns dos sintomas da decadência de que padece o mundo ocidental moderno. No caso concreto do nosso país, vemos como cada vez mais autóctones vão ficando desligados – no sentido profundo do termo – da sua terra, arrancados das suas raízes. Parece que Portugal “já não vale a pena” e que o que é “bom” está lá fora. Para muitos, o sentido de pertença vai-se esvaindo lentamente. Como um ácido que corrói pacientemente a nossa identidade. Para além da indiferença generalizada, há os derrotistas habituais, que garantem que “tudo está perdido”, que “não há solução”.

Mas, como demonstra a mais importante lição que a História da Europa nos deu, é sempre possível renascer. Para um renascimento é indispensável uma vontade e homens que a encarnem, desinteressadamente e com sentido de dever. É necessário – sempre – um espírito trágico. Esse sentimento imbuído que levou os europeus, desde a aurora da nossa civilização, a alcançar o impensável contra as maiores adversidades.

Ser português, hoje como ontem, é sentir Portugal. Encarnar um elo na cadeia da perenidade. Por muito que o futuro próximo se vislumbre negro, os portugueses que acreditam na sua Pátria devem ser “homens de pé entre as ruínas”, como diria Evola. Fiéis herdeiros da sua História, da sua Cultura, mas movidos por uma saudade do futuro. E basta que sejam “poucos, mas bons”, como tão bem ensinou a sabedoria popular. As maiorias nunca mudaram a História e os heróis forjam-se na tempestade.

Não há Portugal sem portugueses.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

1 comentário:

  1. Aos que guardam a chama ao longo deste ciclo de dissimulada tormenta.

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