quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Memória selectiva

A proximidade das eleições regionais trouxe de novo um ataque cerrado a Alberto João Jardim. A descoberta do chamado “buraco da Madeira” está a ser utilizada para tentar eclipsar o buraco nacional. Mas, como é óbvio, não se pode tapar um buraco com outro.

É incrível como os responsáveis pelo descalabro do País apontam tão rapidamente o dedo, esquecendo as suas próprias culpas. Enquanto no continente há dinheiro que não se sabe onde foi parar, na Madeira o investimento é visível. A obra feita nesta região autónoma, reconhecida por exemplo pelo insuspeito Jaime Gama, que a considerou “ímpar”, é inegável.

Ao contrário dos dissimulados profissionais que abundam na política nacional, Jardim é genuíno e “sem papas na língua”, algo que incomoda muita gente. Mais incómodo ainda, em especial para os que acusam a Madeira de “défice democrático”, é o facto de ele se manter no poder legitimado pela vontade popular expressa em sufrágio.

Como muito bem afirmou Vasco Pulido Valente no jornal “Público” do passado domingo, a impunidade que tem distinguido a política portuguesa exclui Jardim. Fazendo, um necessário exercício de memória, escreveu: “A gente que, em 1975, destruiu alegremente a economia não sofreu o menor incómodo pessoal ou profissional; e a gente que proclamava pelas ruas a necessidade de ‘fuzilar a reacção’ e de estabelecer rapidamente uma ditadura do PC acabou em Belém a receber a Ordem da ‘Liberdade’ das mãos de Soares”.

A memória não pode ser selectiva.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

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