A decisão da Moody’s de baixar o ‘rating’ de Portugal para “lixo”, o que significa dizer que o nosso País apresenta alto risco de bancarrota, provocou rapidamente um coro de protestos. Acontece que esta guerra que as agências de notação declararam à União Europeia e à sua moeda única, começando por atacar os mais fracos, começou há muito. Primeiro a Grécia, a Irlanda e Portugal, para agora serem a Espanha e a Itália “os senhores que se seguem”. Mas há que dizer que, como se diz popularmente, nos pusemos a jeito. O facto de estas agências ignorarem pura e simplesmente as medidas de restrição é reveladora.
Recorde-se que estas são as mesmas credibilíssimas agências que deram nota máxima a bancos norte-americanos que abriram falência pouco depois, na sequência da chamada crise do ‘subprime’.
Agora que nos consideram “lixo” não devemos optar pela solução fácil de devolver o elogio e chamar “lixo” a tais agências, que pela sua actuação bem podiam ser funerárias. Devemos, isso sim, aproveitar para nos reciclarmos. Para pensar seriamente na subserviência aos “mercados”. Para nos recordarmos que somos um país e que devemos defender-nos.
Mas, num plano superior, estamos também na altura de a União Europeia deixar de ser um tubo de ensaio da mundialização. É tempo de a Europa se assumir como a grande potência que pode e deve ser. Um projecto comum europeu não pode ser, como tem sido, uma diarreia regulamentadora sobre minudências como a uniformização do tamanho do carapau e da cor dos legumes. Pelo contrário, tem que centrar-se nas grandes questões como esta. E não vacilar.
A decisão de ignorar a notação das agências é um bom sinal. A seguinte devia ser deixar de lhes pagar.
Editorial da edição desta semana de «O Diabo».
Sem comentários:
Enviar um comentário