Uma vez detido o confesso autor dos sangrentos atentados na Noruega, grande parte da imprensa rapidamente o associou à “extrema-direita”. Termo bastante inclusivo, onde cabem tendências políticas por vezes antagónicas, mas que serve para criar uma amálgama a partir da qual é possível culpar as ideias por actos criminosos e indefensáveis. Uma das acusações prontamente feitas a Anders foi a de que se tratava de um “neo-nazi” com ligações aos movimentos da direita radical europeia. Analisando o seu manifesto e a sua actividade na Internet é possível ultrapassar essa cortina de fumo para tentar chegar ao que realmente passava na cabeça deste psicopata assassino.Ligações políticas
No meio do turbilhão das especulações sobre as ligações políticas de Anders Breivik, o facto é que o que sabemos é que foi membro do Partido do Progresso, da direita populista e segunda força política no país, e se afirmava como “conservador”. A única “ligação” que o assassino tinha com os grupos mais radicais, aparentemente, reduzia-se a algumas mensagens publicadas em fóruns na Internet.
Maçon
Um dos aspectos menos referidos nas notícias e nos perfis feitos sobre Anders foi o facto de pertencer à maçonaria. Algo que o assassino não escondeu, publicando no seu manifesto uma fotografia com o traje maçon. No dia seguinte aos atentados, a Grande Loja da Noruega afirmava que Breivik havia sido expulso, num comunicado que foi relegado para segundo plano pela generalidade da imprensa.
Pró-homossexual
Apesar de no seu manifesto tecer algumas críticas aos homossexuais, Breivik não deixa de salientar como o islamismo os persegue e os perigos que a islamização da Europa representam para a comunidade ‘gay’. Em escritos na Internet, Anders chegou mesmo a defender os homossexuais numa perspectiva anti-muçulmana.
Pró-sionista
Anders era um assumido admirador do Estado de Israel e do sionismo, pela sua luta contra o islamismo. Considerava que era necessária uma aliança “judaico-cristã”, entre o Ocidente e os judeus contra o expansionismo islâmico.
Pró-ocidental
Ao contrário de grande parte da direita radical, que se opõe aos EUA como fonte do mundialismo e da globalização que destrói as nações, Anders era um defensor do Ocidente. Considerava que era necessário defender a civilização ocidental face aos islamitas e aos que chamava “marxistas culturais”. No seu perfil do facebook, afirmava-se fã de Churchill.
Anti-nazi
Breivik refere explicitamente no seu manifesto que ele, tal como os seus “templários”, são anti-nazis. Não só critica Hitler em relação aos judeus, como diz discordar de grande parte do nacional-socialismo, que considerava uma “ideologia morta” e prejudicial à direita. Na enumeração dos partidos políticos nacionalistas inclui os “nacionais-socialistas”, mas com a ressalva de que os considera de esquerda.
Fundamentalista cristão?
Outro aspecto importante é o da confissão religiosa do assassino de Oslo. Mais uma vez, a imprensa precipitou-se em considerá-lo um “fundamentalista cristão”. No entanto, parece que só aparentemente o seria e numa perspectiva utilitária anti-islâmica. No seu manifesto afirma que “mentiria se dissesse que era uma pessoa muito religiosa”, acrescentando que “sempre havia sido muito pragmático e influenciado por um ambiente secular”. Para que não restem dúvidas, para ele, a religião era “para pessoas fracas” e justificava-se questionando: “Qual o interesse em acreditar num poder superior se se tem confiança em si próprio? Patético.”
Elogio a Obama
Apesar de criticar o actual presidente norte-americano no seu manifesto, Anders Breivik afirmou em comentário na Internet que: “Estou totalmente de acordo que Obama era um orador e um comunicador brilhante, um dos melhores que eu vi nos últimos 30 anos”.
Esteróides e medo
No dia dos atentados Anders estava, segundo reconhece no seu manifesto, a meio de um ciclo de esteróides anabolizantes e sob o efeito de efedrina, com o objectivo de aumentar a sua ‘performance’ física e a sua agressividade. No entanto, estava com “muito preocupado em ter medo no dia da missão”. Receava que este o “paralisasse”, mas ainda assim confiava nos treinos que havia feito e na sua disciplina mental.
Psicopata
Tudo indica que Anders Breivik seja um psicopata que decidiu tentar “resolver” os problemas que via na sociedade norueguesa como se estivesse num jogo de computador. Robert Spencer, director do ‘site’ Jihad Watch e autor de vários livros a denunciar o islamismo, bastante citado por Anders no seu manifesto, afirmou em entrevista à rádio Fox que nunca nos seus escritos havia incentivado à violência e que o terrorista de Oslo só podia ser um doido. Do seu delírio assassino, apenas se pode concluir que o contributo para as ideias que supostamente defende não podia ter sido mais negativo e prejudicial. Mais um indivíduo mentalmente perturbado que acabou sacrificar dezenas de inocentes.
Extrema-direita condena
Os partidos e movimentos europeus considerados de extrema-direita foram unânimes na condenação dos atentados perpetrados por Anders Breivik, incluindo os que têm posições contra a islamização da Europa, o principal motivo assumido pelo terrorista. Bruno Gollnisch, eurodeputado do Front National, denunciou aquilo que considerou uma manipulação da imprensa "contra a direita nacional e os defensores dos valores tradicionais", acrescentando que "um assassino solitário apenas compromete os seus cúmplices e a si próprio". Em comunicado, o Vlaams Belang declarou "condenar todas as formas de violência", seja qual for a sua origem. Considerando que "a liberdade de expressão termina onde começa a violência", este partido flamengo apresentou as suas condolências às vítimas, às suas famílias e à nação norueguesa. Sobre o autor dos atentados afirmou que "o jovem delinquente não percebeu nada do que é o nacionalismo". Também Harald Vilimsky, do austríaco FPOe, deu os pêsames às famílias das vítimas e ao povo norueguês, em nome do partido, manifestando o desejo de que todos os responsáveis sejam detidos e castigados. O Partido Nacional Renovador, em Portugal, repudiou a tentativa de colagem a Anders Breivik e reiterou a sua oposição frontal a todo o tipo de violência e de barbárie.








