quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

35 anos contra o Sistema

A propósito dos 35 anos que hoje completa o semanário «O Diabo», aqui deixo o editorial que escrevi na última edição.


Há 35 anos Portugal era um País muito diferente. Depois do Verão Quente de 75, com o VI Governo Provisório em funções e sob observação apertada do Conselho da Revolução, nascia uma voz incómoda no panorama da imprensa nacional. Um jornal assumidamente anti-sistema, que nunca se calou. Nunca deixou de denunciar as injustiças apesar de todas as adversidades e contra todos os que o tentaram silenciar.

Hoje muita coisa mudou, mas a dependência económica, a ditadura do politicamente correcto, entre tantos outros factores de pressão, sujeitam a imprensa dita “de referência” a uma onda uniformizadora que faz lembrar outros tempos. Por outro lado, o estado alarmante do País e a assustadora inversão de valores justificam a persistência deste jornal de “combate e cultura”, como o considerava a sua fundadora.

O combate continua, contra os que vão espoliando Portugal, os que “se vão governando”, estejam ou não no governo. Na cultura, que cada vez mais é nivelada por baixo, há que assegurar a divulgação dos não-alinhados, dos alternativos, dos dissidentes.

O Diabo é, assim, um exemplo de independência e irreverência que nunca deixou de se renovar, permanecendo fiel aos seus princípios fundadores. Um jornal de futuro, com um espírito de rebeldia, essencial para recusar o conformismo e enfrentar o pensamento único reinante.

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