sábado, 15 de janeiro de 2011

O pós-Le Pen

Marine Le Pen foi, sem surpresa, eleita a nova presidente do Front National, que segundo o diário "Le Figaro" teve 67% dos votos e será a candidata natural do partido às presidenciais do próximo ano. Sucedendo ao seu pai, promete alterar a face da maior expressão da extrema-direita francesa através da chamada estratégia de "desdiabolização". A este respeito republico aqui a conclusão do meu artigo "O pós-Le Pen", publicado no semanário "O Diabo", no dia 25 de Maio de 2010. Para ler o artigo na íntegra, basta clicar na imagem ao lado.

Está guardada para Janeiro de 2011 a decisão relativamente ao sucessor de Le Pen. Os militantes escolherão em congresso entre a filha do histórico presidente, Marine Le Pen, ou o eterno número dois, Bruno Gollnisch, debilitado pela saída de vários dos seus apoiantes de peso.

A confirmar-se a esperada eleição de Marine, começa já a especular-se o que será o futuro do partido. Esta mulher divorciada, com bons dotes de argumentação, mas que recusa as polémicas que isolaram o seu pai, é considerada mais “frequentável”. É por isso que muitos começam a aceitar como provável a hipótese de uma “finização” do FN. Quer isto dizer que pode acontecer em França uma alteração semelhante ao que aconteceu em Itália com Gianfranco Fini. Ao tornar um partido de extrema-direita mais “respeitável” e aceite, conseguir que este integre uma coligação governamental de direita.

Uma recente edição da revista francesa “Le Point”, que fez capa com a filha de Le Pen, perguntava se estávamos perante uma “normalização” do FN em curso. Isto porque, segundo uma sondagem, 36% dos simpatizantes da UMP se diziam favoráveis à participação de Marine num governo, ao passo que no FN essa percentagem atingia os 85%.

A moderação de Marine Le Pen, com a qual pretende atingir a desejada respeitabilidade, faz com que produza afirmações sobre o 25 de Abril como as publicadas no jornal “Expresso”. Na edição de 1 de Maio passado desse semanário, afirmou: “Na história política de Portugal, Mário Soares teve um papel fundamental, positivo, para o fim do regime, em 1974, e na luta contra o comunismo, a seguir”. Ou ainda: “Sou democrata e respeito a soberania popular: a revolução dos cravos respondeu ao desejo da maioria dos portugueses”.

4 comentários:

  1. Outro resultado seria a morte da FN.

    Por mim os nacionalistas deviam até ultrapassar por completo os complexos e fazer, como alguns patriotas o fizeram o ano passado, comparecer nas comemorações de bandeira nacional em riste: o 25 de Abril também foi para nós!

    Se bem que discordo que o 25 de Abril tenha sido o desejo da maioria dos portugueses: os portugueses não têm desejos seja do que for, são um povo carneiro, castrado e prostrado desde que D. Sebastião fez chacinar consigo os últimos genes heróicos.

    À espera do povo, ainda hoje havia Estado Novo!

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  2. O FN sobreviveu 40 anos nas franjas do sistema, suportando boicotes e cisões, por isso não me parece que a vitória de Gollnisch trouxesse o fim do partido. Este resultado é que, muito provavelmente, precederá o fim do FN tal como o conhecemos. Partilho da opinião do Duarte, do processo de "finização" que a Marine levará a cabo, a fim de se tornar futuro parceiro da UMP. Veremos o que isso significa, tanto para os actuais apoiantes do FN, como para os movimentos que se posicionam para além do partido.

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  3. Bom... eu receio uma FN mais islamófoba, fora isso Marine tem opiniões muito firmes sobre a política israelita que evitarão, para já, uma finização.

    Se bem que a única pedra que tenho a atirar a Fini é mesmo a das peregrinações e prostrações a Tel Aviv, o resto chama-se não viver nos anos 30 do Séc. XX e ser de Direita (logo, não-fascista, logo pós-sejaoquefor).

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  4. Quem te lê, Flávio, fica a pensar que os militantes do MSI organizavam paradas envergando uniformes. O que Fini fez foi esvaziar o partido de todo o seu lastro ideológico, descaracterizando-o totalmente, com vista a fazê-lo aceite para uma coligação governamental, o que se veio a concretizar.

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