sábado, 15 de janeiro de 2011

A máquina da fama

É sobre este mecanismo infernal que se debruça hoje o Eurico de Barros no "Diário de Notícias", a propósito do mediático crime nova-iorquino de que se tanto fala. Aconselha a "reflectirmos sobre esta obsessão da fama que atravessa a sociedade portuguesa, e que é atiçada muito especialmente pelas televisões", definindo bem o estado actual de coisas: "Com os seus programas de transformação eufórica e acelerada de completos anónimos em "ídolos", em vedetas, em "famosos", em top models ou outros top quaisquer, os seus reality shows de exposição constante, intensa e indecorosa de concorrentes tão inconscientes como desprotegidos, uns e outros feitos carne para canhão de uma batalha pelas audiências que assume proporções cada vez mais agressivas e chocantes, as televisões têm contribuído de forma maciça para a criação, disseminação e vulgarização desta perversa ideologia da fama, desta pindérica subcultura da celebridade, ajudadas pela proliferação da imprensa "cor-de-rosa". Esta fama é precária e está presa por fios, é tosca e efémera. Os que a atingem estão sujeitos a ser rapidamente esquecidos, ridicularizados e até mesmo execrados pelos que os promoveram, aclamaram e plebiscitaram. Porque a lógica da "máquina de famosos" é triturar depois de aclamar. Ou até mesmo muito antes disso, como se acaba de ver pelo crime de que toda a gente fala." Na mouche!

2 comentários:

  1. Este artigo do Eurico de Barros reflecte exactamente o que eu penso acerca desta questão. O que interessa não são os saca-rolhas ou o sítio onde as cinzas serão depositadas. O que deve ser discutido é o papel que a fama actualmente representa. Como se a vida fosse um objectivo de vida, pelo qual todos os sacrifícios se podem fazer. O Renato aprendeu da pior forma que não se pode fazer tudo pela fama.

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  2. Um exemplo paradigmático da vitória da imagem. Sinal dos tempos (modernos)...

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