quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mais do mesmo?

A abstenção venceu umas eleições presidenciais onde se confirmou a regra da recondução do recandidato. Cavaco Silva descansou tudo e todos. Poupou-nos uma segunda volta e poupou-se um provável susto. Os portugueses preferem a continuidade, garantem-nos. Só não sabemos para onde continuamos...

Manuel Alegre quase experimentou a sensação de Soares em 2006. Por outro lado, não só à direita, como também no PS, muitos se congratularam com o afundar deste tubo de ensaio para um futuro entendimento à (extrema) esquerda. Não despertarão agora estes amanhãs que riem.

Fernando Nobre, que surpreendeu com um resultado inesperado, parece agora uma versão revisitada do Alegre de 2006. Do alto dos seus votos, avisou já que vai “estar atento”. Esperam-se as mesmas ideias de um movimento, um novo partido, a participação da sociedade, etc. Na prática, tanta alegria terá igual fim triste.

O candidato comunista, mesmo com uma quebra significativa, confirmou que os seus correligionários mantêm a disciplina partidária no que toca ao voto. A cassete e a sua música continuam a provocar a mesma dança.

José Coelho mostrou que no circo eleitoral os portugueses não dispensam um palhaço. Com uma votação impressionante baseada num voto essencialmente de protesto, o candidato a quem chamaram “Tiririca da Madeira” ficou em segundo lugar na sua região e em primeiro no Funchal. Uma pedrinha no sapato de Jardim?

Por fim, como por vezes se faz justiça eleitoralmente, Defensor de Moura e a sua candidatura nonsense obtiveram um merecidíssimo último lugar.

Cada povo tem os heróis que merece. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

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