segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Outra casa
domingo, 30 de janeiro de 2011
Tomislav Sunic no Méridien Zéro
A edição de hoje do programa Méridien Zéro tem como convidado Tomislav Sunic, escritor, politólogo e diplomata croata. O tema centra-se no seu livro «Homo Americanus: Filho da era pós-moderna», dedicado às origens e dinâmicas dos mitos fundadores da América. Formado em Literatura inglesa e francesa e doutorado em ciência política, Sunic foi professor na Universidade da Califórnia entre 1988 e 1993, tendo depois servido como diplomata em diversas capitais europeias. O programa é emitido às 22 horas portuguesas, através da Radio Bandiera Nera.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
O talento não é desculpa (II)
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Mais do mesmo?
Manuel Alegre quase experimentou a sensação de Soares em 2006. Por outro lado, não só à direita, como também no PS, muitos se congratularam com o afundar deste tubo de ensaio para um futuro entendimento à (extrema) esquerda. Não despertarão agora estes amanhãs que riem.
Fernando Nobre, que surpreendeu com um resultado inesperado, parece agora uma versão revisitada do Alegre de 2006. Do alto dos seus votos, avisou já que vai “estar atento”. Esperam-se as mesmas ideias de um movimento, um novo partido, a participação da sociedade, etc. Na prática, tanta alegria terá igual fim triste.
O candidato comunista, mesmo com uma quebra significativa, confirmou que os seus correligionários mantêm a disciplina partidária no que toca ao voto. A cassete e a sua música continuam a provocar a mesma dança.
José Coelho mostrou que no circo eleitoral os portugueses não dispensam um palhaço. Com uma votação impressionante baseada num voto essencialmente de protesto, o candidato a quem chamaram “Tiririca da Madeira” ficou em segundo lugar na sua região e em primeiro no Funchal. Uma pedrinha no sapato de Jardim?
Por fim, como por vezes se faz justiça eleitoralmente, Defensor de Moura e a sua candidatura nonsense obtiveram um merecidíssimo último lugar.
Cada povo tem os heróis que merece. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]
Actualidade céliniana
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Oficialização do disparate
Perante tal atentado, perpetrado pelos próprios (des)governantes, resta-nos resistir. Nesta casa continuará a escrever-se português. Façam o mesmo. Há que fazer uma frente de blogs contra o (des)acordo ortográfico.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Alguém falou de qualidade literária?
O Miguel Vaz, outro céliniano como eu, lembrou ontem a censura feita pelo governo francês à celebração oficial do 50.º aniversário da morte de Louis-Ferdinand Céline, após pressões devido ao "anti-semitismo" do escritor francês. É isso mesmo, nada interessa a qualidade do que escreveu, a sua influência e o seu génio. A estes bem-pensantes de serviço, que estão ao mesmo nível que os que "gostam" da obra de Céline por o considerarem "anti-semita", ninguém tira os óculos de vistas curtas. Simplesmente não conseguem ver mais além, ver um grande mestre das letras que foi chegou muito mais longe do que qualquer um deles algum dia poderia sonhar.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Manoel de Oliveira em grande entrevista
Simplesmente imperdível é a grande entrevista conduzida por João Marcelino com o nosso mestre do cinema Manoel de Oliveira, hoje publicada no «DN». É de ler de fio a pavio, mas não resisto a deixar aqui algumas passagens.Sobre o progresso, é categórico: «O que é que nos dá o progresso? Uma coisa só: conforto. Só conforto. O homem da caverna tinha de matar o boi...» E também sobre a tecnologia: «Somos todos escravos da tecnologia».
Quando perguntado sobre os problemas que tinha tido com a PIDE, respondeu: «Não tive problemas com a PIDE. A PIDE é que teve problemas comigo! Fiz uma reunião, disse coisas que eram certas e, por serem certas, meteram-me na cadeia durante uns oito, dez dias. E depois viram que não tinham razão, não podiam, soltaram-me. Houve um movimento também favorável, mas não se pode dizer, a verdade verdadeira não se pode dizer porque é um risco.» Ao que o entrevistador reagiu, «"Era" um risco?», mas o realizador não se deixou ficar: «Era... não sei se ainda é. Sabe que esta história política é muito difícil, muito grave. Há uma desmobilização fortíssima, há uma perda de valores enorme! Hoje a aldrabice monta por aí com toda a força, e isso é triste.»
Sobre o cinema em Portugal diz que «está muito bem, muito obrigado! Há realizadores muitíssimo bons, e devia ser mais desenvolvido e exportado em força, o que dava entrada de dinheiro! Eu dizia, na proporção de um país pequeno, pobre e na situação em que está, que o nosso cinema merecia uma ajuda para que os filmes corressem mundo e fossem também uma entrada económica de resultados.»
Afirmando que «O "Nobel do Cinema" não são os Óscares», diz que a verdadeira originalidade está na personalidade do artista e remata com lucidez que é preciso «não confundir o retrato com o modelo; o modelo é uma coisa, o retrato é outra.»
Por fim, a humildade: «Não me sinto realizado! Estou a tentar realizar-me neste curto espaço que me resta.»
sábado, 22 de janeiro de 2011
Aleksandr Dugin no Méridien Zéro
Na emissão de hoje, o programa Méridien Zéro apresenta uma entrevista exclusiva com Aleksandr Dugin, ideólogo político russo, conhecido pelas sua defesa da "Eurásia". Como habitualmente, o programa é emitido às 22 horas portuguesas, através da Radio Bandiera Nera.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
O João está de parabéns
Cavaco
Vasco Pulido Valente
in «Público»
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Da tradução
A esse respeito, recordo-me sempre do que me ensinou uma velha professora de tradução. Dizia ela que há três coisas obrigatórias para fazer um bom trabalho: saber a língua para a qual se traduz, saber acerca do assunto sobre o qual se traduz e, finalmente, saber a língua da qual de traduz. Frisava ela que era essencial esta ordem de importâncias e que, infelizmente, poucas vezes era respeitada. Resultado final: disparate.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Viagem a outro mundo
O documentário português “Complexo – Universo Paralelo”, que está agora em cartaz, beneficia muito de toda essa publicidade. Muita da sua promoção e até o próprio ‘trailer’ põem a ênfase nos “bandidos” e na violência. Mas atenção, o filme está longe de ser um exercício de câmara oculta ou uma colecção de imagens explícitas de combate urbano. Reparei que na estreia muita gente esperava algo do género e saiu claramente desiludida. Esta verdadeira viagem a outro mundo, o “universo paralelo” anunciado no título, é antes um olhar para a vida dos habitantes do Complexo.
Os irmãos Mário e Pedro Patrocínio, respectivamente o realizador e o director de fotografia do filme, chegaram ao Complexo do Alemão em 2005 depois de um convite para fazer um teledisco do músico de ‘funk’ MC Playboy. Essa experiência levou-os a frequentar a favela e a realizar várias entrevistas com moradores que captassem as várias realidades e histórias locais. Desse conjunto escolheram quatro personagens representativas. Opróprio MC Playboy, “funkeiro” que é um símbolo cultural da comunidade, preocupado mais com a consciência social que com o crime. Seu Zé, uma espécie de ancião respeitado e influente, que preside à Associação de Moradores e é um conhecedor profundo desta favela que viu crescer. Dona Célia, uma mãe de oito filhos que sobrevive graças à sua “é em Deus”, como ela diz, mas também a uma capacidade de resistência incrível. Vende embalagens para reciclagem para evitar que a família passe fome, incluindo o marido alcoólico que passa a maior parte do dia deitado. Nota-se que é a personagem central, uma imagem paradigmática do ambiente familiar na favela e um exemplo de perseverança. Por fim, os traficantes, jovens que tapam a cara e mostram as suas espingardas automáticas, afirmando estar preparados para tudo, que é como quem diz, a guerra com a polícia.
Os militares por seu turno são filmados como parte da paisagem. Farda camuflada, capacete e arma em punho, normalmente nas esquinas, a controlar os movimentos. A fazer lembrar, por exemplo, soldados israelitas numa operação na Faixa de Gaza.
Um filme bem construído que sai da reportagem sobre troca de tiros, mas que também podia ter ido mais longe. Um olhar interessante sobre um sentimento de fronteira entre dois mundos: o das favelas e o lá de fora. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Ainda o requiem
Mas este poema havia sido musicado e cantado na RTP, quatro anos antes do 25 de Abril, como contou aqui o Mário Martins, numa bela recordação. Por (muitas) vezes a memória conforta-nos.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Requiem por Jan Palach

Arde o coração de Praga.
Arde o corpo de Jan Palach.
Podemos dizer que o Rei Venceslau,
montado em seu cavalo,
também viu crescer o fogo
em que arde o coração de Praga.
João Huss, queimando o seu corpo,
também arde na Praça de Praga.
E os cavaleiros da Boémia,
o povo e os grão-Senhores,
os operários de Pilsen,
os poetas e cantores da Eslovóquia,
todos ardem nessa tarde e nessa praça.
Queimamos a coragem e o heroísmo,
queimamos a nossa infinita resistência.
Não é verdade, Soldado Schweik?
Eles vieram das estepes e disseram:
É proibido morrer pela Pátria,
é proibido resistir à opressão,
é proibido combater a ocupação.
É proibido amar os campos verdes do seu país.
É proibido amar o verde da esperança.
É proibido amar a Esperança
Estás proibido, Jan Palach!
És proibido, Jan Palach!
Estás proibido de existir, Jan Palach!
Estás proibido de morrer!
Eles vieram das estepes a disseram
todas estas palavras.
Mas também é verdade que disse um dia o Rei Venceslau,
montado em seu cavalo:
«Esta nossa terra será livre,
e nela crescerão livres
as virgens, as mães e os filhos.
E nela crescerão livres as flores.»
E das flores virão rosas,
rosas brancas, para cobrir a campa
de Jan Palach.
Arde o Coração de Praga,
arde o corpo de Jan Palach,
arde o corpo do Futuro.
E já cresce a Primavera!
José Valle de Figueiredo
Evita e o peronismo
A emissão de hoje do programa Méridien Zéro é dedicada à Argentina, mais concretamente ao tema «Evita e o Peronismo», contando com a presença do jornalista e escritor francês Jean-Claude Rolinat e do ensaísta italiano Gabriele Adinolfi. Como habitualmente, o programa é emitido às 22 horas portuguesas, através da Radio Bandiera Nera.
sábado, 15 de janeiro de 2011
O pós-Le Pen
Está guardada para Janeiro de 2011 a decisão relativamente ao sucessor de Le Pen. Os militantes escolherão em congresso entre a filha do histórico presidente, Marine Le Pen, ou o eterno número dois, Bruno Gollnisch, debilitado pela saída de vários dos seus apoiantes de peso.
A confirmar-se a esperada eleição de Marine, começa já a especular-se o que será o futuro do partido. Esta mulher divorciada, com bons dotes de argumentação, mas que recusa as polémicas que isolaram o seu pai, é considerada mais “frequentável”. É por isso que muitos começam a aceitar como provável a hipótese de uma “finização” do FN. Quer isto dizer que pode acontecer em França uma alteração semelhante ao que aconteceu em Itália com Gianfranco Fini. Ao tornar um partido de extrema-direita mais “respeitável” e aceite, conseguir que este integre uma coligação governamental de direita.
Uma recente edição da revista francesa “Le Point”, que fez capa com a filha de Le Pen, perguntava se estávamos perante uma “normalização” do FN em curso. Isto porque, segundo uma sondagem, 36% dos simpatizantes da UMP se diziam favoráveis à participação de Marine num governo, ao passo que no FN essa percentagem atingia os 85%.
A moderação de Marine Le Pen, com a qual pretende atingir a desejada respeitabilidade, faz com que produza afirmações sobre o 25 de Abril como as publicadas no jornal “Expresso”. Na edição de 1 de Maio passado desse semanário, afirmou: “Na história política de Portugal, Mário Soares teve um papel fundamental, positivo, para o fim do regime, em 1974, e na luta contra o comunismo, a seguir”. Ou ainda: “Sou democrata e respeito a soberania popular: a revolução dos cravos respondeu ao desejo da maioria dos portugueses”.
Votar ou não votar?
Eis a questão... Vários cavaquistas estão preocupados que posições como a que aqui referi levem a uma segunda volta que dê a vitória a Alegre. Pior, temem que isso possa abrir caminho a um futuro governo de coligação à esquerda. Este foi o tema de uma conversa que tive há dias com um amigo meu conservador. Perante tais cenários, perguntei-lhe se ele esperava que à direita houvesse uma atitude análoga à do "sapo engolido" pelos comunistas para evitar a eleição de Freitas, ao que ele respondeu: Exacto! No entanto, como lhe disse, não é assim tão simples, porque tal reacção não se passa às direitas. Tal pode revelar falta de pragmatismo político, mas como costuma dizer-se a culpa não morre solteira...Do mandato de Cavaco Silva como presidente da República recordo dois assuntos, entre outros, que provocam tal recusa. O "nim", como lhe chamei na altura, ao casamento homossexual e, mais importante ainda, a nova lei da nacionalidade. Mesmo assim, estão dispostos a ir votar ao abrigo da desculpa do "mal menor"?
A máquina da fama
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Apologia da abstenção
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Varela e os livros
Esqueçamos as ideias dele (melhor dito, aquelas que lhe atribuem), porque o "crime" se baseia em editar e vender livros. Livros! Se isto, só por si, já é suficientemente escabroso, há a registar que o tribunal decidiu que os milhares de exemplares apreendidos devem ser destruídos! Como diz o Miguel Vaz, "de repente, «Fahrenheit 451» parece assustadoramente real"...
Em Espanha surgiu automaticamente um movimento de apoio que dá informações sobre o caso e sobre como ajudar através do blog Libertad Pedro Varela. Também em Portugal, o HNO disponibiliza postais de protesto a enviar ao Embaixador de Espanha no nosso país e ao presidente do Governo catalão.
Um caso para estudar e avaliar a liberdade de expressão nesta União (Soviética) Europeia.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Uma história de amor
No mês seguinte à instauração da república em Portugal, morria um dos grandes mestres das letras russo, Lev Tolstoi, autor de inúmeras obras, entre as quais “Guerra e Paz” ou “Anna Karenina”, mas também inspirador do movimento tolstoiano de cristãos anarquistas.É exactamente sobre os últimos tempos da vida de Tolstoi que trata “A Última Estação”, longa-metragem realizada por Michael Hoffman, que também escreveu o argumento a partir do romance homónimo de Jay Parini, publicado em 1990.
O filme debruça-se especialmente sobre a questão da cedência dos direitos de autor de Tolstoi ao domínio público, tal como queria Vladimir Chertkov (Paul Giamatti), amigo do escritor e fundador dos Tolstoianos. Tais intenções iam contra a vontade da mulher de Tolstoi, a condessa Sophia Tolstaya, interessada em garantir os rendimentos familiares e um estilo de vida aristocrático. Esta disputa vai pôr em causa a relação e o amor entre Tolstoi e a sua esposa e gerar inúmeros conflitos dentro da família e do movimento.
A meio deste turbilhão surge um novo elemento, Valentin Bulgakov (James McAvoy), recém-nomeado secretário de Tolstoi, seguidor dos seus ensinamentos e grande admirador da sua obra. Privando tanto com o escritor como com a sua mulher, a sua fidelidade acaba por ser dividida e tenta, dentro do possível, atenuar a tensão.
Apesar de tolstoiano, Bulgakov começa a interrogar-se sobre várias das posições do movimento e atitudes dos seus dirigentes, ao mesmo tempo que se apaixona por Masha (Kerry Condon), outra tolstoiana com dúvidas. Mas é o próprio Tolstoi que faz com que Bulgakov se questione, quando por exemplo lhe diz, depois de contar peripécias de juventude, “eu não sou lá um grande tolstoiano”.
Essa é talvez a parte mais interessante desta história, a reflexão sobre a concretização de um movimento e a vontade e posição da sua figura de referência. Até que ponto os seguidores o seguem realmente? Serão, como reza o ditado popular, mais papistas que o Papa?
Neste filme de época, com uma realização que cumpre, há a destacar as soberbas interpretações dos dois protagonistas Christopher Plummer, no papel de Tolstoi, e Helen Mirren, no papel de Sophia Tolstaya, que lhes valeram nomeações para os Óscares.
Por fim, para aqueles impacientes que saltam das cadeiras mal acaba a acção, chamo a atenção para não o fazerem. Durante o filme vemos que Tolstoi estava constantemente a ser filmado no seu dia-a-dia, o que gera uma curiosidade natural em ver as imagens originais. Acontece que essa curiosidade é satisfeita, pois várias dessas passagens acompanham os créditos finais. Uma oportunidade para comparar com o que acabámos de ver. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
Vídeo sobre o 1.º Seminário de História do Património e da Ciência
Um amigo chamou-me a atenção para este pequeno vídeo sobre o 1.º Seminário de História do Património e da Ciência, dedicado ao Prof. Mendes Corrêa, que decorreu na Universidade Lusófona, em Lisboa, e ao qual consegui assistir parcialmente.
Força e Honra
A emissão de hoje do programa Méridien Zéro tem como convidados os fundadores da editora Les Amis du Livre Européen, a propósito da publicação do primeiro livro, intitulado «Force & Honneur». Uma obra que, ao longo de 352 páginas, faz a retrospectiva de 30 batalhas que marcaram a França e a Europa, contando ainda com ilustrações de Dimitri (Guy Sajer). Como sempre, o programa é emitido às 22 horas portuguesas, através da Radio Bandiera Nera.
sábado, 8 de janeiro de 2011
O português que entrevistou Jünger
"Num país onde qualquer obscuro jogador de futebol que vai dar uns chutos para um clube romeno ou eslovaco, ou qualquer treinador manhoso que vai orientar a selecção do Turcomenistão ou do Suriname, é transformado em figura nacionalmente relevante e merecedora da mais enlevada atenção dos media, passam muitas vezes despercebidas as pessoas realmente excepcionais, que fizeram coisas únicas.
Uma delas foi Roberto de Moraes, jornalista, tradutor e especialista em história militar e da Europa, falecido em Lisboa, a 17 de Dezembro, aos 71 anos. Trabalhou em O Século, Vida Mundial e A Nação, bem como na RTP, tendo deixado colaboração espalhada por vários outros títulos nacionais e estrangeiros, e publicações militares.
Roberto de Moraes ficará para a história do jornalismo nacional, por ter sido o único português a ter entrevistado o escritor Ernst Jünger, por várias vezes, beneficiando da sua profunda ligação à cultura germânica e do seu conhecimento da literatura europeia,em especial a alemã, a francesa e a inglesa.
A primeira dessas longas entrevistas com o autor de Sobre as Falésias de Mármore e A Guerra como Experiência Interior, deu-se a 27 de Maio de 1973, na casa de Jünger em Wilflingen, na Suábia, e foi publicada, sob o título Ernst Jünger: O Mago da Floresta Negra, na Vida Mundial, em 1976, com destaque de capa.
É um documento único, que fez com que Roberto de Moraes seja o único português mencionado por aquele gigante das letras no seu diário. Na hora da sua morte, aqui fica a homenagem, a evocação e o orgulho de o ter conhecido e de lhe ter chamado amigo."
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Alain de Benoist no lançamento da Finis Mundi
Quem não foi ao lançamento da revista Finis Mundi e perdeu a exposição de Alain de Benoist pode agora assistir na internet ao vídeo que o Júlio Mendes Rodrigo teve a feliz ideia de fazer e disponibilizar. Obrigado!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
O Lanceiro recorda Roberto de Moraes
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Simplesmente mágico
Que belíssima surpresa é encontrar nas salas nacionais uma obra de animação cinematográfica europeia, mais concretamente franco-britânica, dirigida por um realizador talentoso como Sylvain Chomet, que nos maravilhou com “Belleville Rendez-vous” (2003). Se tudo isto não for suficiente, acrescente-se que este filme é baseado num argumento original de Jacques Tati e traz-nos uma história simples mas tocante.
Foi a filha de Tati, Sophie Tatischeff, que levou Chomet a este argumento que o seu pai escrevera com Henri Marquet em finais dos anos 50 do século passado. A história era demasiado pessoal e, supostamente, para ser representada por ela e por Tati. Contava-nos o fim de carreira de um ilusionista francês que, fazendo espectáculos em locais decadentes para sobreviver, acabava por ir para Praga, onde encontrava uma rapariga que acredita na sua magia e com quem desenvolve uma relação pai-filha, mudando a sua vida. Sophie acabou por achar que esta “carta de amor” do seu pai ficaria bem em versão animada e que Chomet era a pessoa certa para o fazer. Ela morreu antes de o realizador ter iniciado o projecto, mas os responsáveis pelo espólio de Tati mantiveram a autorização.
Há que referir uma controvérsia à volta das intenções originais, suscitada pela filha mais velha de Tati, Helga Marie-Jeanne Schiel, ainda viva, que afirmou que esta era uma tentativa de reconciliação do seu pai com ela. Chomet discorda e disse que nunca chegou a conhecer Sophie, mas que pensava que Tati o havia escrito para ela devido à culpa que sentia por estar afastado dela enquanto trabalhava.
Voltando a este “Mágico”, não é só nas semelhanças físicas do ilusionista do filme que vemos o próprio Tati. Este tem mesmo o seu nome completo: Tatischeff. No entanto, há mais nesta personagem do que a sua reprodução mimética.
Nesta versão, Chomet trocou a Checoslováquia do argumento original pela Escócia onde tem o seu estúdio, mas a visão poética e melancólica sobre a passagem do tempo nada perde com isso. Edimburgo proporciona até um duplo ‘cameo’, quando Tatischeff entra num cinema e vê projectado o filme de Tati “O Meu Tio” (1958). Esse cinema existe ainda hoje e chama-se Cameo.
A opção da animação tradicional, com um recurso mínimo ao digital, confere uma autenticidade ao filme que é profundamente sentida. Os escassos diálogos, as pequenas imperfeições das personagens, as magníficas paisagens, os pormenores, o movimento compassado, podem ser apreciados nesta obra que se desenrola tal e qual como o tempo da história que conta. Uma passagem do tempo intemporal. Para ver e rever. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]













