quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sobre rodas

Depois do surpreendente “Valhalla Rising - Destino de Sangue” (2009), Nicolas Winding Refn subiu consideravelmente a fasquia. A expectativa sobre este filme, rodado nos Estados Unidos da América, era elevada. Apesar de ter ganho o Prémio de Melhor Realização no Festival de Cinema de Cannes deste ano, “Drive - Duplo Risco” não nos conduz a nada verdadeiramente novo e o seu jogo de emulações não passa de uma colecção de revisitações de ambientes passados.

O início do filme é tão prometedor como enganador. Um homem de expressão fria conduz um carro clássico americano e, ouvindo-se o sonoro ruído do motor, temos a sensação do movimento e da adrenalina. Mas, para um filme que vai ser centrado na condução e passado num automóvel, acaba por ser inexplicável por que, depois, não se mantém o registo inicial.

O ‘driver’ (Ryan Gosling), personagem da qual nunca conhecemos o nome, é um condutor profissional de automóveis de Los Angeles, duplo para produções cinematográficas, e ainda trabalha numa oficina. Mas, durante a noite, aproveita as suas qualidades para conduzir assaltantes em assaltos criminosos. Para além da eficácia, há características neste condutor que saltam à vista – a frieza, a segurança e o silêncio, apenas interrompido com palavras bem medidas. Tudo isto lhe dá uma aura que, juntando-lhe o escorpião nas costas do blusão, faz lembrar um super-herói. Um dia a sua vida cruza-se com a da sua vizinha, Irene (Carey Mulligan), uma jovem mãe que se vê envolvida no submundo do crime, depois do regresso da prisão do marido, Standard (Oscar Isaac). Afinal, este ‘driver’ também tem sentimentos e descobrimos-lhe um lado humano e um implacável espírito vingativo.

Este é um filme que segue sobre rodas, mas por caminhos já conhecidos. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Chalet da Condessa d’Edla


Localizado na zona ocidental do Parque da Pena, em Sintra, o Chalet da Condessa d’Edla foi construído pelo Rei D. Fernando II e sua segunda mulher, Elise Hensler, segundo o modelo dos ‘chalets’ alpinos que se faziam então na Europa. Foi concebido como uma construção de recreio, de carácter privado. Após o golpe de 1910, passou para a tutela do Estado republicano e, com o passar dos anos, foi-se degradando e acabou condenado ao abandono até ser alvo de um incêndio de origem alegadamente criminosa, em 1999. Só em 2007, muito graças ao fundo EEA-Grants, se iniciou a sua recuperação.

Este belíssimo edifício romântico caracteriza-se pelo uso exaustivo da cortiça como elemento decorativo e pelo seu enquadramento com a paisagem envolvente, o Jardim da Condessa. Também a pintura mural das escadas e o estuque decorativo da sala das Heras são aspectos a destacar. Um extraordinário trabalho de restauro do património, ainda em curso, que é possível visitar, num agradável passeio. Uma viagem ao romantismo do século XIX.

Pare, escute e olhe!

É o título do artigo de Maria José Abranches, professora de Português e Francês, publicado hoje no jornal "Público", que conclui assim: "É o futuro da língua materna dos portugueses e de Portugal que está em perigo, entre nós e no mundo. Como queremos defender a nossa língua lá fora, se aceitamos maltratá-la e destruí-la no nosso próprio país, para servir interesses políticos e económicos que não são os nossos? Ainda estamos a tempo de salvar a nossa língua materna! Subscrevamos a Iniciativa Legislativa de Cidadãos (http://ilcao.cedilha.net/) para a Revogação da Resolução da Assembleia da República nº 35/2008!"

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Uma arma contra o Acordo Ortográfico

Aqui partilho a entrevista que fiz com João Pedro Graça, responsável pela Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (ILCAO), publicada no semanário “O Diabo” de 20 de Dezembro de 2011.

Todos os que se opõem ao Acordo Ortográfico (AO) podem agir. É este o propósito de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos com o objectivo de revogar o diploma legal que o aprovou. João Pedro Graça é o responsável por esta iniciativa. O DIABO, Jornal que recusa o Acordo, entrevistou-o.

O DIABO – O que é a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (ILCAO)?
João Pedro Graça – É um Projecto de Lei redigido e submetido a aprovação parlamentar por parte de um grupo de cidadãos, com o objectivo de revogar de imediato a Resolução da Assembleia da República que determina a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990.

O que é necessário para que seja admitida?
Para que a ILCAO seja admitida para discussão e votação pelo plenário da Assembleia da República é necessário que o texto legal e respectiva sustentação sejam subscritos, em papel e com a identificação civil e os dados de recenseamento eleitoral de cada subscritor, por um mínimo de 35 mil cidadãos.

Como surgiu a ILCAO?
Tudo começou no dia 25 de Setembro de 2008, num “post” em que se referia a possibilidade de avançar com uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra a entrada em vigor do Acordo Ortográfico. A ideia foi depois lançada através da internet, em 2009 e começou a registar um número imparável de adesões. Redigida e publicada a ILCAO, começaram a ser recolhidas assinaturas no dia 8 de Abril de 2010.

Quais são as razões principais para esta acção de cidadania pela revogação do Acordo Ortográfico?
São inúmeras, mas abreviemos. O AO nem é acordo, porque num acordo se pressupõe cedências de ambas as partes e neste houve apenas de uma, nem é ortográfico, pela simples razão de que nega e renega o próprio conceito de ortografia. Tratou-se de um “cozinhado” exclusivamente político, entre cúpulas partidárias nacionais, e isto apenas entre Portugal e Brasil. Acresce que nenhum dos fundamentos aduzidos para a sua defesa contém um mínimo de credibilidade, vindo pretensamente “resolver”… um problema que nunca existiu.

A partir de 2012, o Acordo Ortográfico (AO) vai ser adoptado na Administração Pública, nas Escolas, no Diário da República, etc. Acha que isso vai desmoralizar os que se batem contra o AO?
Não, porque há um período de transição, previsto no AO, até 2015. Mais: o instrumento legal que aprovou o AO, a Resolução da Assembleia da República n.°35/2008, não prevê um regime sancionatório. Estamos sempre a tempo de anular, revogar, modificar ou substituir esta resolução.

As pessoas podem continuar a escrever como escreviam?
Não estão previstas sanções ou penas. Não há, assim, consequências legais neste aspecto. No entanto, no que respeita ao regime disciplinar, é diferente. Num organismo do Estado, depois de adoptado o AO, quem continuar a escrever da mesma forma pode ser alvo um processo disciplinar.

Não podem ser objectores de consciência?
Aqui não está prevista a figura da objecção de consciência, mas as pessoas podem invocá-la constitucionalmente.

Tem notado alguma alteração no apoio à ILCAO?
Sim, agora que se aproxima o dia 31 de Dezembro. As pessoas começam a ficar preocupadas e mobilizam-se mais. Muitas delas achavam que isto era uma coisa que ainda ia demorar. Mas agora entra-lhes em casa, seja pela RTP ou em muitos manuais escolares. Muita gente teve esse choque e decidiu apoiar a nossa iniciativa.

Mas muitas acham que o AO está para ficar?
Está, se as pessoas deixarem. Assinem a ILCAO e revoguem a entrada em vigor do AO. Não vale a pena refilar e achar que não há nada a fazer. Foi exactamente devido a essa postura que o AO acabou por ser aprovado. É preciso actuar. Não há outra forma de parar isto.

Como podem fazê-lo?
Todas as informações estão na nossa página na intemet (http://ilcao.cedilha.net/). Vão até lá e leiam, assinem e divulguem.

Tem alguma previsão de quando será entregue a ILCAO?
Isto podia ser feito num mês, bastava que tivéssemos visibilidade num grande órgão de comunicação social, um canal de televisão, por exemplo. Assim, temos que esperar mais algum tempo até conseguirmos reunir as 35 mil assinaturas necessárias.

Acha que os ‘media’ têm silenciado a ILCAO?
Têm, e de que maneira! À excepção do “Público” e de “O Diabo”, mais nenhum órgão de comunicação social refere a ILC. Há uma tendência para silenciar a ILC. E fazem pior, dão relevo a tudo o que é favorável ao AO.

A ILCAO está ligada a algum grupo ou interesse político?
Não. Temos uma comissão representativa, que inclui pessoas de todo o espectro partidário. Da extrema-esquerda à extrema-direita. Também na nossa página na internet se pode ver que temos apoiantes em todos os partidos, incluindo os que votaram favoravelmente o AO. Não nos identificamos politicamente. O nosso único interesse é que a ILC vingue e não qualquer aproveitamento partidário. O que está em causa é a Língua de todos.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Pierre Gillieth no Méridien Zéro


Hoje, às 22 horas portuguesas, será emitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, que recebe Pierre Gillieth, para falar do seu mais recente livro "La France d'Alphonse Boudard".

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal

“Foi este um ano de açaimes e de açoites.
Mas não faz mal: não há nisso grande mal...
Recolho a mim e dou, enfim, as boas noites
ao Sol de mais um Dia de Natal...!
Rodrigo Emílio

O ano que agora se aproxima do fim não foi dos melhores. A crise económico-financeira trouxe as chamadas “medidas de contenção e austeridade” e com estas a desilusão da perpetuação da “terra da abundância”. Para cada vez mais famílias foi uma altura de desilusão, no sentido literal do termo. Muitos portugueses começam a tomar consciência do mundo ilusório que era a vida a crédito e a felicidade assente na posse de bens materiais, demasiadas vezes supérfluos.

Festa da memória, da família e da fé, o Natal é assim o tempo por excelência para repensar atitudes. Para recordar os valores – hoje adormecidos, esquecidos ou desprezados – nos quais deve assentar a sociedade. Para lembrar o que é realmente importante e recomeçar. Para partir em direcção ao futuro que nos cabe construir e que nos pertence. É um fim de ciclo que abre, sempre, a porta a outro.

Como escreveu Alain de Benoist: “nascimento de Cristo, (re)nascimento do Sol: o Natal é também a festa do que nunca morre, do que regressa sempre. E, nesse sentido, é a própria imagem da eternidade.”

Esta é uma altura de reflexão e de esperança. Feliz Natal a todos os leitores.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Director d’O DIABO assina a ILCAO

O Acordo Ortográfico (AO) é inútil, desnecessário e catastrófico. Já o escrevi antes e não me canso de o repetir. Mas o pior em todo este processo foi a passividade perante este atentado ao património comum que é a nossa Língua. Enquanto cidadão português, sinto-me na obrigação de o impedir a todo o custo. Enquanto director de um jornal nacional, sinto-me no dever de contribuir para que o “acordês” não se torne a nova grafia. Devemos recusar esta imposição sem sentido. Podemos recusá-la, recorrendo aos meios legais à nossa disposição.
Por estas razões, decidi assinar a louvável Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (ILCAO). Apelo a todos os leitores que façam o mesmo e que divulguem esta iniciativa meritória. Com o esforço de todos, é possível impedir a tragédia.

Duarte Branquinho

Texto publicado na edição d’O Diabo de 20 de Dezembro de 2011.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Separações

Este magnífico filme iraniano foi o grande e justo vencedor do último Festival de Berlim, conquistando os prémios para melhor filme, melhor actor e melhor actriz. Um excelente trabalho, de uma qualidade impressionante, que é sem dúvida um dos filmes do ano.

Como o título indica, esta história parte da separação de um casal. Simin (Leila Hatami) quer sair do Irão com a sua filha na esperança de uma vida melhor. Mas o seu marido, Nader (Peyman Moaadi), não concorda. Quer ficar no país para tratar do seu pai que sofre da doença de Alzheimer. Também a filha quer ficar com o pai, na esperança de uma reconciliação. Simin não sai do Irão, mas vai para casa dos pais. Nader vê-se forçado a contratar uma mulher para ficar em casa e cuidar do seu pai, que exige atenção permanente. Mas o que prometia correr mal, vai afinal correr ainda pior. Um intrincado jogo de mentiras, culpas, responsabilidades, fidelidades, emoções e mesmo de honestidade vai adensar-se, enquanto por duas horas vivemos, literalmente, na sociedade iraniana.

Vamos conhecer as divisões sociais e as respectivas barreiras, as diferentes formas de encarar a religião, os tribunais, as escolas, os hospitais e até os hábitos, a forma de conduzir. Mas, principalmente, vamos conhecer uma família e os seus laços, alguns quebrados, que podia muito bem ser a nossa, no nosso país. Para além de tudo isto, “Uma Separação” é ao mesmo tempo uma reflexão sobre a natureza humana.

É de realçar o soberbo desempenho dos actores, até dos mais novos. A realização, de câmara ao ombro, transporta-nos directamente para o local, onde sentimos na pele o ‘stress’ de toda esta história.

Um filme tão extraordinário como tocante. E, para acabar em grande, Asghar Farhadi oferece-nos o final perfeito. Imperdível. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Solstício de Inverno


"As grandes festas que ritmam o ciclo das estações existem para lembrar que o homem está ligado, pelo sangue e pelo solo, à via cósmica, à grande roda do Eterno Retorno."

Pierre Vial

domingo, 18 de dezembro de 2011

Guillaume Faye no Méridien Zéro


Hoje, às 22 horas portuguesas, será emitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, que recebe Guillaume Faye, para falar do seu mais recente livro "Sexe et devoiment".

sábado, 17 de dezembro de 2011

Roberto de Moraes (1939 – 2010). In memoriam.



Ernst Jünger e Roberto de Moraes

Passou um ano desde que o meu Amigo Roberto de Moraes deixou o mundo dos vivos. Fica a saudade e a eterna memória. Em sua homenagem, reproduzo aqui o artigo que então publiquei no semanário «O Diabo».

 “Tive sempre o sentimento de não estar conforme com a ordem estabelecida – Quer seja politicamente definida pela monarquia, pelas repúblicas ou pela ditadura, quer sirva economicamente de pasto ao “homo faber” e aos seus satélites, quer esteja teologicamente desmitizada pelas raposas da inteligência. Por isso precisei de nadar contra uma corrente cada vez mais forte (…) em plena “terra de ninguém” (…) muitas vezes com a pergunta de Molière, sete vezes repetida: “Que diabo estou eu a fazer nesta galera?” De ano para ano tenho suportado, também, o sofrimento que Hölderlin atribui a Hyperionte: o sentimento de ser estrangeiro na própria pátria.”
Ernst Jünger

Este curto texto que o escritor alemão escreveu por ocasião dos seus 80 anos, citado pelo Roberto de Moraes num excelente artigo que sobre ele escreveu na sequência da primeira entrevista que lhe fez, pode dar pistas para tentarmos perceber um pouco da quase impenetrável personalidade deste historiador e jornalista, mas principalmente estimado Amigo, que recentemente deixou o mundo dos vivos.
A sua pátria – a sua grande pátria –, tal como a minha, era a Europa. Dela conhecia a fundo a História, a Geografia, as gentes, línguas e tradições, a sua cultura nos mais variados aspectos. Mas, indo – como sempre – para além de todo este saber, sentia, principalmente, como do turbilhão da sua diversidade poderia nascer uma força invencível capaz do Sonho.

Encontro
Foi exactamente a Europa que nos aproximou, já lá vai uma década. Após uma intervenção polémica que fiz num congresso, que suscitou amores e ódios, o Roberto de Moraes veio saudar-me e convidar-me para a sua tertúlia semanal. Agradeci educadamente, com algum orgulho, mas sem no entanto imaginar o que aquele gesto realmente significara.
Não era pessoa de cumprimentos fáceis, muito menos de tiradas de ocasião para agradar a quem fosse. Esta característica, que tantos lhe apontaram como maior defeito e gerou inimizades, tinha outro lado – conferia um valor muito mais elevado à sua aprovação.
Desde logo, sempre com o seu estilo directo e frieza militar, começou a trocar comigo impressões sobre inúmeros assuntos. Era uma verdadeira aprendizagem. Só muito mais tarde me apercebi do significado profundo e da força que tinham certas expressões que proferia ao ler textos meus. “Muito bem, é isso mesmo” ou “está escrito em português de lei”, eram verdadeiras classificações de 20 valores no seu sistema avaro. Por outro lado, a discordância era tão implacável como desagradável.

O jantar do Moraes
A sua tertúlia semanal, mais conhecida por “jantar das quartas”, tornou-se para mim obrigatória. Não preciso de agenda para me lembrar que é dia de jantar com amigos. A meio da semana atravesso a cidade rumo a esta tertúlia, que já passou por vários sítios da capital, e onde se cruzam gerações e opiniões, numa discussão de ideias que rompe noite adentro. Este encontro regular chegou mesmo a dar origem a um blog colectivo que durou quatro anos.
O jantar continua, claro, e o nosso Amigo nunca deixará de estar para nós presente. Lembro-me de um caso que o Miguel Freitas da Costa contou numa das tertúlias. O de um clube onde os mortos não deixavam de ser sócios, apenas estavam dispensados de aparecer.

Jünger
Seria impossível – para não dizer desonesto – falar do Moraes sem referir o grande mestre das letras germânico do século XX, já que foi o único jornalista português a entrevistá-lo, por várias vezes. Para além da correspondência mantida, traduziu ainda partes da sua obra e fez a revisão de várias traduções, contribuindo para a divulgação da obra e pensamento do escritor alemão no nosso país.
Roberto de Moraes deslocou-se a Wilflingen por três vezes para visitar Ernst Jünger e manteve com o escritor uma troca de correspondência esporádica. A primeira visita foi em 1973 e deu origem a um artigo publicado na revista “Vida Mundial” n.º 1897, de 22/7/1976, intitulado “Ernst Jünger: O Mago da Floresta Negra”. A entrevista feita na segunda visita, em 1978, seria publicada na revista francesa “Nouvelle École” n.º 33 (Verão de 1979) subordinado ao tema “L’idée nominaliste”, com o título “Rencontre avec Jünger. Un témoignage”, e que foi registada pelo próprio Jünger no seu diário, onde também recorda a visita do jornalista português. A última visita foi no dia 24 de Fevereiro de 1984, tinha Jünger 89 anos de idade, na qual foi tirada a fotografia inédita que se publica.

Obrigado
Um dia descreveu-me como “sólido camarada e jovem colega de História, disciplina que o não tolhe, antes lhe areja o espírito e lhe estrutura o sentido de humor”. Pois eu, na falta de palavras, recorro a um sentido e sincero obrigado, expressão que, juntamente com o “por favor”, era proibida numa instituição de camaradagem que ambos bem conhecíamos. E foi com grande prazer egoísta que soube que uma das últimas coisas que leu foi um texto meu, publicado aqui, no nosso “O Diabo”. Até qualquer dia...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A cimeira (in)decisiva

Os ventos não correm de feição para esta construção europeia. Perante o descalabro da Moeda Única e, consequentemente, da União Europeia, os autoproclamados líderes deram a pior resposta possível. A única coisa que foram capazes de assegurar foi a incerteza. O sonho vendido no pós-guerra afinal não passa disso mesmo, uma ilusão. Pior, arrisca a tornar-se, a breve prazo, num longo pesadelo.

Assim se defraudaram milhões de europeus, dentro e fora da União Europeia, que acreditaram – alguns ainda acreditam e anseiam por entrar para o clube – na “terra prometida” de Delors e quejandos.

Como sempre, acenam-se as bandeiras alarmistas dos “perigos” dos nacionalismos, entre outros discursos estafados. Mas haja coragem para apontar o dedo aos senhores do directório económico e aos seus “bons alunos”, que nos conduziram ao que chegámos. Aqueles que tentam agora “resolver” a situação como se ainda vivêssemos no tempo das “vacas gordas”, numa lentidão burocrática e patética.

A tragédia faz parte do espírito da Europa. O fim trágico da União Europeia é só mais um episódio na nossa longa História. Sem líderes dignos desse nome e sem destino, o futuro não podia ser risonho.

Esta montanha europeia pariu um rato.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

O mau jornalismo habitual (IX)

Desta vez, coube a Rui Crull Tabosa detectar "o mau jornalismo habitual", a propósito de dois crimes ocorridos esta semana, um em Florença e outro em Liège, num excelente post intitulado "Duplicidades", publicado no Corta-Fitas, que conclui assim: "Uma dualidade de critérios absolutamente inaceitável e que evidencia bem os complexos esquerdoides e o anti-profissionalismo dos autores de tais intoxicações desinformativas".

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Provocações

“Melancolia” ficou marcado desde o início pelas polémicas declarações de Lars von Trier numa conferência de imprensa em Cannes, este ano, aquando da estreia do filme. O realizador dinamarquês declarou que compreendia Hitler e admirava o trabalho do arquitecto Albert Speer, acabando por dizer, ironicamente, que era “nazi”. Desta vez, o conhecido provocador não foi perdoado. O Festival de Cannes declarou-o como ‘persona non grata’.

A abertura do filme é fabulosa, quando vemos cenas que envolvem as personagens principais em câmara extremamente lenta, antecipando o final, tudo ao som de Wagner. Maravilhoso. Seguem-se dois capítulos, baptizados a partir das duas irmãs através das quais vamos ter duas diferentes reacções ao anunciado fim do mundo.

Justine (Kirsten Dunst) é uma bela mulher que aparenta estar bastante feliz. É o dia do seu casamento com Michael (Alexander Skarsgård) e a dispendiosa festa é na luxuosa mansão onde vivem a sua irmã e o seu cunhado. Cedo se percebe que, por detrás deste aparente conto de fadas, algo está errado. Descobrimos uma família disfuncional e uma Justine estranha e depressiva. Na segunda parte, centrada em Claire (Charlotte Gainsbourg) vemos então o tema do planeta Melancolia que está em rota de colisão com a Terra. Mais do que o fim do mundo, o que está aqui em causa é o fim da vida. E como lida uma pessoa, ou uma família, com isso?

Nota para o desempenho extraordinário de Kirsten Dunst, que ganhou justamente o prémio de Melhor Actriz no Festival de Cannes. Com um elenco de luxo, um realizador excepcional – que ainda assim nos oferece momentos inesquecíveis – e um cenário maravilhoso, é pena que se tenha caído em banalidades e revisitações. Aqui, parece que o “fim do mundo” foi afinal uma provocação intolerável… [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Elites?

Pedro Lomba escreve na sua crónica de hohe no "Público" sobre a "elites" que hoje temos, tomando como exemplo a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves. Há uma passagem que diz tudo e que, por isso, vale mesmo a pena partilhar: «Achar-se que uma folha A4 chegava para “mudar a Europa toda” mostra bem a inépcia e a falta de cultura política das nossas elites. E, no entanto, a frase já convenceu um dos “mestres” da dra. Assunção, o notável professor Freitas do Amaral que, em entrevista recente à Visão, afirmou sto: “Como dizia a presidente da AR, Assunção Esteves, os problemas da Europa podem resolver-se numa folha de A4. Vinham os líderes dos países europeus, reuniam-se num fi m-desemana, num sítio tranquilo como o Hotel do Mar, em Sesimbra, e resolviam o problema.” Reparem que para o professor Freitas, um político que desde o Estado Novo tem andado sempre para onde sopra o vento e para quem Sócrates é agora um réu político — depois de lhe ter sido conveniente servi-lo durante anos —, uma simples folha A4 não chegava. Mostrando os seus gostos hoteleiros, sugere o Hotel do Mar em Sesimbra, e um fim-de-semana tranquilo, para resolver os litígios da Europa. Espantoso. Mas não se surpreendam. Estamos a falar do mesmo professor Freitas que, há uns anos, propôs acabar o confl ito Israel-Palestina com um jogo de futebol.»

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Gallimard


No suplemento "A(c)tual" da última edição do semanário "Expresso", Pedro Mexia (que felizmente não aderiu ao "acordês", ao contrário do jornal) escreveu uma interessante crónica sobre Gaston Gallimard (o editor) e, consequentemente, sobre a Gallimard (a editora). Há uma passagem, sobre o período "maldito", que não resisto a partilhar: "Apolítico, Gaston editava tanto "Léon Blum como Léon Daudet", chefes de fila de famílias ideológicas incompatíveis. E nunca se inquietou com isso. Mas a guerra e a ocupação exigiam posições menos ambíguas. Porém, Gaston tentou portar-se como se tudo continuasse na igual. É verdade que aceitou, como tantos editores franceses, uma série de restrições censórias, que editou alemães olímpicos como Goethe e Jünger, que entregou a "Revue" ao brilhante escritor fascista Drieu La Rochelle. Mas essa 'coabitação' não significava 'colaboração'. Gaston argumentou que mais valia aceitar o desagradável imprimatur do ocupante do que extinguir a produção livreira francesa. Atacado e perseguido depois de 45, Gallimard contava com demasiados autores em demasiados cargos importantes, e em todas as áreas políticas. Os inimigos chamavam a essa clique os "gallimardeux". E foi graças aos "gallimardeux"que Gaston escapou a sanções e represálias, ao contrário de colegas de profissão como Grasset (suspenso) ou Denoël (assassinado)."

domingo, 11 de dezembro de 2011

Barrar as barragens!


Pacheco Pereira alertou ontem, no "Público", para um problema que, infelizmente, parece passar ao lado de tantos portugueses - a barragem que destruirá o vale do Tua. Nesse excelente artigo, acertadamente intitulado "Estragar o pouco que resta", conclui: "combater a barragem que destruirá o vale do Tua transformou-se numa luta de último recurso, uma última oportunidade para termos outra paisagem que não seja eucaliptal, albufeiras artificiais, praias sobrelotadas, montanhas esventradas por pedreiras, na maioria dos casos ilegais, mas a trabalhar diante dos olhos de todos há décadas, num Portugal já demasiado estragado." Há que barrar as barragens!

Guerra mediática (II)


A guerra mediática, como afirmei já aqui, é sempre usada quando é necessário diabolizar os inimigos e adversários, nomeadamente dos EUA. Agora, o incómodo é Putin e a Rússia que não cede a certos interesses. Assim, desta vez, para ilustrar os protestos populares e “violentos” dos que, em Moscovo, se opõem aos vencedores das eleições, a Fox News mostrou imagens dos confrontos em Atenas e a CNN cenas de violência devido a um jogo de futebol. A CNN pediu desculpa, a Fox News não. Tudo bem explicado pela RT, na peça acima.

Orwell: O socialismo contra a modernidade?


Hoje, às 22 horas portuguesas, será emitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, que tem como tema "George Orwell: O socialismo contra a modernidade?".

sábado, 10 de dezembro de 2011

Na morte de um Amigo


Tive a triste notícia da morte de mais um Amigo. O José Manuel dos Santos Costa deixou-nos. Recordo com saudade a última conversa que tivemos, sobre o "Lanceiro", claro, a revista que dirigia e cujo futuro o preocupava. Era assim, até ao fim um combatente - no verdadeiro sentido do termo - fiel ao dever e à Pátria. Um Homem como conheci poucos e do qual me honro de ter sido Amigo. Como se diz na gíria militar, agora "deixou de fumar". Não será esquecido.

História e ignorância

“A História é vida – tal o axioma inicial a propor. E não apenas a vida dos outros – de outros tempos, de outros seres – mas a nossa vida, antes de nós.”
João Ameal


Tenho um colega de curso, hoje professor universitário, que tem por hábito dizer que “é ‘de História’ por deformação”. A afirmação irónica surgiu de novo quando me confessava o seu desespero em encontrar cada vez mais “analfabetos funcionais” a frequentar o ensino superior. Alunos que demonstram uma total ignorância em assuntos básicos, que qualquer português com a antiga 4.ª classe saberia na ponta da língua. Pior, consideram que saber “essas coisas” não tem qualquer interesse prático para a vida. Estes sim, são os verdadeiros deformados.

Não se trata aqui de defender a memorização pela memorização. Essa tem o seu papel importante e o seu tempo. Trata-se de assegurar um conhecimento, uma consciência da identidade de uma Nação. O desconhecimento do passado condiciona necessariamente o futuro e compromete o nosso destino. Quando hoje em dia tanto se fala “alargar horizontes”, nada mais os fecha que a ignorância.

Como afirmou o nosso Rei Esperançoso, D. Pedro V: “Estou certo de que nada produz mais o barbarismo do que a ignorância, e nenhuma mais que a da história, porque a história mostra o que são os homens, mostra o que eles foram, e é a experiência dos séculos; e acrescentarei nenhuma ignorância de história é mais prejudicial do que a da história da civilização”.

A nossa História somos nós. A ignorância da História transforma-nos numa massa indiferenciada.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Anti-Lars von Trier


O título diz tudo: “Von Trier, do nazismo a Utoya”. É de um artigo de opinião publicado no “Ípsilon” de ontem e o autor deste manifesto contra o realizador dinamarquês é Augusto M. Seabra. Diz que “há em Von Trier um profundo e incomodativo desprezo pela condição humana, misantropia a que acresce a misoginia perante as personagens femininas, objectos de sofrimento e expiação”. Mas, claro, vê neste realizador “nazismo” e não só pelas polémicas (apesar de irónicas) afirmações em Cannes. Vai às raízes, nomeadamente da admiração de Von Trier pelos “cultores do romantismo, como Wagner e Visconti”. Diz ainda que “as inclinações pela estética nazi já não são novidade – é ver um filme como “Europa”, já não tão ambíguo no tocante a isso”. Mas, como não podia deixar de ser, este “nazismo” tinha que descambar no massacre de Utoya. Lembra como Breivik disse que o filme “Dogville” (que Seabra considera “o mais repugnante filme que vi em anos”. Uma afirmação que dispensa comentários...) inspirou o massacre na ilha norueguesa e nem o facto de Von Trier ter ficado consternado o demove dos seus intentos.

Mas não é apenas Von Trier o visado neste ataque. Também aqueles que louvaram o seu último filme (que para mim fica muito aquém de trabalhos anteriores) e diz-se “chocado” (!) com a distribuidora portuguesa por ter organizado o ciclo “Persona Grata”, depois do sucedido em Cannes. Para cúmulo, juntando ao anterior a campanha promocional de “Melancolia”, pede: “um pouco mais de decência, Senhor Paulo Branco!

Acho que, perante este chorrilho de ofensas disfarçadas de críticas a Lars von Trier, aos apreciadores do seu trabalho (onde me incluo) e ao seu distribuidor nacional, a única resposta é a que o próprio realizador dinamarquês daria... e está tatuada nos seus dedos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fama e celebridade

Fama e celebridade estão hoje presentes em todo o lado. Podemos dizer que se tornaram a obsessão deste século. Para além do universo das revistas cor-de-rosa e de toda a explosão mediática a que hoje assistimos, eis uma obra séria, feita por académicos, mas acessível ao público em geral. Um olhar atento sobre um fenómeno que marca profundamente a sociedade actual.



“A Vida Como Um Filme: Fama e Celebridade No Século XXI” (brochado, 260 páginas, 11,99 euros), analisa o mundo das celebridades, vedetas e famosos nos mais variados campos. Da política à filosofia, passando pela televisão ou a imprensa tablóide e até pela música e o desporto. Com coordenação de Eduardo Cintra Torres, docente e investigador na Universidade Católica e crítico de televisão e ‘media’, e José Pedro Zúquete, politólogo e investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, este livro junta uma dúzia de autores, provenientes de cinco países.

No primeiro capítulo, José Pedro Zúquete parte “Em busca do carisma perdido”, debruçando-se sobre a evolução e importância deste conceito, num excelente texto que o leva até Francisco Sá Carneiro, que considera “um herói português”, ilustrado com um ‘cartoon’ de Augusto Cid, publicado n’O Diabo, que termina com uma mensagem de esperança. Eduardo Cintra Torres analisa a televisão como o meio em que a celebridade está em “estado natural”, tocando em assuntos como a concorrência com a política ou a confusão do real e do fictício nos chamados ‘reality shows’. Podem ler-se ainda reflexões bastante interessantes sobre as celebridades e os jovens em Portugal, o dilema do fã e a experiência emocional da idolatria, bem como uma perspectiva filosófica sobre a fama e o tempo.

Sobre as realidades estrangeiras, há um capítulo sobre a “peopolização” política em França, um sobre a cultura da celebridade americana, outro sobre a celebridade na cultura dos tablóides populares britânicos, e ainda um sobre a revista “Caras” brasileira e a exposição da vida quotidiana dos famosos. Há, também, análises de casos concretos, como o do treinador de futebol José Mourinho ou o do músico norte-americano Bruce Springsteen.

Por fim, uma referência editorial. Por vontade dos autores, o livro respeita a ortografia anterior ao novo Acordo Ortográfico, mantendo a grafia original brasileira nos textos de autores brasileiros. Um belo exemplo de lusofonia – a seguir –, onde todos se entendem, sem necessidade de abastardar graficamente a nossa língua.

Um livro oportuno, bem estruturado e sustentado, que nos ajuda a compreender melhor o filme da vida moderna onde, como nos diz a Introdução, “muitos de nós, com mais ou menos intensidade, nos tornámos espectadores e actores”. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Méridien Zéro na Table Ronde


O Méridien Zéro decidiu gravar uma pequena emissão em directo da XVI Table Ronde da Terre et Peuple, com pequenas entrevistas a vários dos presentes. Uma óptima iniciativa.

Seca de morte

“Inquietos” é o relato de um fim de vida fora do comum e com protagonistas inesperados, mas nem por isso é um filme surpreendente. É antes uma experiência entediante num registo que se pode considerar pueril.

Enoch (Henry Hopper) é jovem estranho e distante que tem o hábito singular de ir a cerimónias fúnebres de pessoas que não conhece. Numa dessas intromissões no sofrimento alheio encontra Annabel (Mia Wasikowska), uma rapariga que tem cancro e a quem os médicos deram apenas três meses de vida.

Juntos começam a partilhar momentos íntimos e experiências divertidas que culminam num puro amor juvenil, apesar da condicionante terminal dela. Annabel considera-se uma “naturalista”, admiradora de Darwin e interessada em insectos e aves. Enoch tem uma fixação quase obsessiva pela morte e, mais bizarro ainda, um amigo “fantasma”. Hiroshi (Ryo Kase) é o espírito de um piloto ‘kamikaze’ japonês que só ele consegue ver e com quem discute a sua vida e joga batalha naval.

Podia ser o início de uma reflexão sobre como os adolescentes enfrentam o fim da vida antecipado, lidam com a perda e o respeito pelos mortos. No entanto, nesta história prefere-se o simples e previsível. O único momento em que parece que o tema vai ser tratado com profundidade resume-se à altura em que Enoch, durante uma discussão com Annabel, fala sobre a morte e afirma que “já lá esteve” e que “não há nada”. “Nada” parece ser a palavra apropriada para descrever o conteúdo desta obra. O aborrecimento é, assim, inevitável. Não se encontra aqui nada que deixe os espectadores verdadeiramente inquietos.

A realização também não ajuda, à excepção de alguns planos bem conseguidos. Para piorar a coisa, a banda sonora é por vezes desajustada, senão mesmo injustificável. Um filme para quem sofre de insónias... [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Camões e o (des)Acordo Ortográfico

Excelente artigo de Vasco Graça Moura, publicado no "DN" de hoje, sobre o recém-publicado "Dicionário de Luís de Camões", no qual a editora decidiu adoptar o Acordo Ortográfico para chegar ao mercado brasileiro, concluindo que "a almejada uniformização com vista ao mercado de além Atlântico só vai servir para nos cobrir de ridículo naquelas paragens... Nem Camões, nem Aguiar e Silva, nem os seus colaboradores mereciam uma coisa dessas". Por coincidência, Graça Moura leu o livro no 1.º de Dezembro, "neste país que esqueceu a sua história e vem assassinando alegremente a sua língua, mas protesta por lhe quererem tirar alguns feriados". Assim se vai, infelizmente, destruindo a nossa língua, perante a cumplicidade e passividade de tantos.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Povos da Europa revoltem-se!


Hoje, às 22 horas portuguesas, será emitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, que tem como convidados os representantes da OSRE e da revista "Rébellion".

XVI Table Ronde


A XVI edição da Table Ronde, o maior encontro identitário paneuropeu, realiza-se hoje e noutra localização, contando com as intervenções de Pierre Vial, Emmanuel Ratier, Anne Kling, Eugène Krampon, Éric Delcroix e Robert Spieler. Com o tema "Lobbies e grupos de pressão em França", estava inicialmente prevista para dia 13 de Novembro no local habitual, mas depois de o dono do local ter sido pressionado exactamente por um lobby o evento teve que ser adiado.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Mutação

Este não é o Cronenberg a que estamos habituados, mas também não é teatro filmado, como alguns quiseram ver. É um filme bem colocado no seu tempo, com o ritmo certo e os cenários exactos. As personagens obedecem aos padrões da época, bem aprumadas e com os comportamentos correctos. Mas começa a notar-se o fervilhar da mudança. Quase como se alguns sentissem já a tormenta que se iria abater sobre a Europa. Estávamos no início do século passado.

Nesta altura dá-se o nascimento da psicanálise e esta é uma história que nos leva aos seus dois maiores nomes – Jung e Freud. O primeiro é um discípulo do segundo, mas com o qual vai entrar em discordância, o que vai levar, finalmente, a um corte de relações.

Uma questão fundamental nesta oposição é a forma como Sigmund Freud (Viggo Mortensen) centra toda a sua análise na sexualidade. Mas, ironicamente, é exactamente a sexualidade que acaba por alterar a vida de Carl Jung (Michael Fassbender). Por influência do psicanalista Otto Gross (Vincent Cassel), paciente de Freud, Jung começa a questionar a monogamia e acaba por envolver-se com uma paciente sua. Sabina Spielrein (Keira Knightley) é uma jovem judia russa, inicialmente bastante perturbada, a quem Jung aplica o seu método. Ela interessa-se também pela área e, já melhor, inicia os seus estudos em medicina e auxilia o seu médico no seu trabalho. O envolvimento sexual entre ambos não é um simples caso amoroso, implicando práticas ligadas ao trauma de Sabina.

Num filme onde está presente a discussão sobre a destruição e a criação, é interessante observar os vários elementos que anunciavam já a catástrofe. As questões sexuais, religiosas, sociais e raciais, nomeadamente em relação aos judeus. Viagem a um mundo à beira de uma alteração profunda – de uma mutação. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Independência

Só existem Nações, não existe Humanidade.
Fernando Pessoa

Em vésperas de mais um 1.º de Dezembro, data da restauração da independência, quando um movimento de génese popular decidiu tomar em mãos o destino da Pátria, libertando-nos do jugo de Castela e permitindo a reafirmação de Portugal como uma das grandes potências europeias, vê-se como infelizmente poucos hoje o recordam e, mais importante, o que representa.

Não é um simples caso de ignorância, é o culminar de um processo de estupidificação generalizada com o objectivo de desenraizar e descaracterizar os povos para uma homogeneização global. A isso se chama mundialização.

No nosso caso, com a perda do Império ultramarino, tentou-se reencontrar a pátria na Europa. Mas acontece que nos venderam uma “Europa” de construção puramente económica à qual nos vendemos. A troco de quê? Não de nos tornarmos “europeus”, algo que somos desde tempos imemoriais. Pior, as bugigangas foram a ilusão do progresso a crédito.

Assim se perdeu a independência política e económica, para um directório sedeado em Bruxelas. O que se seguiu foi a submissão total a interesses financeiros apátridas.

Em todo este tempo fomos destruindo a nossa Língua, os nossos valores, costumes e tradições, fomos esquecendo a nossa História, a ligação à nossa terra e as nossas origens. Estes são os pilares da verdadeira independência, que hoje em dia se vão corroendo. Até quando?

A independência é a tomada de consciência de um povo no seu destino comum e na necessidade da sua perenidade. Tenhamos esperança que, como em 1640, essa consciência desperte.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

domingo, 27 de novembro de 2011

Pierre Vial no Méridien Zéro


Hoje, às 22 horas portuguesas, será emitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, que tem como convidado Pierre Vial, presidente da associação Terre et Peuple.

sábado, 26 de novembro de 2011

Ride of the Valkyries



We use Wagner. It scares the shit out of the slopes. My boys love it!

Lieutenant Colonel Bill Kilgore

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Corrigível

Uma das maiores trapalhadas que o famigerado Acordo Ortográfico produziu foi a confusão no ensino. A este propósito  leia-se o artigo de Francisco Miguel Valada, na edição de ontem do jornal «Público», intitulado "A anunciada revisão do Acordo Ortográfico", no qual recorda uma entrevista com o actual secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, na qual admitiu que o Acordo "é corrigível". Se bem que, para mim, a única "correcção" possível é a revogação de tamanho disparate.

Contra-relógio

Num regresso à ficção científica, depois de “Gattaca” (1997), Andrew Niccol escreveu, dirigiu e produziu “Sem Tempo”, um filme que nos leva a um futuro próximo onde as pessoas param de envelhecer aos 25 anos, idade a partir da qual estão programadas para viver apenas mais um ano e a trabalhar para ganhar mais tempo de vida.

Neste mundo, que tem um curioso cenário de anos 50 futuristas, o tempo é literalmente dinheiro. Tudo se compra com tempo, com um simples movimento de antebraço, onde está um relógio que assinala o que resta a cada um. Obviamente que os ricos podem ser imortais e os pobres vivem contando os minutos que lhes faltam. Estas diferenças sociais provocam separações entre as chamadas “zonas temporais”, nas quais é necessário pagar avultadas portagens até chegar à melhor.

Um jovem chamado Will Salas (Justin Timberlake), que vive numa das piores zonas, recebe certa noite um século de um rico que deseja morrer. Esta fortuna vai torná-lo um alvo tanto para ladrões como polícias. Depois da morte da sua mãe, Will decide fugir para a zona mais rica, onde encontra Sylvia Weis (Amanda Seyfried), a filha de um dos grandes multimilionários do tempo.

Juntos começam uma revolta contra o sistema que questionam, no qual muitos têm que morrer para que uns poucos vivam para sempre. Tornam-se uma espécie de Bonnie e Clyde, enquanto assaltantes apaixonados, mas com um lado Robin dos Bosques, já que roubam para distribuir pelos menos afortunados.

Nas representações, há a lamentar a escolha de Justin Timberlake, cujo desempenho deixa bastante a desejar. Amanda Seyfried e Cillian Murphy, no papel de polícia, cumprem sem deslumbrar. O resto do elenco é meramente decorativo.

Um filme que é interessante pelo tema, mas que se torna uma corrida contra o tempo. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Cassiano Branco


Sai hoje, com o jornal «Público», mais um número da colecção "Arquitectos Portugueses", desta vez dedicado a Cassiano Branco. Da autoria de José Bartolo, este livro de divulgação dá-nos a conhecer um dos grandes nomes da arquitectura no nosso país. Pena que tenham escolhido para a capa uma imagem (talvez demonstrativa daquilo a que chegámos) do Éden Teatro "recuperado". Um abastardamento que passou por pôr palmeiras no interior. Algo a fazer lembrar o "Mundo Perdido"... Só falta um pterodáctilo a voar! Enfim, apesar disso, um livro a comprar.

Despertar


Hoje o dia começou bem. Acabado de acordar, encontro o meu filho na sala compenetrado a ler o álbum "A Ilha Negra" do Tintin. Afinal o filme serviu para alguma coisa... Um belo despertar!

Um Tintin


Fui finalmente ao cinema ver "As Aventuras de Tintin - O Segredo do Licorne" com os meus filhos, que adoraram. O filme é espectacular, no sentido literal do termo, e com uma animação que é um prodígio da técnica. Mas, para um tintinófilo como eu, isso não basta.

O filme mistura três álbuns de Tintin, o que não é de estranhar, já que seria indesejável uma transposição directa da banda desenhada ao cinema. Mas tem pormenores absurdos e incompreensíveis, como a breve aparição de Castafiore, totalmente "metida à pressão". Logo no início, pelo contrário, há uma passagem excelente. Uma homenagem a Hergé, que se cruza com o herói que criou. Para o final, uma cena exagerada e até disparatada - um combate de gruas num porto. Talvez o pior dos momentos "à Indiana Jones", como tão bem escreveu o Eurico de Barros, que abundam.

Este é um filme a ver, apesar de tudo. Claro que, para mim, é um Tintin e não o Tintin. Preciosismos à parte, mesmo com Spielberg aos comandos, Tintin continua europeu e não me parece que vingue nos EUA como grande sucesso comercial.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dos feriados

Num país onde se olha para os calendários com a pronta intenção de calcular a extensão dos dias de descanso, com o recurso a “pontes” e “tolerâncias”, a questão de se alterar as regras dos feriados e mesmo o fim de alguns é naturalmente incómoda. Mas, sejamos claros, vistos apenas assim, perdem totalmente o seu significado.

No caso dos feriados políticos, a maior parte das pessoas nem sabe o que representam. Nem lhes interessa, à parte do facto de ser mais um dia sem trabalhar, ou pago a dobrar. Em muitos dos feriados religiosos acontece exactamente o mesmo. Quanto a estes, recorde-se como os ultra-laicistas, que tão fervorosamente se batem contra os crucifixos em escolas públicas, por exemplo, gozam prazenteiramente os dias que a tradição católica lhes concede sem qualquer reclamação ou problema de consciência.

Perante este cenário, parece que se pode pura e simplesmente acabar com tais dias, mas não é assim tão linear. O caso do 1.º de Dezembro, que gerou alguma indignação em certos sectores, pode ser um ponto de partida. Se nesta data se mantiverem as respectivas cerimónias oficiais e se realizarem acções evocativas nas escolas, explicando às futuras gerações a importância da restauração da independência, é com certeza mais importante que mais um dia de “balda”.

Os verdadeiros feriados são os que servem para marcar um novo ciclo, assinalar uma mudança, mas que são reconhecidos por todos enquanto tal. É o caso indiscutível do Natal, do qual nos aproximamos. Nesses é que nunca se deve ceder, muito menos em nome de uma cega medida de “aumento de produtividade”, como se o País não passasse de uma linha de montagem.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

Greve

Ainda para aí muita gente contente com uma greve qualquer (mais uma) que está agendada para breve. Como sempre, quero lá saber! A única greve que faço é ao (des)Acordo Ortográfico. Para sempre!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O velho soldado


O escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte escreveu uma excelente crónica intitulada "El viejo soldado", que fala de homens, camaradas de armas, e que a todos aconselho. Termina assim: «-Allí no había nada -dice de pronto-. Sólo viento y arena, ¿te acuerdas?... Pero era el lugar más hermoso del mundo.» A não perder.

domingo, 20 de novembro de 2011

Panorama europeu no Méridien Zéro


Hoje, às 22 horas portuguesas, será emitido mais um programa do Méridien Zéro, a antena francesa da Radio Bandiera Nera, sobre o panorama actual europeu e que terá uma participação lusitana. De regresso a este programa, novamente conduzido pelo Lt. Sturm auxiliado pelo PGL, fui convidado a comentar ao lado de Pierre Vial, presidente da Terre et Peuple, Gabriele Adinolfi, director do Centro Studi Polaris, e Georges Feltin-Tracol, responsável pelo Europe Maxima.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Supranacional

O tempo é de crise, já o sabemos, e as pessoas sofrem com as chamadas "medidas de austeridade". É-nos recordado diariamente pelos meios de comunicação social. Mas certos comportamentos não deixam de nos causar uma estranha perplexidade. Entrar num supermercado e assistir à euforia do Natal comercial não parece fazer sentido. Menos sentido faz depois de se saber, pela imprensa, que as famílias portuguesas vão gastar mais com o Natal deste ano que as famílias alemãs. A ilusão do consumismo desenfreado distrai as massas do essencial.

Ao confiarem que um qualquer governo vai "resolver" a crise, as pessoas não estão a ver o problema de fundo. O mundo alterou-se radicalmente. Sem entrar em teorias da conspiração, que nestas alturas abundam, é fácil verificar como o poder foi tomado por altos interesses económicos, supranacionais, que decidem o futuro e os dirigentes de países oficialmente independentes.

Um dos seus agentes directos são as agências de notação financeira, também conhecidas como de 'rating'. Algo que, até há não muito tempo, o comum dos mortais nunca tinha ouvido falar e que desconhecia a sua influência devastadora.

No nosso caso, o erro começou na construção de uma união europeia económica. Aquela que poderia e deveria ser uma das maiores potências mundiais está agora às ordens de interesses que vêm do outro lado do Atlântico.

Começou pelo ataque aos pequenos e periféricos países, como a Irlanda, Portugal e a Grécia. Mas agora seguiu-se a Itália, um dos países mais ricos do mundo, com um vitalismo económico competitivo e com uma direcção que fugia à habitual influência norte-americana. Veja-se, por exemplo, o inteligente entendimento com a Rússia. Quem se seguirá neste verdadeiro "dominó chinês"? Espanha, França?

Esta é uma guerra supranacional, que exige uma resposta igual. A de uma Europa que faça frente a quem a ataca.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

sábado, 12 de novembro de 2011

Manhã parisiense


A Île de la Cité vista da Pont des Arts, bem cedo, a caminho da gravação de mais uma emissão do Méridien Zéro.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Memória

O homem do futuro será o que tiver a mais longa memória.
Nietzsche

Aparentemente, fazem hoje sucesso certos programas televisivos onde verdadeiros gebos demonstram publicamente um desconhecimento profundo e escandaloso sobre matérias que deviam ser básicas. Para gáudio de espectadores que não ficam muito atrás destas tristes figuras, revelam uma total ausência daquilo a que comummente se chama “cultura geral”.

Mas pior, esta ignorância estende-se a cada vez mais pessoas e ao conhecimento da História de Portugal e da cultura portuguesa. Neste campo, o problema também vem de cima. O ensino das humanidades e das letras é preterido em favor das “áreas técnicas”, que supostamente garantirão emprego. Consequência directa da ultra-especialização imposta pelo modelo capitalista no mundo ocidental e que, agora, alastra pelo globo.

O historiador francês Dominique Venner escreveu: "Não há futuro para quem não sabe de onde vem, para quem não tem a memória de um passado que o fez aquilo que é." Sábias palavras de um homem experimentado. É uma das explicações fundamentais para a nossa actual falta de direcção.

Há que, contrariando o embrutecimento intelectual generalizado, cultivar a nossa memória e passá-la de geração em geração. Aprender com a História, com as provas e privações do passado que nos conduziram ao que hoje somos, é essencial para traçar o caminho a seguir.

A nossa memória garante o nosso futuro.

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

sábado, 5 de novembro de 2011

Geopolítica da Rússia


Excelente número especial da revista francesa "Diplomatie", que é o quinto nos "Grands Dossiers", dedicado à geopolítica da Rússia. A não perder!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Regresso ao político

Lêem-se os jornais, vêem-se os noticiários televisivos ou ouvem-se os radiofónicos e o tema omnipresente é exactamente o mesmo – a crise. Mais concretamente a “económico-financeira”. Mas desengane-se quem pensa que está a ser informado. Pelo contrário, está a ser inundado pela “ditadura dos gestores”. Tudo dito num linguajar até há bem pouco tempo estranho, o “economês”. Com os seus termos imperceptíveis e palavras anglo-saxónicas terminadas em “ing”, a fazer lembrar a secreta caligrafia receituária dos médicos. Aliás, não há muito tempo, todas estas “perspectivas”, “previsões” e demais futurologias eram recebidas com o devido cepticismo.

Mas os senhores dos MBA, e restantes acrónimos que é suposto conhecermos, impuseram o seu reinado. Tudo se resume ao mercado – ou ao seu plural, como está tão em voga – e o “resto” é estrategicamente empurrado para segundo plano.

A história do “rei vai nu” não deve já constar do imaginário de quem acredita piamente nos “analistas”, que cada vez mais se pavoneiam, aparentemente seguros, pelos ‘media’, e nas suas “análises” intoxicantes.

Paremos. Recusemos a onda. Recordemos que os Estados são construções políticas, derivadas de uma vontade. Não são, nem podem ser, reflexos de interesses globalizados cujo único propósito é o lucro exagerado e cego.

A política – não a baixa política, que nos repugna diariamente – é do interesse directo dos cidadãos. Urge, assim, um regresso ao político. A solução não está na continuação do todo-económico, antes no seu fim. Parece que os ventos da História anunciam alterações, mas sem vontade não há, nunca, mudança.

O problema da Europa, e consequentemente de Portugal, não é económico, é político. Haja vontade!

Editorial da edição desta semana de «O Diabo».

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O colaboracionista e a sua família

RECHOKIM – THE COLLABORATOR AND HIS FAMILY
Realização: Ruthie Shatz e Adi Barash
FRA/EUA/ISR, 84 min.
Filme projectado no DocLisboa 2011

Este é um documentário que nos leva a um tema algo desconhecido, os palestinos que colaboram com o Estado de Israel. No entanto, mais que uma investigação política, esta é uma viagem ao seio de uma família afectada pela opção do pai. Ibrahim colaborou com as autoridades israelitas durante vários anos, sendo depois forçado a um Exílio em Israel com a sua mulher e filhos. Impedido de voltar à Palestina, onde o destino dos traidores é a morte, não encontrou porém a melhor das recepções no país para o qual trabalhou. Numa perspectiva intimista, vemos as condições deploráveis de vida que estes párias palestinos têm no sul de Telavive, com as dificuldades em arranjar emprego, devido à falta de visto, como os sucessivos problemas com as autoridades policiais. No final da projecção houve uma sessão de perguntas e respostas com a realizadora, onde esta afirmou que o filme havia tido uma boa recepção em Israel. Um olhar interessante e corajoso, mas infelizmente demasiado fechado sobre as vivências familiares. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]

Amor, Absinto, Revolução!