quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Stoned

Pode julgar-se um livro pela capa? E um filme pelo elenco? Mesmo que as prestações dos actores sejam muito boas, é algo que só por si não basta para que o conjunto de elementos que constituem uma obra cinematográfica funcione. “Stone – Ninguém é Inocente” é uma demonstração prática disso.
O cartaz anuncia três estrelas de peso: Robert De Niro, Edward Norton e Milla Jovovich. A frase promocional aumenta-nos a curiosidade ao dizer que: “Algumas pessoas contam mentiras. Outras vivem-nas.” O ‘trailer’ faz-nos esperar um ‘thriller’ movimentado, que nunca chega a acontecer.

De início, a coisa promete. Ficamos a saber que há em Jack Mabry (Robert De Niro) um lado sombrio que contrasta com o agente de liberdade condicional à beira da reforma, com a imagem de funcionário e cidadão exemplar, que trabalha num estabelecimento prisional. A sua rigidez inabalável e o controlo do seu poder de decidir a quem pode abrir as portas para a liberdade antecipada vão ser postas em causa por Gerald Creeson (Edward Norton) – que anuncia prontamente que preferem que o tratem por “Stone”. O primeiro encontro entre ambos é um diálogo simplesmente formidável. Vendo que dificilmente convencerá Mabry a libertá-lo, “Stone” faz com que a sua mulher Lucetta (Milla Jovovich) o seduza e isso vai libertar um jogo de enganos, intenções cifradas e passados ocultos.

Como referi, de início parece que estamos a ver um ‘thriller’, mas o filme depressa parece tornar-se um exercício psicológico, para enveredar por um caminho metafísico, com uma tentativa de drama sobre o sentido da vida e a presença divina. O pior é que a realização reflecte esta confusa evolução, com uma construção atabalhoada e um ritmo incerto.

Voltando às representações, tenho que dizer que nos papéis principais estão dois dos actores norte-americanos, de diferentes gerações, que mais aprecio. O velho mestre De Niro continua em grande forma e apesar de tudo consegue proporcionar momentos maravilhosos, dos simples olhares aos estados de irritação. É incrível como consegue acrescentar sempre qualquer coisa às personagens. Não se limita a encarná-las, mas a conferir-lhes algo de próprio, que conseguimos identificar.

Por outro lado, Norton parece inicialmente uma antítese de Derek, o ‘skinhead’ de “América Proibida” (1998), também encarcerado. Desta vez é aquilo a que se chama (não simpaticamente) um ‘wigger’, ou seja um branco que se comporta como um negro, no vestir, no falar, no agir. Fenómeno que se espalhou dos EUA para o resto do Ocidente, tem no Michigan – estado onde se desenrola a acção deste filme –, especialmente em Detroit, grande incidência. É nestes opostos que se distingue, acima da capacidade, o talento de um actor.

“Stone”, pelo nome, podia ser uma pedrada, mas infelizmente pouco mais é que um inerte. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O regresso de Apolo


No dia mais curto do ano, altura de renascimento, lembro a profecia da última pítia do Oráculo de Delfos: "Um dia Apolo regressará e será para sempre".

Uma saudação solar, neste Solstício de Inverno.

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Há noites assim...

... em que o que nos vale é Bach e um copo, como me ensinou uma vez um grande Amigo. Há partidas em que necessitamos de reconfortar a alma.

Frase do dia

«Ao AO 90 [Acordo Ortográfico de 1990] faltam bases teóricas, exercícios empíricos, referências científicas.»

Francisco Miguel Valada
in «Público».

domingo, 19 de dezembro de 2010

Cinerama


O tema de hoje do Méridien Zéro, a emissão francesa da Radio Bandiera Nera, é o cinema. Para ficar a saber os indispensáveis do grande ecrã militante, basta ouvir a partir das 22 horas.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Adeus

Para um Amigo. 

Foi ontem a despedida,
Sem conversa, mas presença.

A dor desta partida,
É dispersa e imensa.

É assim, a vida,
Por vezes suspensa.

Eu sei que a subida
Vai ser uma renascença.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Entrevista com Alain de Benoist

A propósito da reportagem que fiz para «O Diabo» sobre o lançamento da revista «Finis Mundi», entrevistei os dois apresentadores. Aqui fica a que fiz com Alain de Benoist.


Alain de Benoist
Podemos ainda falar de uma “nova cultura”?
Sim. O problema é que vivemos num mundo de transição – o interregnum. Mais do que isso, a maior questão é a do sujeito histórico da época vem. São os povos os actores.

A globalização é desejada tanto por esquerdistas como por capitalistas?
Ambos querem a abolição das fronteiras. Os primeiros para cumprir o seu grande sonho de unificação mundial, os segundos para concretizar um grande supermercado generalizado. Permanece a ideia de que um estado mundial acabaria com as guerras. Mas, como afirmou Carl Schimtt, acabariam as guerras e passaria a haver apenas guerras civis.

Qual o papel geopolítico de Portugal hoje?
Portugal é o extremo sudoeste da Europa. Faz parte da Europa. É a abertura atlântica que faz a ligação ao Brasil. Este país emergente será muito importante no futuro. Será um pólo de resistência sul-americana à América do Norte. Por fim, Portugal é também uma abertura para o Mediterrâneo e a África do Norte.

Como avalia a influência da Nova Direita noutros países?
A Nova Direita nunca foi para ser uma internacional, mas houve manifestações noutros países. Foi uma rede: política, cultural e nacional.

O que é hoje mais importante, o político ou o intelectual?
Não acredito em acções políticas a curto termo. O trabalho intelectual demora mais tempo e dá mais trabalho. Depois, há em França uma polícia do pensamento, parece que vivemos uma depuração permanente. Em tempos, tentámos dar ideias à Direita, mas a Direita não quer ideias. Mesmo apesar de alguns sucessos técnicos. Hoje trata-se de dar ideias ao mundo.
[publicado na última edição de «O Diabo»]

Para amanhã


Como habitualmente, a Associação Terra e Povo assinalará a mudança de ciclo no próximo Solstício de Inverno. A cerimónia terá lugar no próximo dia 18 de Dezembro. Os interessados podem contactar através do endereço de correio electrónico terraepovo@gmail.com.

Fonte: Terra e Povo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Entrevista com António Marques Bessa

A propósito da reportagem que fiz para «O Diabo» sobre o lançamento da revista «Finis Mundi», entrevistei os dois apresentadores. Aqui fica a que fiz com António Marques Bessa.


António Marques Bessa


Com a sociedade a alhear-se e a consumir, cada vez mais, informação e conteúdos imediatos, faz sentido uma revista como a “Finis Mundi”?
Hoje existe um espaço cultural para o pensamento alternativo, por oposição à globalização. Os enraizados têm o direito a pensar.

Não há o risco de ser algo demasiado intelectual, uma vez que são artigos de pensamento?
Não deve cair no intelectualismo ou academismo. Deve ser aberta, de forma a ser entendida por um número maior de leitores.

Mas nem por isso é para o povo?
O povo está estupidificado. Não se pode contar com ele. Só pode atingir intelectuais. Continuam válidos os ensinamentos de Gramsci e o que se chamou o “gramscianismo de Direita”, levado a cabo por Benoist e a Nova Direita.

Então, o movimento parte de cima?
De cima para baixo. Das elites. É sempre assim, porque o povo é bovino.
[publicado na última edição de «O Diabo»]

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Bibliofilias


Ontem passei por uma livraria que tinha um anúncio no mínimo estranho, rezava mais ou menos assim: "Livros que não interessam a ninguém por 1 euro". Não resisti a entrar e, num rápido passar de olhos, dei de caras com um livro bem interessante de um autor que muito aprecio e que não tinha, nem conhecia. "No Oriente do Oriente", do recém-falecido António Manuel Couto Viana, junta às poesias inspiradas pela sua passagem por Macau, um estudo de Beatriz Basto da Silva e várias ilustrações. Uma belíssima descoberta, que me lembrou um Amigo que está noutro Oriente do Oriente...

Plamegate

Quem se lembra de Valerie Plame? Talvez só pelo nome seja difícil, mas para quem acompanhou o início da Segunda Guerra do Golfo, nomeadamente toda a operação de ‘marketing’ sobre a existência no Iraque de armas de destruição maciça (ADM), que justificavam mais uma intervenção estrangeira naquele país para, supostamente, lhe levar pela força a “liberdade iraquiana”, talvez se lembre do caso que inspira este filme.

Em 2003, a administração Bush, ansiosa por atacar o Iraque, manipulou as informações que tinha sobre a investigação acerca de um possível programa nuclear iraquiano para o fabrico de armamento. Nessa altura, Valerie Plame era uma operacional da CIA, especificamente na área de não-proliferação, cuja missão, entre outras, era garantir que o Iraque não tivesse acesso a armas nucleares. Muito bem relacionada no meio e profunda conhecedora dos movimentos comerciais, afirmou desde o início que os famosos tubos de alumínio comprados pelo Iraque não serviam para o enriquecimento nuclear. Ao mesmo tempo, começam a haver suspeitas de que o Iraque havia comprado quantidades significativas de urânio para produção nuclear, conhecido como ‘yellowcake’, ao Níger. A CIA contratou o antigo diplomata e embaixador Joe Wilson para investigar, que chegou à conclusão que tal era impossível. Quando se apercebeu que as suas investigações haviam sido ignoradas e até deturpadas, publicou um artigo no “New York Times” intitulado “O que eu não encontrei em África”, para repor a verdade.

O problema é que Wilson era marido de Valerie... O gabinete do vice-presidente Dick Cheney, nomeadamente através do seu conselheiro “Scooter” Libby, decidido a eliminar quem se opusesse à teoria das ADM, passou informações ao jornalista Robert Novak, do “Washington Times”, que publicou um artigo denunciando publicamente Valerie como agente. Aí começou um verdadeiro pesadelo.

“Jogo Limpo” é baseado tanto no livro de Valerie Plame, “Fair Game: My Life as a Spy, My Betrayal by the White House”, publicado em 2007 e em “The Politics of Truth. Inside the Lies that Led to War and Betrayed My Wife's CIA Identity: A Diplomat's Memoir”, da autoria do seu marido, publicado três anos antes. Tal explica porque este filme, que poderia ser um belíssimo ‘thriller’ político se fique mais por um relato de vida e uma história sobre a “luta pela verdade”, bem ao estilo norte-americano.

Na realização, Doug Liman, que recentemente nos trouxe o interessante segundo filme da série Bourne, “Identidade Desconhecida” (2002), mas também o insuportável “Mr. e Mrs. Smith” (2005), cumpre sem arriscar. Esta é uma obra que assenta fundamentalmente nas excelentes representações dos dois actores principais, Naomi Watts e Sean Penn, e no interesse nesta história de uma mulher que por detrás de uma vida normal era uma espia, algo na realidade bem diferente do retratado em tanta ficção. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Nevoeiro


Ontem, a passar no meu bairro, gostei de sentir o nevoeiro. Não resisti a registá-lo fotograficamente e a lembrar-me do nosso poeta:

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Fernando Pessoa
in "Mensagem" (1934).

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Temos MAP


Há combates que valem a pena e produzem bons resultados. Foi o caso do esforço em prol do Museu de Arte Popular. Depois da boa notícia de que já não seria encerrado, fiquei a saber que hoje reabre ao público e é inaugurada a exposição "Os Construtores do MAP - Museu em Construção".

Comentário ao seminário sobre as direitas

José Pedro Zúquete
A defesa da lusofonia, normalmente recusada por um “novo nacionalismo” por oposição a uma atitude reaccionária, é uma proposta que é necessário encarar com cuidado. Por um lado, pensemos em tantas esquerdas que hoje mais parecem salazaristas quando nos falam nas nossas “obrigações históricas” para com o mundo lusófono. Por outro, a ideia de que Portugal “se cumpre” fora do nosso país é, no mínimo, perigosa para quem se afirma como nacionalista (o que não significa, necessariamente, “de direita”).

Não estando de acordo com a proposta de José Pedro Zúquete, reconheço que levanta um assunto de elevada importância que não deve ser descurado. Considero que a lusofonia é uma área de influência geopolítica natural de Portugal e que deve por nós ser utilizada na afirmação da nossa cultura e posição internacional. Mas nunca considerar que tal pode ser deixado a outros. Nunca pela lusofonia devemos submeter-nos a interesses alheios. Pelo contrário, ter sempre presente que a nossa gloriosa gesta lusa foi mais uma das projecções da Europa. Não podemos esquecer o poder e amplitude da forma como tocámos o mundo, mas o que não podemos mesmo fazer é esquecer o nosso país e o nosso povo em nome dessa projecção. [publicado na última edição de «O Diabo»]

Debater as Direitas

Decorreu nos passados dias 29 e 30 de Novembro, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, um seminário intitulado “As raízes profundas não gelam? Ideias e percursos das direitas portuguesas” organizado pelo investigador Riccardo Marchi. Este italiano radicado em Portugal é autor de um estudo sério sobre as direitas radicais portuguesas de 1939 a 1974, o que era uma lacuna na nossa historiografia. Marchi decidiu investigar aprofundadamente o assunto e doutorou-se em História no ISCTE com a tese que deu origem a dois livros complementares: “Folhas Ultras. As ideias da direita radical portuguesa (1939-1950)”, publicado pelo ICS, tem por base a primeira parte do seu estudo; “Império, Nação, Revolução. As direitas radicais portuguesas no fim do Estado Novo (1959-1974)”, publicado pela Texto, é a parte central da sua tese.

Razões de um seminário
Numa entrevista ao blogue Dissidente.info, questionado sobre as razões que o levaram a organizar este seminário, Marchi respondeu: “Quis reunir peritos de cada área específica das direitas que permitam desenhar um “fil rouge” desde o miguelismo contra-revolucionário até ao liberalismo dos nossos dias. Como é óbvio, não procuro uma lógica unívoca que conecte coerentemente tudo o que se moveu na direita em Portugal nos últimos 200 anos. Procuro sim identificar quais raízes afundam no terreno das ideias das direitas portuguesas e, a partir desta pluralidade, pretendo desvendar quais frutos produziram, se ainda são fecundas ou se, pelo contrário, secaram de vez. O intuito final dos dois dias será produzir uma colectânea com as contribuições dos oradores e de outros autores”.

Dois dias de trabalhos
Coube a Rui Ramos a abertura do seminário com a comunicação “As direitas na historiografia portuguesa” e a introdução não podia ter sido melhor. Há muito que este historiador tem denunciado uma oposição que se faz entre a esquerda e direita como se se tratasse do “bem” e do “mal”, perdoando-se os “excessos” das esquerdas e recriminando o mínimo deslize das direitas. Tal reflecte-se no campo historiográfico onde não devia acontecer. Segundo Rui Ramos, há uma cultura instalada que leva a que mesmo historiadores que não seguem necessariamente uma agenda política caiam nessas simplificações. Dos vários exemplos que deu, lembro aqui um: a chamada “ditadura de João Franco” é sempre considerada uma ditadura, por outro lado, o Governo Provisório de 1910, tecnicamente uma ditadura, nunca recebe essa designação e as suas medidas persecutórias são “compreendidas”.
Seguiram-se duas intervenções sobre o miguelismo “A reacção anti-liberal miguelista” de Maria Alexandre Lousada, e “A violência política no miguelismo” de Fátima Sá. Como se pode adivinhar pelos títulos das comunicações, estas centraram-se no “terror miguelista” que recordava, a espaços, as palavras iniciais de Rui Ramos.
Na tarde do primeiro dia falou José Manuel Quintas, sobre o “Integralismo Lusitano para além das etiquetas” e foi bastante interessante ouvir as origens desta experiência política e intelectual portuguesa por tantas vezes (propositadamente) mal tratada. O único defeito da sua comunicação foi a falta de tempo para assistir a tudo o que estava preparado. Seguiu-se a excelente intervenção de Ernesto Castro Leal, intitulada “As direitas revolucionárias na I República”, que se centrou em grupos menos conhecidos como a Acção Realista Portuguesa ou o Centro do Nacionalismo Lusitano, falando com clareza e demonstrando profundo conhecimento.
No segundo dia, duas intervenções a que O Diabo assistiu. Primeiro do cronista Henrique raposo que falou sobre “A Direita liberal no Portugal do Século XXI”, tentando demarcar o liberalismo do puramente económico, ao mesmo tempo que adiantou que várias das suas ideias, tão criticadas, estão a ser propostas pela própria União Europeia a vários estados devido à actual crise. Depois a comunicação de José Pedro Zúquete, “O Império contra-ataca: uma ideia antiga para as direitas do futuro”, que era sem dúvida a que tinha o melhor título de todo o seminário e prometia debate.

Ideias para o futuro
A José Pedro Zúquete, investigador a quem coube o primeiro artigo académico sobre o Partido Nacional Renovador (PNR), há que reconhecer a capacidade de estudo da chamada “extrema-direita”, em todas as suas complexidades, e a coragem de tentar propostas para o futuro, recusando a aposição confortável de observador não-interveniente.
Na sua participação neste seminário lembrou a importância da lusofonia na construção das direitas do futuro. Essa era a “ideia antiga” a que se referia o título da sua comunicação. Criticou o PNR por não a considerar, desejando boa sorte a quem tentar pesquisar o termo “lusofonia” no site deste partido nacionalista. Louvando, por outro lado, o Movimento Internacional Lusófono (MIL), disse que este era a expressão de uma ideia que não devemos desprezar. [publicado na última edição de «O Diabo»]

domingo, 12 de dezembro de 2010

Contra a polícia do pensamento


O tema de hoje do Méridien Zéro, a emissão francesa da Radio Bandiera Nera, é a polícia do pensamento e tem como convidado o advogado e ensaísta Éric Delcroix. Para ouvir a partir das 22 horas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Lançamento da Finis Mundi


Decorreu anteontem o lançamento do primeiro número da revista de cultura e pensamento “Finis Mundi”, dirigida pelo Flávio Gonçalves e editada pela Antagonista. A sessão de apresentação, que contou com a presença de Alain de Benoist e António Marques Bessa, teve lugar sala do Instituto D. Antão Vaz de Almada, no Palácio da Independência, em Lisboa, que se mostrou exígua para o público que aí acorreu e ultrapassou a centena de presentes. Também a banca montada para a venda da revista e de outras edições da Antagonista foi um êxito. Não quero deixar de congratular o Flávio Gonçalves e a equipa por ele mobilizada por este projecto tão necessário. Precisamos sempre de homens livres.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

1.º Seminário de História do Património e da Ciência


Não tenho o dom da ubiquidade, mas ontem ainda consegui dar um salto ao 1.º Seminário de História do Património e da Ciência, dedicado ao Prof. Mendes Corrêa. A parte a que assisti foi interessante e espero que as comunicações sejam publicadas.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Livros para hoje

 

Da extensa obra dos dois oradores que estarão hoje presentes no lançamento da Finis Mundi, escolhi dois livros a (re)ler: "Nova Direita, Nova Cultura: Antologia Crítica das Ideias Contemporâneas", de Alain de Benoist, e "Ensaio sobre o fim da nossa Idade", de António Marques Bessa.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Escrever nos livros

O Miguel Vaz sabe como sou avesso a escrever nos livros. As notas que tomo são normalmente em cartões que têm também a função de marcadores. Hoje, em jeito de provocação, enviou-me a imagem que partilho abaixo, perguntando: neste caso está desculpado? Trata-se do exemplar anotado de "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad, que Francis Ford Coppola tinha quando realizou "Apocalypse Now". A decisão não é tão fácil quanto parece, mas concedo que desta vez foi em prol de uma causa — ou melhor, obra  maior.

Lembrar Mendes Corrêa


Amanhã tem lugar na Universidade Lusófona, em Lisboa, o 1.º Seminário de História do Património e da Ciência, dedicado ao Prof. Mendes Corrêa. Foi com agrado que soube desta iniciativa, já que esta é uma das nossas figuras tão habitualmente "esquecidas". O seu contributo foi enorme e bastante variado. António Mendes Corrêa formou-se em Medicina, mas o seus trabalhos estenderam-se por diversas áreas do conhecimento, como a Antropologia, a Arqueologia, a Criminologia ou a História. Foi docente, ocupou vários cargos directivos, tendo ainda sido presidente da Câmara Municipal do Porto e deputado à Assembleia Nacional.

Uma oportunidade a não perder. Para mim, o único problema é conciliar com o lançamento da Finis Mundi no mesmo dia.

Preso no motim

Por várias vezes me tenho queixado do inexplicável atraso com que certos filmes chegam às salas do nosso país e mais uma vez não posso deixar de referi-lo. Neste caso nem a proximidade geográfica nos valeu, já que “Cela 211” aparece finalmente por cá mais de um ano depois da sua estreia em Espanha. Escusado será lembrar as implicações comerciais destas opções, com os descarregamentos na internet ainda mais facilitados depois da saída o DVD.

Êxito cinematográfico no país vizinho, onde ultrapassou os dois milhões de espectadores e arrecadou oito prémios Goya, este ‘prison movie’ conquistou o público com o seu realismo e intensidade que prendem a atenção até ao final.

Juan Oliver (Alberto Ammann) é um guarda prisional que vai iniciar funções e quer causar boa impressão desde o princípio. Para tal, decide ir ao estabelecimento onde foi colocado na véspera do seu primeiro dia de trabalho para ver como tudo funciona. Durante a visita com dois colegas é atingido por um pedaço do tecto que lhe cai na cabeça. Inconsciente, é levado para a cela 211, quando ao mesmo tempo se desencadeia um motim na prisão. À frente desta onda de violência está o implacável Malamadre (Luis Tosar) e tudo se afigura aterrador para Juan. Mas o jovem funcionário, no desespero de sobreviver, decide tentar a única coisa que o pode salvar – fazer-se passar por um dos detidos. Este jogo arriscado vai-se tornando cada vez mais perigoso, ao mesmo tempo que Juan vai conquistando a confiança dos reclusos, do seu líder e subindo na hierarquia dos amotinados. Até aqui a história é interessante, mas podia não passar apenas disso. Felizmente, há um ‘twist’ que nos leva a pensar nas nossas motivações e em como estas podem mudar num ápice perante alterações de fundo. Quem somos realmente? O que conseguimos fazer?

No campo da representação, destaque natural para o notável trabalho de Luis Tosar no papel do carismático líder dos detidos. Este actor galego encarna muito bem Malamadre, personagem bem construída que reflecte um homem violento, duro e impiedoso, mas ainda assim seguidor de um código de honra próprio, cuja autoridade agressivamente mantida é reconhecida pelos demais. Referência também para Alberto Ammann que, tal como a sua personagem, se vai revelando ao longo do filme, proporcionando uma óptima evolução, essencial para a história.

Ao ver esta viagem ao mundo prisional espanhol, não pude deixar de recordar um filme de que aqui falei quando estreou no início deste ano. Trata-se de “Um profeta” (2009), do francês Jacques Audiard, um outro olhar sobre os cárceres europeus no qual há alguns pontos em comum interessantes. Há em ambos a presença de membros de grupos terroristas, mas o pormenor mais interessante é a actual composição étnica, nomeadamente os gangues provenientes da imigração que têm cada vez mais força e poder.

Um filme europeu com bastante acção e a capacidade de atrair o grande público, mas nem por isso a desprezar. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

No change

Já o afirmei aqui por várias vezes que, apesar da eleição de Obama, os EUA e o seu projecto de hegemonia mundial continuam iguais a si próprios. Vem isto a propósito da entrevista de Michael Hayden, director da CIA entre 2006 e 2009, deu ao «Expresso», intitulada "Obama actua como Bush". Diz ele: "(...) no que respeita à luta antiterrorista, há mais semelhanças que diferenças entre Obama e Bush, apesar das retóricas. Continuam as detenções por tempo indeterminado, não há habeas corpus para os detidos da Al-Qaeda em Baghram (Afeganistão), persiste o segredo de Estado, tal como os assassínios selectivos e os voos da CIA. Uma vez na Casa Branca, começam-se a ver as coisas doutra forma".

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Finis Mundi: A Última Cultura


Realiza-se na próxima quinta-feira, dia 9 de Dezembro, pelas 21 horas, no Palácio da Independência em Lisboa, o lançamento de uma grande novidade editorial. Trata-se do primeiro número da revista de cultura e pensamento Finis Mundi, dirigida pelo Flávio Gonçalves e editada pela Antagonista, esta revista trimestral reúne uma série de artigos e ensaios subordinados a diversas áreas do conhecimento, nos quais se encontra um da minha autoria, procurando suscitar a atenção do leitor para a necessidade de repensar o estado da cultura portuguesa segundo uma perspectiva ou paradigma ocidental.

A sessão de apresentação contará com as comunicações de António Marques Bessa e Alain de Benoist. A entrada é livre. A não perder!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Quanto nos custa a imigração?


Hoje, o programa Méridien Zéro recebe Arnaud Naudin, jornalista independente, para responder a uma das perguntas mais incómodas da actualidade: Quanto nos custa a imigração?. Como sempre, com início às 22 horas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

De Lisboa a Vladivostok

Ganha força a ideia de um espaço económico euro-russo Desta vez não é uma proposta de algum grupo “estranho”, ou de algum autor “subversivo”, como costumam dizer os nossos detractores. Foi o próprio primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que afirmou num artigo publicado no Süddeutsche Zeitung, onde desejou uma “comunidade económica harmoniosa que irá de Lisboa a Vladivostok”.



Recordo novamente uma das teorias mais interessantes do recém-falecido Maurice Allais, a da “autarcia dos grandes espaços”, que inspirou, entre outros autores, Guillaume Faye, no que respeita à solução económica para um grande bloco etno-político europeu, ao qual chamou Eurosibéria.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O europeu

Se por ver o nome de George Clooney associado a um filme sobre um assassino profissional acha que encontrará em “O Americano” o habitual filme de acção de Hollywood, desengane-se. Este não é para as meninas que querem ver o galã, nem para os meninos que querem ver o engatatão. A frieza da sequência original, passada apropriadamente no clima gélido da Suécia, mostra que vamos entrar num mundo diferente.

Para sair dos ‘clichés’ cinematográficos deste género, a escolha do realizador não podia ter sido mais acertada. Anton Corbijn é um fotógrafo aclamado, desde há muito tempo ligado ao meio musical, que realizou vários telediscos e em 2007 nos concedeu uma verdadeira dádiva intitulada “Control”. Um filme fenomenal que é um relato tocante sobre o malogrado Ian Curtis, vocalista do grupo musical Joy Division, onde Corbijn revelou a sua mestria no grande ecrã.

É por isso que este “americano” é mesmo um “europeu”, com planos prolongados, sequências lentas, economia de diálogos e ausência de música desnecessária. Este último aspecto é bastante importante, já que confere ao filme uma dimensão muito diferente daqueles que na sua banda sonora desprezam o poder do silêncio. Em tudo isto há um ambiente ‘dark’, muito bem conseguido, que nos transporta a alguns ‘thrillers’ dos anos 70 do século passado. Nota ainda para o óptimo aproveitamento das magníficas paisagens da região de Abruzzo, opondo ao facilitismo de uma visão turística um olhar da terra.

Jack (George Clooney) é um assassino profissional em fuga que encontra esconderijo numa pacata povoação italiana. Durante o tempo que aí passa, começam a despertar dúvidas existenciais. Como lhe diz o seu enigmático protector num dos diálogos, “não costumavas ser assim”. Mas este homem duro e marcado por uma vida implacável e solitária tem ainda um trabalho, que deseja ser o último. Desta vez não tem que matar, mas transformar uma carabina para um assassinato que será cometido por outro. Aqui começa a revelar-se um artesão, um homem atento ao pormenor, ao mesmo tempo que a relação com uma prostituta evolui num sentido amoroso. Clooney encarna esta personagem com um desempenho profundo, a contrastar com os seus trabalhos mais ligeiros.

Apesar de este ser um filme substancialmente diferente, onde há Clooney tem que haver mulheres. Mas aqui, as três ‘belles’ que aparecem estão na casa dos trinta e, ao contrário da “beleza” artificial tão em voga, reflectem tipos europeus.

Uma das críticas que li e que reconheço é a do fraco argumento. No entanto, nem mesmo isso afecta grandemente a obra, porque por vezes há histórias na (de?) vida que são previsíveis e iguais a tantas outras. Um filme a apreciar. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]