sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bourne em Bagdade

Em 2003 os EUA invadem o Iraque na sua “guerra contra o terrorismo”, justificando esta acção militar com a existência de armas de destruição maciça naquele país e o objectivo de levar a “democracia” e a paz ao povo iraquiano. O resultado é hoje bem conhecido de todos: armas nem vê-las e o caos instala-se.

É neste cenário que decorre a acção de “Green Zone”, que entre nós recebe o nome de “Combate pela Verdade”, onde se conta a história do sargento Roy Miller (Matt Damon) que com a sua unidade de inspectores do exército procura armas de destruição maciça, mas, pelo contrário, descobre um intrincado plano que se propõe revelar.

Este “thriller” explora bem as guerras internas no seio das forças americanas, os seus conflitos de interesses, rivalidades e diferentes objectivos. Neste turbilhão surge um paladino da verdade, o sargento Miller, disposto a desobecer e contrariar regras e ordens para atingir o seu propósito superior. Para além da cena onde Miller é desautorizado e mesmo agredido pelo chefe de uma equipa das forças especiais, há um diálogo que espelha bem tudo isto. O sargento pergunta a um responsável da CIA: “Não estamos todos do mesmo lado?”, ao que ele responde: “É um pouco mais complicado que isso...”

Este diálogo passa-se num ambiente que, longe de um cenário de guerra, mais parece um “resort” de férias. A esplanada junto a uma piscina onde passeiam raparigas em biquini e se pode comer churrasco e beber cerveja gelada não é um exagero. É baseada no relato feito pelo jornalista do Washington Post Rajiv Chandrasekaran, no seu livro de investigação “Imperial Life in the Emerald City”, publicado em 2006, que inspirou este filme.

Perante as acusações de “anti-americano” e “anti-guerra”, Richard “Monty” Gonzales, antigo militar em que se baseia a personagem do sargento Miller e que foi consultor neste filme, lembrou que esta história de conspiração se trata de ficção e que não é um retrato fiel do trabalho da sua equipa no Iraque.

O britânico Paul Greengrass filma com o mesmo estilo movimentado e ritmo ofegante com que fez nos dois filmes da trilogia Bourne que realizou, respectivamente “Supremacia” (2004) e “Ultimato” (2007). Com Matt Damon como protagonista, as semelhanças com essa série são ainda maiores. Mas não, apesar deste ser um bom filme de acção, não é “Bourne no Iraque”, e o seu final moralista e previsível – bem à americana – deixa a desejar. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Seis anos

Em seis anos muito mudou neste meio. Assistiu-se à ascensão e queda da dita "área nacional" na blogosfera, onde infelizmente desapareceram blogs de grande qualidade, mas onde parou a excessiva proliferação de entusiasmos efémeros. Uma mudança recente é a crescente importância e influência das chamadas "redes (as)sociais", para onde parece que passou alguma actividade que antes decorria nos blogs. Nenhuma destas alterações, ao contrário do que me alguns me têm sugerido, provocará o encerramento desta casa. O Pena e Espada continuará, sempre fiel a si próprio. E esta persistência será independentemente do números de leitores, que até tem subido... Obrigado.

sábado, 24 de abril de 2010

Do horror

Para o J. Simonovic



Lembrei-me deste post, enquanto lia um dos meus autores de eleição:

«O horror. Barlés abanou a cabeça: as pessoas não fazem ideia. Qualquer imbecil, por exemplo, lê Coração das Trevas e julga saber tudo sobre o horror, de modo que passa dois dias em Sarajevo para elaborar a teoria racional do sangue e da merda e, à volta, escreve trezentas e cinquenta páginas sobre o tema e participa em mesas redondas para explicar a coisa, junto de uns tontos que nunca brigaram por uma côdea de pão, nem ouviram uma mulher a gritar enquanto a violam, nem lhes morreu uma criança nos braços sem poderem ver-se livres do sangue durante três dias, porque não há água para lavar a camisa. Com os compromissos intelectuais, com os manifestos de solidariedade, com os artigos de opinião dos pensadores comprometidos e as assinaturas das figuras das artes, das ciências e das letras, limpavam os artilheiros sérvios o cu havia três anos. Uma vez, Barlés ouviu uma descompostura dos seus chefes por negar-se a entrevistar no telejornal Susan Sontag, que nessa altura montava À Espera de Godot com um grupo de actores locais, em Sarajevo. Mandem um redactor cultural, dissera. Eu sou um filho da puta dum analfabeto e só a guerra e a voragem me fazem ponta.»

Arturo Pérez-Reverte
in "Território Comanche", Editorial Presença, 1997.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Há sempre um livro...

Há um livro que me costuma acompanhar em alturas difíceis – "O Passo da Floresta". Tem andado comigo...

O fim do mundo antigo

Rilke disse que "a pátria de um homem é a sua infância". A minha infância morreu anteontem.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Revista Tintin (III)


O n.º de hoje da revista semanal «Tintin - Le Journal des Jeunes de 7 a 77 ans» é o 37, de 16/9/1959, cuja capa se refere à história completa, em quatro páginas, sobre o vulcanologista Haroun Tazieff, com desenhos de A. Weinberg.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Militantes do Blocco Studentesco atacados


No passado dia 14 de Abril, em Roma, uma dezena de rapazes do Blocco Studentesco ficaram feridos depois de serem agredidos por uma centena de pessoas vindas de centros sociais em frente à faculdade de letras de Roma Tre. Foram atacados na Via del Valco di San Paolo enquanto distribuíam panfletos sobre a próxima eleição do censelho nacional de estudantes universitários. Nove militantes do Blocco acabaram no hospital, dos quais seis gravemente feridos. Entre eles encontra-se o presidente nacional do Blocco Studentesco e candidato à eleição, Fransceco Polacchi. Está neste momento sob observação com uma fractura no antebraço e dois ferimentos na cabeça.

Explica Polacchi: «Trata-se de uma verdadeira agressão. Nós éramos uma quinzena e estávamos a fazer campanha como se faz normalmente antes das eleições, quando vimos uma centena de pessoas sair do nada armados com capacetes, bastões, pedras e correntes.» Alguns cidadãos que vivem nessa rua assistiram à cena e prestaram testemunho na esquadra.

Davide Di Stefano, responsável nacional do Blocco Studentesco, acrescenta: «O ataque teve lugar a cem metros do centro social "Acrobax". É óbvio que foi premeditado. Foi uma acção violenta e planeada com o objectivo de nos intimidar e de nos impedir de fazer política na universidade. É claro que um gesto desta gravidade não pode ter lugar sem a certeza da parte deles de ter impunidade, e é por isso que merece uma resposta apropriada. Essa resposta, vamos apresentá-la ao reitor da universidade de Roma Tre, Guido Fabiani, a quem cabe garantir a normalidade das eleições. Falaremos também com o ministro do Interior, com o presidente da câmara de Roma, Gianni Alemanno, e com a governadora do Lazio, Renata Polverini. A todos cabe assegurar a segurança dos cidadãos.»

Paremos

Quando me apresentam decisões precipitadas, apressadas, impensadas, irresponsáveis, tenho por hábito dizer que é melhor fazer como indicam os sinais das passagens de caminho de ferro: “Pare, Escute, Olhe”. Reflectir para só depois agir. É esse o conselho de Jorge Pelicano num documentário militante que alerta para a morte anunciada da linha férrea do Tua, em risco de ficar submersa devido à construção de uma barragem.

Este jovem realizador, repórter de imagem da SIC, cujo primeiro filme “Ainda há pastores” foi bastante premiado, conseguiu desta vez vencer o prémio do Melhor Documentário Português no DocLisboa 2009 entre outras distinções. Nesse festival, aquando da sua estreia, foi alvo de algumas críticas, nomeadamente por quem o considerou uma reportagem de televisão. Mas este filme – porque é um filme documentário – é um manifesto político em defesa de um património e de uma gente. Para tal não tem pudor (felizmente!) de mostrar os políticos, as suas contradições e de lhes apontar o dedo. Porque estes, movidos pela ganância, estão dispostos a destruir irresponsavelmente uma “identidade”, como afirma a determinada altura um professor universitário espanhol.

Há nesta obra o retrato de uma região esquecida, de um interior deixado para trás. Parte de um país onde a população idosa vê emigrar os mais jovens e verá a sua agricultura submergida pelas águas da barragem. Portugueses que vêem desaparecer o seu povo e a sua terra. Tudo em nome do “progresso”, esse perigoso mito arrasador e uniformizador, cujos efeitos nefastos são muitas vezes irreversíveis.

Que este excelente filme seja um despertar. Que gere uma mobilização, não só pelo Tua, mas por Portugal. Para que, perante as mentiras dos (des)governantes, ou o desejo de cimento afirmado pelo primeiro-ministro José Sócrates no estaleiro de construção da barragem, digamos não! E estejamos dispostos a contrariar a voracidade do lucro e o primado da economia, recordando que são as pessoas e suas vidas que formam uma nação.

São exactamente essas pessoas a quem é dada voz neste trabalho, que tem como tela uma das paisagens mais belas do nosso país. As suas reivindicações provocam tanto a revolta e a indignação, como a melancolia e por vezes até um sorriso.

“Pare, Escute, Olhe” é também um livro, um blogue, um sítio na internet (http://www.pareescuteolhe.com/), um movimento de intervenção cívica. É uma postura diferente do habitual conformismo português.

Paremos para ver este filme. Paremos para depois agir. Paremos para salvar uma identidade. Paremos... [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

sábado, 17 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pierre-Olivier Sabalot em entrevista

Tendo por base em dois posts desta casa, publiquei na edição desta semana do semanário «O Diabo» um artigo sobre a situação explosiva na África do Sul intitulado “O lado negro do arco-íris”. Para aprofundar esta questão, fugindo aos lugares-comuns e aos iluminados do costume, aconselho a leitura de duas entrevistas com Pierre-Olivier Sabalot. Este professor francês, que leccionou na África do Sul, é o autor da excelente obra bibliográfica “Verwoerd. Le Prophète assassiné”, publicada pelas éditions du Camas, em 2009, sobre este tão incompreendido primeiro-ministro, habitualmente chamado “pai do Apartheid”, assassinado em pleno parlamento em 1966. A primeira tem por título “A morte da sentinela”, foi feita por Christian Bouchet e está traduzida em português no No-Media.info. A segunda, “A nova África do Sul ou o fracasso da sociedade multi-racial”, em francês, é mais longa e está disponível no Altermedia.

Renaissance Européenne n.º 83

No último número do órgão trimestral da associação Les Amis de la Renaissance Européene e da Terre et Peuple - bannière Wallonie, com sede em Bruxelas e dirigida por Georges Hupin, podemos encontrar artigos de Lionel Franc, François-Xavier Robert, P. J. Dunbar, uma recensão à revista «Terre et Peuple» e ainda algumas breves da actualidade e notícias sobre as actividades da associação.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Uma história americana

Os americanos adoram histórias inspiradoras, enternecedoras e bastante cor-de-rosa. De preferência sobre situações fora do comum onde, contra todas as expectativas, tudo corre extraordinariamente bem. Lições de vida prontas a servir de exemplo prático do sonho americano. É isso que é “Um Sonho Possível”. É uma história americana, mais concretamente da América conservadora dos estados do Sul.

Parece outra historieta inverosímil, até mesmo fantasiosa, mas não. O filme é baseado no livro “The Blind Side: Evolution of a Game”, escrito pelo jornalista Michael Lewis, que conta a história real da família Tuohy que adoptou, caridosa e cristãmente, um jovem negro de 16 anos que nunca conheceu o pai e foi retirado muito novo à sua mãe toxicodependente. Apoiando-o nos estudos feitos num colégio privado e iniciando-o no futebol americano, levaram-no a uma bolsa de estudo desportiva universitária que lhe proporcionou a entrada como nova estrela numa equipa da National Football League. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sobre a "Ressurreição"

Como falei aqui da "Ressurreição", faz todo o sentido republicar o excelente post que o VL colocou em devido tempo no defunto (blogosfericamente) Jantar das Quartas.

A 'Ressurreição' foi escrita por Diogo Pacheco de Amorim e musicada por José Campos e Sousa durante o 'Verão Quente' de 1975, num momento de grande vontade combativa e de alguma esperança, nas vésperas de uma tão desejada insurreição civil e militar contra o poder comunista-esquerdista secretariado pela ala radical do MFA, que então dominava Portugal.

Não quis a História que acontecesse senão um 'sobressalto rectificador', um bem preparado, preventivo e vitorioso contragolpe dos militares ainda fiéis à disciplina, perante a sediciosa sublevação de várias unidades de paraquedistas, abandonadas pelos seus oficiais, revoltadas e manipuladas pela extrema esquerda, da acção de alguns grupos de bandidos armados e a eventualidade da adesão de outras unidades dominadas pela esquerda revolucionária ou pelo PCP, em 25 de Novembro de 1975.

Não se tendo verificado o levantamento nacional verdadeiramente patriótico e libertador de que o hino deveria ser um dos símbolos, ele não deixou, porém, de ser muito celebrado e logo cantado, não só entre os grupos exilados em Espanha como nas redes de patriotas organizados em Portugal - que o receberam através de milhares de 'cassettes'. Naturalmente, permaneceu como uma marcha de Esperança, uma bela expressão da indomável vontade de combater por um Pátria "acordada, da morte esquecida", uma 'centelha' que persiste em brilhar nas 'trevas da noite'; Não é por acaso que a letra é uma expressão poética e épica de um reencontro de Portugal consigo próprio, a celebração de um imperioso "quebrar de cadeias', apontado ao futuro. E muito acentuada pelo tom alegre, exaltante claro e afirmativo de uma música plena de ritmo que anima e entusiasma.

Num quadro da aparente 'normalização', depois do 25 de Novembro de 1975, as novas gerações enfrentavam, todavia, os mesmos fantasmas do 'Verão Quente' de 75 nos liceus e universidades. Reinava uma literal ditadura da esquerda marxista, assente não só nos programas, mas na coacção física exercida por grupos partidários e irregulares. Violenta e imediata era a resposta a quem contestasse o sentido da "revolução", a legitimidade da 'autoridade democrática' e as (im)próprias formas actuação da esquerda dominante - que feriam o mais elementar pluralismo. Entretanto, a celebração do Dia de Portugal foi suprimida, perante pública indiferença geral. Era praticamente proibido, celebrar e evocar Portugal e a Nação Portuguesa como Valores superiores, permanentes, e disso fazer um acto político.

Nesse contexto o Movimento Nacionalista, lançou activamente uma ofensiva enérgica, a partir de um núcleo de militantes que tinha crescido entre a juventude do Partido do Progresso e se desdobrou nos dois lados da fronteira durante o crítico 'Verão Quente'. Por si só, aliado, ou apoiando outros grupos de jovens patriotas ou independentes, o MN expandiu-se activamente e não se limitou à luta de libertação patriótica nas escolas. Porque havia um sentido maior e preciso nos objectivos propostos, porque obedecia a um sentido nacional, resistiu e lutou contra a suspensão do 10 de Junho - Dia de Portugal e trouxe para a rua, derrotando também o "General Verão", toda a juventude e todos os portugueses que quisessem fazer do 10 de Junho uma jornada de afirmação portuguesa, acima de qualquer sectarismo. Com símbolos próprios.


A 'Ressurreição' tornou-se então o hino do Movimento, cantado na rua, em todas as reuniões, nos acampamentos e nos convívios urbanos. Uma decisão legítima e adequada uma vez que o espírito da "Ressurreição" era exactamente o daqueles dias. De facto, todos sentiam que a "Ressurreição" fora criada, afinal, para os jovens nacionalistas, nem mais. E tornou-se também um desafio cantá-la abertamente, um sinal de renovação, num país cansado e enganado. As maiores manifestações patrióticas, realizadas na Av. da Liberdade e nos Restauradores durante os anos 80, entoaram a "Ressurreição" apoiadas por aparelhagens sonoras mais eficazes. E o hino-marcha vulgarizou-se.

Houve, entretanto, quem pensasse em alterar a letra para obedecer a circunstãncias novas, numa perspectiva 'utilitária', e 'funcional'. Nada disso é legítimo e admissível. A identidade de uma obra, não se manipula, renova-se em novas criações. A integridade de um hino, da sua música e da sua letra, é o que o torna único, uma memória viva, registo de uma intenção, que, apesar de datada, continua a designar um Destino. Isso é o que vale, e nada disso mudou. Restam as contingências da acção política, mas isso já é uma outra história.

VL

Ressurreição: o nosso hino

É uma Pátria quebrando cadeias,
É um silêncio que volta a cantar,
É um regresso de heróis às ameias,
Da cidade que volta a lutar.

É um deserto que vemos florir,
É uma fonte jorrando de novo,
É uma aurora que volta a sorrir
Nos olhos cansados do Povo.

E já ardem bandeiras vermelhas,
Nos campos há gritos de guerra,
Nas trevas da noite há centelhas,
Das rosas em festa da terra.

Canta o vento nos trigos doirados,
Dançam ondas à luz das fogueiras,
E nas sombras guerreiros alados
Erguem espadas entre as oliveiras.

É uma Pátria de novo sagrada,
Acordada da morte esquecida,
Vitória da nova alvorada:
Lusitânia em giesta florida.


Letra de Diogo Pacheco de Amorim
Música de José Campos e Sousa

A festa do PNR


A festa do 10.º aniversário do PNR que decorreu no passado sábado foi excelente. O local era óptimo e dezenas militantes acorreram com as respectivas famílias, o que tornou este evento num encontro como nunca antes havia visto no nosso país. Beneficiando do espaço, foi possível ter várias bancas com artesanato, produtos alimentares, livros, revistas, entre outros, bem como um palco onde discursou o presidente do partido actuou o José Campos e Sousa.

Esses para mim foram os pontos altos deste encontro. Em primeiro lugar, gostei especialmente das palavras do meu amigo e camarada José Pinto-Coelho. Principalmente quando elogiou os anteriores presidentes – já que considero que quem foi presidente do PNR, apesar de qualquer divergência, merece o meu respeito e agradecimento – e quando traçou uma breve história do partido. Dividiu-a em três fases: a da "fundação", que corresponde ao período de criação do PNR; a da "projecção", que corresponde a da grande visibilidade do PNR para o exterior; e a da "maturidade", a actual, que corresponde a um período de organização e solidificação interna.

Por fim, não posso deixar de me congratular por ter cantado em conjunto a "Ressurreição", música sobejamente conhecida dos nacionalistas, que em breve será adoptada como hino oficial do PNR, segundo informou o presidente do partido.

O último comentário vai para a imprensa. O único órgão que se dignou aparecer foi a TVI, mas como nada relatou, fica a ideia de que a "extrema-direita" só é notícia quando há confrontos ou bizarrias. Neste caso, onde decorreu uma festa agradável, em família e que se pautou pela organização, já não interessa. Este é um critério "jornalístico" que deixo à consideração de cada um...

IdentidaD n.º 27

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Revista Tintin (I)


No ano passado disse aqui que ia partilhar nesta casa parte das pilhas de banda desenhada antiga (entre outras) que recebi por herança. Depois de ter iniciado a série de posts com cadernetas de cromos, começo aqui uma pequena série dedicada à revista semanal «Tintin - Le Journal des Jeunes de 7 a 77 ans», da qual tenho cerca de uma dúzia de exemplares.

Esta é a capa do n.º 35, de 2/9/1959, que na última página publicava a aventura "Tintin no Tibete". Para além do nosso repórter, a revista publicava várias histórias, na sua maioria em banda desenhada, para ir seguindo em cada número, bem como notícias e passatempos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O lado negro do arco-íris

Como disse no post anterior, a situação actual da África do Sul é desastrosa. No entanto, é sempre melhor fundamentar da melhor maneira tais afirmações, para evitar os habituais mimos (diga-se que insultos como "racista" e "fascista" não passam normalmente de fugas a debates incómodos). Assim, recorri à publicação do vídeo de uma reportagem televisiva francesa que demonstra o afirmado.

Neste trabalho isento, é de salientar a situação de miséria em que se encontram muitos brancos sul-africanos na sequência da imposição pelo governo do ANC de quotas raciais que dão preferência a negros em muitos empregos. Mas essa situação de miséria atinge também vários negros. É esclarecedor ouvir duas mulheres negras afirmarem que o governo actual só se preocupa com os ricos e mesmo que a situação que se vive hoje é pior que nos tempos do Apartheid. Também a extrema violência diária é focada nesta reportagem. Uma elevadíssima taxa de homicídios (incluindo o de um padre branco que ajudava há anos a comunidade negra mais pobre), de agressões, de violações, entre outros crimes, aliada a uma das mais altas taxas de infectados com o vírus da SIDA, são a face desta tragédia.

Neste cenário tenebroso, a segurança só é possível em verdadeiras "gaiolas douradas", como nos é mostrado pela vida de uma francesa que vive num condomínio de luxo que parece uma verdadeira prisão de alta segurança, com muros altos com arame farpado, guardas armados, cursos especializados de reacção e escolas para os filhos com localização desconhecida para evitar raptos.

Um olhar esclarecedor sobre uma terra onde a violência, as tensões raciais, o crime, a situação económica e social, pioraram de uma forma incrível. Um olhar que mostra a hipocrisia de celebrações fictícias como a da realização de um campeonato do mundo de futebol, num país que nada tem a glorificar perante a crua e dura realidade da situação presente.


O 1148.º fazendeiro

Eugène Terre'Blanche (31/1/1941 – 3/4/ 2010), líder do AWB (Movimento de Resistência Afrikaner), foi o 1148.º fazendeiro a ser assassinado na África do Sul desde a subida ao poder do ANC, em 1994. É um dado importante para perceber a realidade sul-africana de hoje. Mais importante ainda se analisarmos a comparação com dados do passado que faz o africanista Bernard Lugan no seu comunicado, onde refere também o discurso de ódio anti-branco que chega até altos responsáveis do ANC. Mas, é claro que neste inferno que se tornou a África do Sul, não são só os brancos as vítimas. Os dados impressionam e falam por si – mais de cinquenta homicídios diários! Um número superior a vários teatros de guerra contemporâneos.

Não obstante, Terre'Blanche foi a vítima perfeita para os media ocidentais, politicamente correctos. A sua postura, o seu discurso e – melhor ainda – a sua imagem (uniformes e iconografia a fazer lembrar o III Reich) foram ideais para distrair as massas da real situação de um país desastroso. Nada como o fantasma do nazi-fascismo para assegurar a eficácia do ilusionismo mediático.

Apesar destas manobras, às quais podemos juntar a hipocrisia da realização de um campeonato do mundo de futebol para celebrar o sucesso da nação "arco-íris", é cada vez mais difícil escapar à realidade e negar o descalabro vísivel de um país vítima da utopia da diversidade.

Tintin no país dos piratas


Para os apreciadores do mais famoso repórter do mundo, "Tintin au pays des pirates" é um sítio na internet onde é possível encontrar muitos dos álbuns piratas, pastiches e paródias desta personagem incontornável da banda desenhada franco-belga.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O Regresso de Mel Gibson

Do surpreendente mundo pós-apocalíptico de Mad Max (1979), Mel Gibson deu o salto para o cinema de acção dos anos 80. Experimentou depois com sucesso a realização, nomeadamente com a excelente incursão histórica “Braveheart” (1995) e, mais recentemente, com “A Paixão de Cristo” (2004) e “Apocalypto” (2006), que geraram certa polémica, tal como algumas das suas acções e afirmações. Agora decidiu regressar ao grande ecrã, infelizmente no que parece uma involução.

“Edge of Darkness”, que em português recebe a tradução livre “Fora de Controlo”, é a adaptação ao cinema de uma mini-série televisiva britânica homónima de 1985. Realizada pelo mesmo Martin Campbell, que depois se tornaria mais conhecido por dirigir duas aventuras do famoso agente secreto James Bond, era um “thriller” ecológico em seis episódios que recebeu vários prémios e foi um êxito junto do público.

Em filme a coisa já não funciona tão bem. O ritmo é bom, mas a história perde muito nesta versão. Tudo tresanda a filme ultrapassado com um cenário actual. [continua na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

Dia d'O Diabo

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Maccarthysmo (II)

Em Dezembro do ano passado, Rod Liddle, colunista do «Spectator», publicou no seu blog, associado ao sítio da revista na internet, um texto intitulado "Benefícios de uma Inglaterra multicultural". Uma afirmação desse texto provocou polémica: "A esmagadora maioria do crime nas ruas, com armas brancas e de fogo, assaltos e crimes de violência sexual em Londres é perpetrada por jovens da comunidade afro-caribenha".

A frase motivou uma queixa à Press Complaints Commission (PCC), que lhe deu seguimento, considerando que havia inexactidão nos dados. Mesmo após o «Spectator» ter apresentado dados para consubstanciar a afirmação, a PCC não retirou a queixa.

Maccarthysmo (I)

"Há hoje em França um ambiente maccarthysta." Quem o afirma é Éric Zemmour, escritor, jornalista e comentador político francês, na sequência da ameaça de apresentação de queixa judicial contra ele por parte de associações anti-racistas e a possibilidade de despedimento do «Figaro Magazine», revista onde é colunista. Na origem de tudo isto está um debate televisivo no Canal+ onde Zemmour, respondendo a quem afirmava que "a polícia apenas pára negros e árabes", disse que "os franceses de origem imigrante são mais controlados que os outros porque a maioria dos traficantes são negros ou árabes". Habitualmente polémico, Zemmour viu-se acusado de ser "racista" por todos aqueles que o querem silenciar. Depois de uma manifestação popular em seu apoio em frente ao jornal «Le Figaro» e de ter escrito uma carta à LICRA, acabou por ver a queixa retirada e o seu lugar assegurado. Seja como for, é mais um episódio da reiterada tentativa de controlo da opinião que vivemos hoje em dia.

O filho como cobaia

A reportagem da televisão norueguesa que partilho abaixo (legendada em inglês) é elucidativa do grau de etnomasoquismo a que certos europeus chegam. Conta a história de um rapaz cujos pais progressistas o matricularam numa escola onde a maioria dos alunos são imigrantes e muçulmanos, para que ele pudesse preparar-se para uma sociedade multi-étnica. Será uma perigosa tentativa de utopia social de uns pais irresponsáveis dispostos a fazer do seu próprio filho cobaia? Obviamente. Como se pode ver no vídeo, a criança não consegue fazer amigos, é agredida, sofre atitudes discriminatórias, racismo anti-branco e bullying (como agora se diz).

É interessante notar como a mãe afirma que todo o seu "conhecimento sobre a sociedade multi-étnica é muito académico" e que não vive realmente nela. Por fim, admite que não pode utilizar o filho no que chama "a sua luta particular por uma sociedade melhor", pois apesar de achar que não é "bom para a integração", diz que "não é bom mandar rapazes à frente para a guerra". Decide, assim, mudar a criança para uma escola onde os alunos são na sua maioria autóctones e as coisas passam a correr bem. Apesar dessa decisão, continua a acreditar na mesma ideologia e reconhece que "é muito estranho, como velha anti-racista, ver que crianças iguais brincam melhor juntas" e que fica chateada porque "se nem as crianças conseguem resolver, como é que os adultos vão conseguir entender-se?"