domingo, 31 de janeiro de 2010

Numa manhã de nevoeiro...

O Zentropa referiu o nosso D. Sebastião, o último rei do mundo antigo, que pouco é referido entre nós. Hoje, mais que nunca, urge reinterpretar o sebastianismo.

Frase do dia

«Comemorar a Iª República é igual a comemorar o dia em que o nosso tio-avô contraiu sífilis.»

Alberto Gonçalves
in «Diário de Notícias».

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Crónica de uma morte anunciada?

O jornal «Reconquista», de Castelo Branco, publicou ontem um artigo de opinião onde o director, Agostinho Gonçalves Dias, reflectindo sobre a baixa taxa de fertilidade dos europeus calcula que "em 2050 a actual civilização europeia terá desaparecido". Sobre a vinda de imigrantes extra-europeus, apontados muitas vezes como solução para o envelhecimento da Europa, afirma: "a nova população é de uma civilização totalmente diferente da nossa, marcada pela matriz cristã; é o islamismo que está a invadir a Europa impondo a sua cultura, que não se integra em qualquer outra." Falando ainda da islamização crescente em vários países europeus, conclui que "no ano da biodiversidade, é preciso reflectir a perda de uma cultura."

Talvez a solução se expresse numa única palavra, curiosamente a que dá o título ao jornal.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

CineMais em linha

CineMais, coluna do semanário «O Diabo» onde escrevo sobre filmes a partir de ontem, tem também um espaço blogosférico homónimo, onde têm lugar o cinema, os livros, a banda desenhada, entre outros. Opiniões, críticas, sugestões, impressões, notícias, etc. A acompanhar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

CineMais

Uma novidade no semanário «O Diabo» de hoje é a estreia da secção "CineMais", uma coluna da minha autoria, onde escreverei sobre filmes, a partir de agora, fazendo também algumas sugestões para a semana.

Neste primeiro texto, decidi falar do filme que mais me marcou no ano passado: Gran Torino. Aqui fica o primeiro parágrafo: "Gran Torino, o grande filme de 2009 é, tecnicamente, de 2008, pois em Dezembro desse ano foi projectado pela primeira vez nos EUA. No entanto, só no ano seguinte se seguiria a estreia noutros países, incluindo o nosso. Clint Eastwood, que tem vindo a tornar-se um realizador de primeira linha – lembremo-nos de filmes como Mystic River, Million Dollar Baby, e os extraordinários Bandeiras dos nossos pais e Cartas de Iwo Jima –, não deixou ninguém indiferente com esta obra-prima, onde foi igualmente o actor principal, que o elevou até ao estatuto de mestre cinematográfico." (continua na edição desta semana de «O Diabo»)

É comprar o jornal e estar atento às novidades blogosféricas.

Dia d'O Diabo

sábado, 23 de janeiro de 2010

Tetro

Fui ver o regresso de Coppola e gostei. "Tetro" podia ir mais além, talvez tivesse a possibilidade de se tornar um filme de culto. Todas as questões e muitas das críticas que li podem até ser justificadas, mas não quero deixar de salientar alguns dos aspectos positivos. A lembrar "Rumble Fish", a alternância entre o preto e branco e a cor funciona na perfeição, desta vez em digital. Também a história, apesar de o desenrolar do final não ter o brilhantismo que tem no início, retrata um ambiente em que Coppola está como "peixe na água": um reencontro familiar que esconde um segredo, onde nada corre como esperado. Tudo isto se passa em Buenos Aires, o que só por si constitui outra maisvalia nesta surpresa. Na prestação dos actores, há que lamentar o desempenho q. b. de Vincent Gallo (conseguiria melhor?), e louvar o notável trabalho de Maribel Verdú. Feitas as contas, chega a três estrelas... e meia, se houvesse tal classificação.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Renaissance Européenne n.º 82

A capa do último número do órgão trimestral da associação Les Amis de la Renaissance Européene e da Terre et Peuple - bannière Wallonie, com sede em Bruxelas e dirigida por Georges Hupin, faz alusão à resistência na terra de Guilherme Tell. Nesta «Renaissance Européenne» podemos encontrar artigos de François-Xavier Robert, sobre o referendo que ditou a interdição dos minaretes na Suíça, de Youri Boudeux, sobre o Graal, de P. J. Dunbar, sobre a "Vírusmania" e de Pierre Vial sobre Santiago Montero Díaz, de Robert Steuckers sobre geopolítica bioceânica, a recensão à revista «Terre et Peuple» e ainda algumas breves da actualidade. Merece, por fim, destaque nesta edição o artigo sobre a associação portuguesa Terra e Povo.

Filmes de culto (XXXIV)

The Elephant Man, David Lynch, 1980.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

“bum!”

A coluna “Fogo Amigo” que António Marques Bessa assina semanalmente n'«O Diabo» é realmente um estrondo. Para quem ainda não acompanha, há uma passagem do seu texto de hoje, sobre “Lei e Justiça”, que não resisto a partilhar: “Há uma coisa que eu gostaria de legalizar: armas para todos, mesmo as de calibre de guerra. Por que é isso que aí vem. E eu não quero morrer como um rato velho, numa viela, abatido por um sujeitinho armado, que é um rato muito novo, que só quer a minha carteira. Mas, efectivamente, ele deve perceber que pode ter uma surpresa. E isso é que é bom. Qualquer ministro, nestes casos, pode vir a ter uma surpresa. E isso também é melhor que andar com um colar ao pescoço a provar a sua popularidade e isso fazer bum! quando a popularidade medida estiver em baixo”.

Dia d'O Diabo


domingo, 17 de janeiro de 2010

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 46

A obrigatória «La Nouvelle Revue d'Histoire», dirigida por Dominique Venner, já está disponível nas bancas portuguesas. Este número 46 tem como tema central “Napoleão. O Imperador visto da Europa”, com um dossier onde podemos encontrar uma cronologia e vários artigos e entrevistas a Inglaterra, a Itália, a Espanha, a Alemanha, a Áustria e a Rússia, mas no qual infelizmente falta um sobre Portugal, apesar de na apresentação se referir o nosso país como um dos “resistentes”. Destaque ainda para grande entrevista com o historiador Bartolomé Bennassar sobre a Espanha e a Europa, e os artigos “Mestiçagem, identidade e doce comércio”, de Jean Monneret, “A Herança imensa de Jean-Sébastian Bach”, de Jean-François Gautier, “Metternich, um rei sem coroa”, de Emma Demesteer, entre outros, para além da entrevista com Christian Helmreich sobre a Alemanha dos irmãos Humbolt. Referência especial para o artigo “O tráfico das especiarias e outras lendas históricas”, de Jacques Heers, onde o grande medievalista aponta os excessos das modas na história, nomeadamente as leituras liberais ou marxistas do “todo económico”, afirmando que “a história oficial negligencia a amplitude da guerra dos portugueses contra o islão no oceano Índico”. Como sempre, temos a crónica de Péroncel-Hugoz e as secções habituais.

Uma óptima novidade, especialmente para quem ainda não conhece a revista, é a possibilidade de podermos agora folheá-la online no sítio journaux.fr.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Frase do dia

«Nem a Assembleia, nem o Presidente se perguntam por que razão Portugal recaiu no velho vício do endividamento externo e interno, que lentamente corrompeu a Monarquia Liberal e liquidou à nascença a I República.»

Vasco Pulido Valente
in «Público».

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Indispensável

Nuno Rogeiro fala da "Antologia Poética de Rodrigo Emílio" na última edição da revista «Sábado». Diz que o Rodrigo, "como não se sabe, foi um grande poeta do pequeno Portugal." Refere a editora e o prefácio "subtil e completo" de António Manuel Couto Viana, para terminar assim: "Dizer indispensável é dizer pouco." É de louvar.

Mas há um reparo a fazer; um "pormaior"... Nesta nota, "esquece" o Bruno Oliveira Santos. E não se percebe porquê, já que seria indispensável referir quem organizou a antologia e fez a introdução.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A África por quem sabe


Bernard Lugan é um africanista francês que incomoda uma certa esquerda (que normalmente demonstra uma ignorância gritante sobre o assunto) e os politicamente correctos do costume, devido ao seu profundo conhecimento da realidade do continente negro e às suas posições livres. Doutorado em História, é professor na Universidade Lyon III, conferencista noutras universidades e leccionou durante onze anos na Universidade Nacional do Ruanda. Colabora em várias revistas, nomeadamente «La Nouvelle Revue d'Histoire» – que costumo referir aqui –, na Radio Courtoisie e é autor de vários livros sobre a História africana, o Ruanda, o Egipto, Marrocos, a colonização, a Guerra dos Boers, os franceses na construção da África do Sul, a Luisiana, entre outros. Das suas obras destacam-se "Pour en finir avec la colonisation", publicado em 2006, e a monumental "Histoire de l'Afrique, des origines à nos jours", publicada no ano passado. Foi também perito no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda e dirigiu a revista "Afrique réelle", entre 1993 e 2005, e anunciou recentemente o lançamento de uma revista electrónica, inspirada nessa, intitulada "L'Afrique réelle. La lettre africaine de Bernard Lugan".
Por tudo isto, vale a pena visitar o blog oficial de Bernard Lugan. Para ler e ouvir quem sabe.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Parar o desastre


"O processo ainda pode ser parado", afirmava Vasco Graça Moura no «Público» sobre o (des)acordo ortográfico. Sem dúvida! Não é, por isso, tarde para ler o pequeno mas esclarecedor livro "Acordo Ortográfico: A Perspectiva do Desastre", publicado em 2008 pela Alêtheia, que reúne os artigos do escritor sobre o assunto publicados no «Diário de Notícias» e a sua intervenção na conferência internacional promovida pela Assembleia da República em 7 de Abril de 2007, bem como a publicação do Acordo.

PNR na televisão

Notícia da RTP sobre a IV Convenção Nacional do PNR.

domingo, 10 de janeiro de 2010

PNR renovado

Terminou hoje a IV Convenção Nacional do PNR, sendo reeleito como presidente José Pinto-Coelho, que apresentou uma lista aos órgãos sociais renovada e um projecto estruturado com as linhas de acção para o futuro do partido. Os trabalhos decorreram com elevação, tendo sido apresentadas várias moções e comunicações, havendo debate e espaço para uma importante reflexão interna. Por fim, foi com agrado que vi o acto noticiado no telejornal da RTP (na imagem) e em alguns jornais online.

A nossa moção estratégica

Durante o primeiro dia da IV Convenção Nacional do PNR, ontem, coube-me ler a moção estratégica subscrita por mim e pelos meus amigos e camaradas Humberto Nuno de Oliveira e José Carlos Craveiro Lopes. Foi com grande satisfação que a vimos ser aprovada pelos militantes presentes. Segue-se a eleição de novos órgãos sociais hoje, o segundo dia dos trabalhos.

10 anos de PNR: Balanço de uma década. E depois?

Não venci todas as vezes que lutei;
mas perdi todas as vezes que deixei de lutar!

A concretização de um sonho
O aparecimento do PNR constitui, na altura, a concretização de um sonho para muitos de nós que militáramos antes em diversos movimentos e associações da dita “área nacional”, ou apenas sem qualquer filiação. Costumávamos ser os observadores da ponta da Europa. Habituados a olhar lá para fora e ver a realidade de partidos que não só existiam, de facto, como conseguiam “criar poder”.
Finalmente a oportunidade foi criada com o esforço de alguns que até hoje recusam os louros, como verdadeiros militantes que são. Apesar de todas as divergências, entendemos que o nosso lugar era o mais difícil, isto é, dentro. E nunca o cómodo lugar de “treinador de bancada”, tão crítico como ausente.
Abria-se uma frente política para o nosso combate. E como desertar? Perante a descrença e o desânimo da maioria, avançámos com convicções. Não com as ilusões do partidarismo dos lugares e dos interesses, mas a força dos ideais – hoje tão esquecidos –, que marcam a nossa presença que se afirma pela diferença.

A dura lição do trabalho
Neste árduo percurso, desde logo se notou a falta de uma cultura associativa. A inexperiência e a desconfiança de um mundo ao qual não estávamos a habituados. Um mundo que, aliás, recusáramos durante tanto tempo.
Mas com todas as críticas possíveis, devemos entender os erros desse tempo como parte do processo de amadurecimento e crescimento. O facto de termos tudo contra nós, pode fortalecer-nos como aqueles que nos atacam nunca imaginariam.
Mas isto, claro, se entendermos o nosso combate como uma forma de vida e não como um hobby, uma forma de entretenimento. Ou pior, uma forma de afirmação de nós próprios perante algo ou alguém.

A armadilha da ditadura mediática
Na sociedade do espectáculo em que vivemos hoje é difícil resistir à tentação dos “15 minutos de fama”. Num mundo do imediatismo e do presentismo é muito difícil transmitir uma mensagem de esforço continuado e de combate a longo prazo, depois do fast-food instalou-se o fast doing. Os resultados não aparecerão amanhã, mas o nosso trabalho deve garantir as gerações futuras – essa é a nobreza do nosso combate. A nossa satisfação é apenas o sentimento do dever cumprido e nunca o da recompensa imediata. Somos homens de pé, resistentes pensantes, não animais de circo no carrossel hedonista.
O aparente sucesso da exposição mediática, normalmente guiado pela máxima “fala mal, mas fala de mim” é não só perverso como demasiado prejudicial a longo termo. Numa fase inicial, é irresistível. Queremos que “nos conheçam”, mas na verdade permitimos a outros que nos dêem a “conhecer”. A imagem que passa – e não é mais que isso mesmo, uma imagem – nunca é, obviamente, a que queremos.
Depois de toda essa visibilidade, a queda. Pior, a banalidade, a anedota, a “coisa” estranha e distante, com a qual ninguém se identifica.
E como sair?

A chave: Seriedade
Uma das perguntas recorrentes na nossa área política, aqui e no estrangeiro, é: queremos verdadeiramente ganhar? Para os poucos que respondem que sim, não é preciso lembrar que tal apenas se faz com trabalho, disciplina, probidade e seriedade. Esta atitude é, aliás, a chave da nossa vitória. Devemos ser o exemplo e jamais alvo de opróbrio.
O primeiro passo no nosso caminho somos nós próprios. Se não encarnarmos o nosso ideal, estamos a tentar passar ideias ocas, sem sentido, como que a vender embalagens vazias. Tal pode não ser fácil nos tempos que correm, mas é exactamente nesse esforço e nessa fidelidade que nos tornaremos exemplo a seguir. Não devemos camuflar o que somos ou queremos. Se nos queremos representantes da Nação, não podemos viver num gueto, pois nunca chegaremos aos nossos compatriotas. A única forma de o conseguir é sendo sérios e responsáveis.
Numa altura de inversão de valores, respeitaremos a Tradição. Como escreveu o historiador francês Dominique Venner: “Viver de acordo com a tradição é abraçar os ideais que ela encarna, é cultivar a excelência em relação à sua natureza, reencontrar as suas raízes, transmitir uma herança, ser solidário com os seus. Isto também significa expulsar de nós próprios o niilismo, mesmo que nos sacrifiquemos em aparência às normas práticas de uma sociedade que está escravizada pelo desejo”.

Da política espectáculo à influência política
Recusando a cegueira das luzes da fama aparente, podemos concentrar-nos no importante trabalho de “criação de poder”. Muito foi já feito nas duas últimas eleições a que o PNR concorreu. É disso exemplo a presença de militantes nas mesas de voto e as candidaturas a juntas de freguesia. Mas, como sempre, há muito mais a fazer. Norteados pelo princípio da implantação local, devemos ter como prioridade a real existência de núcleos operativos de militantes na maioria do território nacional, a influência em associações e organizações locais ou de causas transversais, apenas para referir as mais importantes.
Para levar a cabo todo este esforço temos que estar preparados. É necessário iniciar uma preparação interna de quadros, aptos aos desafios de amanhã. Começando dentro das medidas das nossas possibilidades, sem megalomanias, dando prioridade aos dirigentes do partido e militantes mais activos.
Em todo o nosso trabalho fundamentado, que nos levará por fim à desejada influência política, jamais deveremos deixar de ter sempre presentes os nossos objectivos.

O que queremos?
Queremos a vitória das nossas ideias – da nossa concepção do mundo. Não podemos confundir esta nossa vontade com um efémero sucesso eleitoral do partido, ou de uma sigla, embora a devamos igualmente perseguir enquanto partido com base num trabalho estruturado. A nossa via, porém, não é a do imediatismo. A nossa luta é um longo caminho no qual nunca podemos esquecer os pontos-chave: a defesa da nossa identidade étnica, cultural e civilizacional; o combate ao liberalismo e ao mundialismo; a defesa da justiça social e do Ambiente. Propomos ideias adequadas aos tempos modernos, mas ancoradas em valores eternos.
Negrito

O nosso legado
Como militantes, interessa-nos mais o combate que a vitória. Acreditamos nela, mas não precisamos dela para continuar. Como os construtores de catedrais, o nosso mérito é a fidelidade à continuação da obra e a valorização do trabalho conjunto. Não esqueçamos nunca que a História é sempre inesperada e, quando a altura chegar, temos que estar preparados. Como um elo na corrente da perenidade da nossa Nação, aprendemos com os que nos antecederam e passaremos o testemunho aos que nos seguirem. Somos os portadores da chama.

Duarte Branquinho,
secretário da Mesa da Convenção Nacional
Humberto Nuno de Oliveira,
presidente do Conselho de Jurisdição Nacional
José Carlos Craveiro Lopes,
membro do Conselho Nacional

sábado, 9 de janeiro de 2010

A coisa republicana

O Eurico de Barros desmascara bem a propaganda republicana que aí vem a propósito do centenário da coisa, na sua crónica no «Diário de Notícias», com o título "E querem comemorar a carcaça?". A propósito da "ética republicana", lembrei-me de António Marques Bessa, que na sua coluna habitual n'«O Diabo», na passada terça-feira, definia como "a do assassinato justificado pelos últimos fins".

Referendo?

Isso é que era bom! Deviam pensar que os "democráticos" iam confiar uma decisão tão importante para o "progresso nacional", como o casamento entre pessoas do mesmo sexo (para quando a legalização da poligamia?), ao povinho retrógrado e ignorante. É a forma hipócrita como o referendo é encarado hoje, como falei aqui.

Quem disse que a blogosfera morre?

Apesar de sentir falta de alguns blogs que fecharam ou estão suspensos, gosto de ver que continuam a aparecer novidades que prometem é o caso do Mar d'Outubro. Entrada directa para a coluna do lado, bem vindo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Boas leituras

Robert Steuckers publicou no excelente Euro-Synergies a lista de artigos lidos e a ler na escola de quadros da Synergies Européennes em 2009. Estão divididos em várias áreas (História, Literatura, Filosofia, Economia, Geopolítica, etc.) e entre as revistas referidas contam-se algumas que aconselho aqui regularmente, como a «Terre & Peuple» e «La Nouvelle Revue d'Histoire», por exemplo. Mas houve uma referência que me agradou bastante, foi ao número de Dezembro do «Magazine Littéraire», de que falei aqui. Para além destes, dezenas de óptimos conselhos. Boas leituras!

Para amanhã e depois


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Releitura de Mário Saa

"Itinerários Romanos do Alentejo — uma releitura de 'As grandes vias da Lusitânia — O itinerário de Antonino Pio', de Mário Saa, 50 anos depois", é o título do livro muito interessante de André Carneiro, docente do Departamento de História da Universidade de Évora, sobre a opus magna deste autor tão polémico. As Grandes Vias de Saa, que lhe ocuparam muitos anos de estudo e pesquisa no terreno foram sempre muito criticadas e o seu valor nunca foi reconhecido. Esta releitura de "As grandes vias da Lusitânia - O itinerário de Antonino Pio", vem finalmente realçar a "grande e inigualável utilidade de As Grandes Vias para o investigador contemporâneo: esquecidas as interpretações fantasiosas, as imprecisões por excesso ou as lacunas na análise crítica, os seis tomos constituem um formidável manancial de informação relativa aos sítios arqueológicos que os marginam".

André Carneiro faz também uma nota biográfica de Mário Saa, mas ao analisar as múltiplas perspectivas de Saa no estudo das vias dá-nos a conhecer melhor alguém que considera "dono de uma vasta cultura geral". Quem lê habitualmente este blog sabe que partilho essa opinião e que considero Saa um visionário em muitos assuntos. É por isso que concluo com a seguinte citação: "De uma forma fulguralmente lúcida para o seu tempo, Saa pressente que o progresso tecnológico está a conduzir à imparável destruição de um mundo milenar, e que se torna necessário, se não salvar — porque tal acontece perante o alheamento de um poder público que, esse sim, estaria capacitado para o fazer — pelo menos registar para o futuro, para que dele sobreviava a memória".

Bourgeon continua

O «Público» distribuiu no ano passado a colecção da banda desenhada de Bourgeon, “Os Passageiros do Vento”, que incluiu um álbum inédito, “A Menina de Bois-Caïman - Livro 1”. Hoje completa essa aventura com a o Livro 2.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

IdentidaD n.º 24

A guerra continua...

Perante a notícia de que, entre Janeiro e Novembro de 2009, foram assassinadas 5318 pessoas no estado do Rio de Janeiro, tendo morrido "29 polícias em serviço e 974 suspeitos em confrontos com os agentes", lembro-me do filme-revelação Tropa de Elite e do seu início: "O Rio de Janeiro tem mais de 700 favelas. Quase todas dominadas por traficantes armados até os dentes. É só nego com TR15, HK, Pistouse e por ai vai. No resto do mundo essas armas são usadas para fazer guerra; no Rio, são armas do crime. Um tiro de 762 atravessa um carro como se fosse papel. É burrice pensar que numa cidade assim, os policiais vão subir favelas só pra fazer valer a lei. Policial tem família, meu. Policial também tem medo de morrer. É por isso que nessa cidade todo policial tem que escolher: ou se corrompe ou se omite ou vai para a guerra".

Hoje

«Get off my lawn!»

Ontem

«Go ahead, make my day.»

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Zentropa em entrevista


O blog Zentropa.info não se assemelha a nenhum outro. Futurista, nacionalista, europeu, combina um grafismo vanguardista com uma linha resolutamente anti-moderna. Entrevista com a equipa editorial.

Porquê «Zentropa»?
O nome tem origem num filme neo-expressionista. Enquanto alguns sobressaltos agitam ainda a Alemanha no crepúsculo da segunda guerra civil europeia, uma companhia de caminhos-de-ferro, Zentropa, recomeça penosamente a circular pelas velhas pátrias, tornando-se símbolo de reconstrução e de uma possível unidade.

Um blog como os outros?
Zentropa é a expressão política de uma falange de camaradas disseminados por vários continentes. O blog é simplesmente um instrumento de comunicação, de criação e de informação, ao serviço dessa comunidade. O que origina várias diferenças. A primeira, é a sobriedade do anonimato em contraste com a blogosfera onde pululam os egos. Em seguida, a persistência exigida: cerca de oito novas rubricas quotidianas desde há vários anos. Segue-se o seu carácter internacional e pluri-linguístico. É, por fim e sobretudo, por trás da janela virtual a realidade do clã zentropista. Se há efectivamente um estilo Zentropa, é primeiro que tudo o estilo de vida dos zentropistas.

Quem são os zentropistas?
O clã que formamos visa, por um lado, impedir o emburguesamento dos seus membros assegurando uma solidariedade material e moral infalível entre estes, enquanto por outro lado, procuramos incentivar os nossos contemporâneos para o desprezo pela vida cómoda e a revolta contra o mundo moderno. Nem sectários nem odiosos, preferimos a política de exemplo à do bode expiatório. O espírito zentropista posiciona-se sob a égide de Primo de Rivera, que declarou: "No curso dos séculos que viram amadurecer o esforço que conduziu ao Império, não se dizia "contra os mouros" mas "Santiago de Espanha", que era um grito de esforço, de ofensiva. Da Espanha una, grande e livre e não da Espanha cobarde e medíocre."

Quais os vossos objectivos?
Na base do nacionalismo e do sindicalismo revolucionário, o projecto Zentropa apoia e divulga a actualidade do activismo de terreno (nas ruas, nos estádios, nos concertos) de Portugal à Rússia, da Suécia à Grécia e particularmente do vanguardismo italiano. Mas o blog Zentropa ultrapassa largamente o estrito quadro político para difundir os críticos da nossa sociedade industrial e consumista (Baudrillard, Anders, de Benoist, etc.); promover princípios de fidelidade, de ordem, de justiça social mas também defender e ilustrar o decrescimento económico ou o dadaísmo; dar a conhecer personagens ignoradas (Georges Valois, Italo Balbo, Gyp, marquês de Morès); organizar concertos, conferências, criar vídeos e uma literatura que coloca em evidência a abjecção do mundo contemporâneo. Resumidamente, criar novos argumentários, novas formas de expressão e agitação político-cultural, novas relações militantes.
Pela música, pela imagem, pelo discurso, pela crítica metafísica ou pela prática religiosa e por outros meios ainda por descobrir, o projecto Zentropa procura fazer renascer a força da ligação comunitária e alterar os comportamentos. Por uma comunidade de homens de pé, no tumulto da festa como no caos dos combates, uma só palavra: Zentropa!

Fonte: Esta entrevista ao blog Zentropa foi traduzida a partir da revista "Le Choc du Mois" e publicada no Inconformista.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Capitulação de Granada

A 2 de Janeiro de 1492 dá-se a capitulação de Granada e o fim da Reconquista da Península Ibérica. Um grande dia para a Europa e os europeus, a conservar na nossa memória.

O atirador "finlandês"

Noticiando o assassinato de quatro pessoas num centro comercial na Finlândia, parte da imprensa portuguesa referiu-se a Ibrahim Shkupolli, um imigrante kosovar-albanês, como o "atirador finlandês".

No caso do «Público», a notícia publicada na edição de ontem com o título "Atirador finlandês escolheu vítimas que alvejou", precisava no texto que "Shkupolli, de 43 anos, (...) terá chegado à Finlândia em 1990, mas não conseguiu a nacionalidade finlandesa por causa do seu registo criminal, disse o seu patrão".

sábado, 2 de janeiro de 2010

Feliz 2010?

Nem para todos... Kosovo no se vende lembra-nos o sofrimento de milhares de famílias sérvias no agora "independente" Kosovo, um narco-estado terrorista, criado com o apoio dos EUA e de vários países europeus. Não esqueçamos: Kosovo é Sérvia!

Aniversários (II)

A propósito dos 50 anos do Metropolitano de Lisboa e do novo design do «Diário de Notícias», lembrei-me que, há cinco anos atrás, escrevi um texto sobre os aniversários de ambos.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Televisão pública sem publicidade

A partir deste ano a televisão pública espanhola deixa de ter publicidade e "esta medida será colmatada nas finanças da TVe com compensações pagas pelos operadores privados com base nos seus lucros anuais". Também em França está previsto uma opção semelhante para o fim de 2011. Por cá, parece que se irá manter o que costumo chamar o modelo "feira popular". Passo a explicar: quando era miúdo e ia à Feira Popular de Lisboa, em Entrecampos, não percebia porque se tinha que pagar a entrada e as diversões. Nos parques de diversões (a sério) noutros países, ou se pagava uma entrada que incluía a utilização das diversões, ou não se pagava entrada, mas apenas o que se utilizava. Ora, a televisão pública portuguesa é financiada pela taxa audiovisual e pela publicidade, mantendo vivo o espírito da feira popular.

Como nesta terra é habitual seguir-se, mal ou bem, o que se faz lá fora, pode ser que estas alterações em Espanha e França inspirem a mudança.