quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Nevoeiro
Ontem, a passar no meu bairro, gostei de sentir o nevoeiro. Não resisti a registá-lo fotograficamente e a lembrar-me do nosso poeta:
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
Fernando Pessoa
in "Mensagem" (1934).
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Belíssima foto, belíssima lirica a ilustrar.
ResponderEliminarAbraço de Longe.
NBJ
Grande abraço.
ResponderEliminarTenho uns posts dedicados a ti para breve...
Bem metida! ;)
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