| José Pedro Zúquete |
Não estando de acordo com a proposta de José Pedro Zúquete, reconheço que levanta um assunto de elevada importância que não deve ser descurado. Considero que a lusofonia é uma área de influência geopolítica natural de Portugal e que deve por nós ser utilizada na afirmação da nossa cultura e posição internacional. Mas nunca considerar que tal pode ser deixado a outros. Nunca pela lusofonia devemos submeter-nos a interesses alheios. Pelo contrário, ter sempre presente que a nossa gloriosa gesta lusa foi mais uma das projecções da Europa. Não podemos esquecer o poder e amplitude da forma como tocámos o mundo, mas o que não podemos mesmo fazer é esquecer o nosso país e o nosso povo em nome dessa projecção. [publicado na última edição de «O Diabo»]
Não considero a ideia de Lusofonia e tudo que ela representa como reaccionária. Quem nasceu depois da descolonização dificilmente tem uma perspectiva de conjunto, em termos culturais e de identidade, em relação a ex-colónias e muito menos em relação ao Brasil e a Timor. O cepticismo de nacionalistas e não-nacionalistas em relação à dita Lusofonia - a qual alimenta ideia de uma futura federação de Estados lusófonos com um alcance utópico - é o distanciamento cultural e de mentalidades irreversível e as mais diversas assimetrias económicas desfavoráveis a Portugal e à sua identidade. Há também um certo anacronismo de olhar para a "gloriosa gesta lusa" (seja lá o que isso queira dizer...) ignorando o presente e os desafios dos destinos dos países lusófonos, que em nada parecem cruzados.
ResponderEliminarAh, o nosso europeu de serviço... eu como minho-timorense discordo, mas como não somos ministros dos Negócios Estrangeiros é irrelevante.
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