segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Comentário ao seminário sobre as direitas

José Pedro Zúquete
A defesa da lusofonia, normalmente recusada por um “novo nacionalismo” por oposição a uma atitude reaccionária, é uma proposta que é necessário encarar com cuidado. Por um lado, pensemos em tantas esquerdas que hoje mais parecem salazaristas quando nos falam nas nossas “obrigações históricas” para com o mundo lusófono. Por outro, a ideia de que Portugal “se cumpre” fora do nosso país é, no mínimo, perigosa para quem se afirma como nacionalista (o que não significa, necessariamente, “de direita”).

Não estando de acordo com a proposta de José Pedro Zúquete, reconheço que levanta um assunto de elevada importância que não deve ser descurado. Considero que a lusofonia é uma área de influência geopolítica natural de Portugal e que deve por nós ser utilizada na afirmação da nossa cultura e posição internacional. Mas nunca considerar que tal pode ser deixado a outros. Nunca pela lusofonia devemos submeter-nos a interesses alheios. Pelo contrário, ter sempre presente que a nossa gloriosa gesta lusa foi mais uma das projecções da Europa. Não podemos esquecer o poder e amplitude da forma como tocámos o mundo, mas o que não podemos mesmo fazer é esquecer o nosso país e o nosso povo em nome dessa projecção. [publicado na última edição de «O Diabo»]

2 comentários:

  1. Não considero a ideia de Lusofonia e tudo que ela representa como reaccionária. Quem nasceu depois da descolonização dificilmente tem uma perspectiva de conjunto, em termos culturais e de identidade, em relação a ex-colónias e muito menos em relação ao Brasil e a Timor. O cepticismo de nacionalistas e não-nacionalistas em relação à dita Lusofonia - a qual alimenta ideia de uma futura federação de Estados lusófonos com um alcance utópico - é o distanciamento cultural e de mentalidades irreversível e as mais diversas assimetrias económicas desfavoráveis a Portugal e à sua identidade. Há também um certo anacronismo de olhar para a "gloriosa gesta lusa" (seja lá o que isso queira dizer...) ignorando o presente e os desafios dos destinos dos países lusófonos, que em nada parecem cruzados.

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  2. Ah, o nosso europeu de serviço... eu como minho-timorense discordo, mas como não somos ministros dos Negócios Estrangeiros é irrelevante.

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