quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A outra filha

“A Nova Filha” conta-nos a história de John James (Kevin Costner), um escritor que parte com os seus dois filhos menores, Louisa (Ivana Baquero) e Sam (Gattlin Griffith), para a Carolina do Sul, após ter sido abandonado pela mulher. Na esperança de um recomeço, compra uma enorme casa isolada onde tenta reatar uma relação familiar.

A situação é desde logo complicada. A rapariga, que é a mais velha dos dois irmãos, está em plena adolescência e inferniza a vida do pai que não sabe como lidar com ela. O rapaz tenta agradar, mas cedo se nota que o trauma do abandono foi grande e teve as suas repercussões.
Como se tal não bastasse, o comportamento de Louisa começa gradualmente a alterar-se. O pai, de início, convence-se que são atitudes próprias da idade e vai tentar “chegar” a ela. Mas esta mutação está directamente ligada a um estranho monte que existe nas traseiras na casa.
Segundo alguns, esta é uma antiga campa de índios, e há inclusive quem as estude. É o caso de um professor universitário, uma das piores personagens da história, à qual se junta a má prestação do respectivo actor.

Estão reunidos todos os elementos para um filme de terror clássico. No entanto, os ‘clichés’ são tantos que até desesperamos, as actuações são sofríveis e mesmo Kevin Costner fica muito aquém do que já demonstrou. É a pergunta que nos salta automaticamente à cabeça é a seguinte: o que fará com que actores conceituados escolham filmes de tão baixa qualidade?

O espanhol Luis Berdejo, que surpreendeu com [Rec] (2007), realiza este filme com argumento de John Travis baseado num conto de John Connolly. Não conhecia a história original, mas ao que parece o filme é-lhe fiel. Tanto pior para o conto, que também deve ser outra desilusão.
O início até parece prometer, com alguns planos bons e uma boa ideia para um filme, mas rapidamente descamba e apercebemo-nos que vamos ser torturados na sala de cinema. Porque esta é uma película francamente má, há-que dizê-lo.

O desenrolar da acção é de início inexplicavelmente muito lento e de repente acelera como ninguém. Para terminar a pior maneira. A história não funciona, apesar do potencial, os actores vão mal, apesar da presença de uma estrela como protagonista, os lugares-comuns dos filmes de terror repetem-se enjoativamente. Este pesadelo, que parece não acabar, nem chega a ser um filme de terror. Talvez um suspense com aspirações a terror ‘light’…

A nós resta-nos fugir. Não dos inenarráveis seres monstruosos que no final de contas são os responsáveis por tudo, mas de quase duas horas de aborrecimento. [publicado na secção CineMais da edição desta semana de «O Diabo»]

2 comentários:

  1. Ouvi dizer que o "Deixa-me entrar" é bom, que tal uma resenha antes de decidir visioná-lo?

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  2. Ainda não vi. Talvez para a semana...

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