domingo, 10 de outubro de 2010

O Guerreiro de Roma

Foram dois grandes amigos, o Pascal e o Humberto, que me levaram a Balista. Este “vírus”, como lhe chamou o Humberto, inoculou prontamente mais pessoas, entre as quais o Miguel.

A trilogia “O Guerreiro de Roma”, iniciada com “Fogo a Oriente”, publicada entre nós pela Civilização, tornou-se um verdadeiro fenómeno literário e vai já no segundo volume, cujo título é “Rei dos Reis”. O autor destas aventuras é Harry Sidebottom, professor de História Clássica na Universidade de Oxford, onde é membro da St. Benet’s Hall e leitor do Lincoln College, e especialista em guerra na Antiguidade, arte clássica e história cultural do Império Romano. À qualidade da narrativa e do enredo junta-se assim um profundo conhecimento histórico. Tal nota-se, ainda, nos excelentes anexos no fim de cada livro, que incluem um glossário, uma cronologia dos acontecimentos mais importantes daquele período e várias referências bibliográficas para melhor enquadrarmos a nossa leitura. A questão religiosa no livro está muito bem tratada, em conjugação com os dilemas pessoais e morais de Balista, tal como a parte militar, nomeadamente em relação às técnicas de cerco. O último livro desta série, “Lion of the Sun”, foi publicado em Julho passado no Reino Unido. A julgar pelo ritmo de publicação das traduções portuguesas, só o teremos por cá no próximo ano.

Para os que não ficaram totalmente convencidos, aqui fica um excerto do primeiro volume: “Arete estava de olho no ciclone. Fora desejo dos deuses que esta cidade remota e até então insignificante se tornasse o último foco da eterna guerra entre o Oriente e o Ocidente. O conflito sempre estivera latente, desde os primeiros registos históricos. Começara com os Fenícios do Oriente que raptaram Io e os Gregos retaliaram, raptando primeiro Europa e depois Medeia. Quando os Troianos levaram Helena, as coisas passaram do rapto de raparigas à guerra. Os Aqueus incendiaram Tróia, os Persas incendiaram Atenas e Alexandre incendiou Persépolis. As areias do deserto ficaram alagadas de vermelho com os destroços das legiões de Crasso em Carras. Cadáveres romanos abandonados marcaram a retirada de Marco António de Média. Júlio César foi aniquilado na véspera de mais uma guerra de vingança. Os imperadores Trajano, Lúcio Vero e Septímio Severo empreenderam sucessivas guerras de vingança. Depois chegaram os Sassânidas e o Oriente contra-atacou. Milhares de romanos mortos em Meshike e Barbalissos. Antioquia, a metrópole da Síria, e tantas outras cidades foram incendiadas no tempo dos conflitos. O Oriente contra o Ocidente, a disputa jamais teria fim.”

3 comentários:

  1. Depois deste postal, não há mais nada a dizer. Resta-nos esperar pela edição do «Lion of the Sun».

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  2. Meu caro Duarte, na realidade tenho alguma responsabilidade mas gostei bem mais do primeiro...
    Um abraço

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  3. O segundo está melhor que o primeiro num todo, o primeiro tem muitos altos e baixos, enquanto o segundo mantêm a qualidade, o enredo, a historia etc
    Fico à espera do terceiro

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