Esta questão é a conclusão de um texto interessante, intitulado "Independência esquecida", publicado na edição de ontem do semanário «O Diabo»: "(...) Em 1910, é verdade, a monarquia constitucional estava em grandes apuros. Tinha uma classe política desacreditada e incapaz de assegurar bom Governo e o jovem rei D. Manuel II era atacado por quase toda a gente, da direita e da esquerda. O Partido Republicano Português, um movimento sobretudo lisboeta, conseguira criar um sério problema de ordem pública, que a monarquia constitucional nunca poderia ter resolvido sem se negar a si própria, tornando-se um regime repressivo, o que a sua classe política não podia aceitar. Quando o PRP resolveu tentar a sua sorte em Outubro de 1910, subvertendo a guarnição de Lisboa, quase ninguém apareceu a defender o regime.
Tudo isto é verdade. Mas se o objectivo é celebrar a morte de sistemas políticos apodrecidos, ignorando o que se lhes seguiu, não deveríamos comemorar também o 28 de Maio de 1926, que igualmente pôs fim a um regime desacreditado e já sem defensores?"
Tem piada, que nestes últimos dias dei comigo a pensar precisamente nestes mesmos termos, e ainda que para alguns tamanha ideia possa soar a pura retórica de gosto mais-que-duvidoso, não há como negá-lo: se querem celebrar este centenário, têm mesmo que 'celebrar' o outro...
ResponderEliminarTalvez em 2026 alguém se lembre (assim hajam condições)...
Grande Abraço,
do Japão,
L.A. NBJ
É verdade. Foi por isso que não resisti a publicar aqui esta passagem, que achei muito bem "apanhada" e provocatória q.b.
ResponderEliminarGrande Abraço.
Aliás, agora que as questões regionalistas estão na moda, convém lembrar que o 5 de Outubro é uma manifestação de centralismo, numa revolução lisboeta comunicada ao resto do país por telégrafo.
ResponderEliminarPor seu lado, o 28 de Maio é uma revolução verdadeiramente nacional. Tem início em Braga e vai conquistando o país até as tropas chegarem a Lisboa!
:D