Alain de Benoist esteve em Lisboa e o Flávio aproveitou para fazer uma excelente entrevista que foi publicada no semanário «O Diabo». Finalmente, decidiu reproduzi-la integralmente no seu blog. Aqui fica uma das questões sobre o posicionamento esquerda/direita:As suas obras parecem ser muito populares entre uma larga franja de activistas, não só entre a direita, alguns vêem-no inclusive como um Noam Chomsky europeu. Pese embora a corrente intelectual a que pertence ter ficado conhecida pelo nome de Nova Direita, considera-se um homem de direita?
Não me insiro de forma alguma na clivagem Esquerda-Direita. Já fui algumas vezes definido como um “homem de esquerda de direita” ou como alguém que tem valores de direita e ideias de esquerda. Nada disto faz muito sentido. A direita e a esquerda nasceram com a modernidade e estão em vias de com esta desaparecer. Para mais, houve sempre uma pluralidade de direitas e de esquerdas muito diferentes. Algumas dessas direitas tinham mais afinidades com certas esquerdas do que com as outras direitas (e vice-versa). Consoante as épocas e os países, as ideias catalogadas à direita ou à esquerda podem igualmente variar. Razão pela qual os politólogos há já muito tempo que renunciaram a dar uma definição unitária da “direita” ou da “esquerda”. A “direita”, hoje em dia, pode ser republicana ou monárquica, democrata ou anti-democrática, cristã ou anti-cristã, favorável à construção europeia ou hostil a essa construção, pró-americana ou anti-americana, liberal ou anti-liberal, reaccionária ou revolucionária, etc. O facto de alguém se apresentar como um “homem de direita” não nos diz pois grande coisa acerca do seu pensamento. O que conta, não são as etiquetas, mas o conteúdo das opções que se fez.
As noções de direita e de esquerda já não são hoje em dia operacionais no campo das ideias. Mantêm-se por hábito no domínio da política parlamentar, mas todas as sondagens mostram que o eleitorado tem cada vez mais dificuldade em identificar o que as diferencia. A sociologia eleitoral mostra também que os sufrágios são cada vez mais voláteis: enquanto que antigamente o voto passava de pai para filho, a favor das mesmas famílias políticas, hoje em dia cada vez mais os eleitores votam sucessivamente em candidatos “de direita” ou “de esquerda”. Enfim, constata-se que todos os grandes acontecimentos destes últimos anos revelaram novas clivagens, que atravessam as famílias políticas.
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