quarta-feira, 21 de julho de 2010

Do conceito de Nação

Na edição desta semana d'«O Diabo», António Marques Bessa assina um artigo muito interessante intitulado "Na verdade, o que é a Nação?", onde nos diz que "tal facto histórico-social só conheceu tardiamente a sua incorporação no mito do sistema. Compreenda-se que os Reis dispensavam as nações ou as nações estavam ao seu serviço. O problema que vai ser colocado, muito mais tarde, é numa questão atípica na história da Europa, dominada por Impérios que governavam vários povos, fazendo com que a sua convergência se acentuasse para o centro".

Concretamente sobre o conceito de nação, o catedrático do ISCSP escreve que: "Esse conceito obscuro de que Nação só depois foi teorizado pelo padre Syaes, mas principalmente por Renan, que encontrou em Malraux um homem que lhe deu um dimensão maior, é claro que sem esquecer os franceses que pensaram o problema como Maurice Barrès, o romancista do sangue e dos mortos, Maurice Bardèche, o homem que fez o processo de Nuremberga, Robert Brasillach, o grande poeta que foi fuzilado participando de certo modo no destino de Ezra Pound, o grande poeta estado-unidense, que eles mesmo encerraram numa gaiola como insano. Pound viu longe demais e escreveu poemas contra a usura. A concepção de Nação, que já tinha sido estratificada como numa comunidade de mortos, vivos e por nascer, todos ligados por um elo, à maneira da marca céltica, deveria vir a ser assumida por Salazar, como documenta o autor francês da sua biografia, Ploncard d’Assac. Todavia André Malraux, autor de La Tentation de L’Occident, ministro de De Gaulle, escreveu também a este respeito que a sua interpretação da Nação era a “comunidade de sonhos”, aquilo que se estava a fazer empenhadamente e o que se queria fazer no futuro. Apontava aqui para os vivos com herança, mas para o futuro nos sonhos sonhados por todos."

Fala depois da nossa Nação, dos que a ergueram e dos que a traíram, para concluir: "É altura de devolver a elite a umas boas aulas de poder dos grandes poderes para perceberem onde estão: na posição de criados. Dispensáveis." Para ler e reflectir.

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