terça-feira, 28 de abril de 2009

Cinco anos

A autoria é apenas um outro nome para independência.
Ernst Jünger

Um blog acompanha o ritmo de vida do seu autor. É por isso que este post de aniversário — obrigatório — é telegráfico. Depois de um fim-de-semana em grande, os dois últimos dias têm sido preenchidos com trabalho até horas impróprias. No entanto, na data em que se celebram cinco anos de longevidade desta casa, não podia deixar de agradecer a todos os que por aqui têm passado. Este tem sido um dos meus grandes exercícios de liberdade, criatividade e independência que há-de continuar, interesse a quem interessar. Até já.

domingo, 26 de abril de 2009

Livro do dia... de ontem

O Eurico de Barros dá-nos conta de um lançamento editorial bastante interessante. Trata-se de um livro de um género quase inexistente no nosso país e do qual sou grande apreciador: a história alternativa ou ucronia. Neste caso o autor escolhe como tema o 25 de Abril de 1974 e constrói uma versão na qual o golpe militar falha. Alvorada desfeita, publicado pela IZIPress, é um título que vai directo para o topo da minha lista de compras.

Santo Condestável em blog


Em resposta ao meu desafio fomos presenteados com um blog inteiramente dedicado ao Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira. Serviço público.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ronda blogosférica

1. O João Marchante indigna-se, sem papas na língua, com a ausência de homenagens a Nun'Álvares na blogosfera. Calma, alguns podem estar à espera do dia da canonização...

2. Por falar em Nun'Álvares, não posso deixar de referir o extraordinário trabalho de divulgação do Nonas. Tanta matéria que já dava para um blog próprio. Que tal?

3. Curta e grossa é a descrição do Miguel Vaz de uma certa entrevista, com a qual também não perdi tempo.

4. O Jorge Ferreira lembra-nos a vergonha da República a propósito da promoção de Otelo. Mais um exemplo de que no nosso país o crime compensa e recompensa.

5. Por fim, nada como as palavras do Rodrigo Emílio, em boa hora relembradas pelo Inconformista.info, para nos motivar: “De agora em diante, há que rapar virilmen­te da caneta e de uma folha em branco, e começar a escrever tudo de novo ‑ tendo sempre bem presente que a nos­sa acção há‑de ser ditada por desígnios eminentemente fundacionais, sob pena de nada valer de nada.

Fim-de-semana

Cadernetas de cromos (XII)

A caderneta de hoje é A Conquista do Espaço, publicada em Portugal pela Agência Portuguesa de Revistas em 1957-58, era uma colecção de 250 cromos, da autoria de Miguel Conde, baseada num original espanhol da editorial Bruguera, tendo três dos cromos sido redesenhados para a edição nacional por Carlos Alberto Santos.

Griffithiana

Falei aqui da obra magistral de D. W. Griffith, O Nascimento de uma Nação, e o Nonas, sempre atento a estas coisas, enviou-me prontamente a informação de que existe uma edição do filme em DVD legendada em português, feita pela espanhola JRB Producciones, que eu desconhecia. Há uns anos atrás, quando a versão que tinha em VHS se tornou obsoleta, comprei a edição da inglesa Eureka Entertainment, que inclui um documentário muito interessante, de 24 minutos, “The Making of...”. Obrigatório em qualquer videoteca.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O PNR, o “Prós e prós” e os ausentes

Ontem estive no protesto contra a discriminação feita pelo programa televisivo “Prós e Contras” (de nome, porque de facto é “prós e prós”), ao excluir os partidos extra-parlamentares do debate subordinado às Eleições Europeias 2009. De notar que apenas esteve presente o PNR e nenhum dos outros partidos excluídos se deslocou ao local onde se realiza o programa.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Quinze filmes

O Miguel Vaz chamou-me a atenção para o facto de a Turner Classic Movies ter elegido o que considerou os quinze filmes clássicos mais influentes, onde se incluem vários dos meus filmes de culto, nomeadamente The Birth of a Nation. Como comentei, achei a lista, que desconhecia, muito interessante. Precipitei-me, depois, numa pequena (in)correcção, ao dizer que The Birth of a Nation não estava “lado a lado” dos outros filmes, mas acima, e bem. Logo seguido de Battleship Potemkin e Metropolis, também muito bem. Nem reparei que a ordem dos filmes era cronológica, já que esses podiam muito bem ser os três “mais influentes”.

O que gostei na lista foi o critério da escolha, que nos permite ver os filmes mais “influentes” coincidem com grandes realizadores e as suas melhores obras. O filme de D. W. Griffith, devido ao tema — apesar de evidentemente datado e localizado —, continua a provocar polémica, pese embora a sua reconhecida qualidade e o seu importante papel na história do cinema. Continua, assim, a ser “influente”, para voltar ao critério da TCM. Sobre este realizador, verdadeiro mestre na sua arte, existe no nosso país um óptimo livro publicado pela Cinemateca em 2004. Lembrei ainda, a propósito, as palavras de Jean-Luc Godard: “I think one should mention Griffith in all articles about the cinema: everyone agrees, but everyone forgets none the less.”

Tintin na SHIP


No sábado, como anunciei aqui, decorreu na Sociedade Histórica da Independência de Portugal um encontro sobre Tintin e a paixão da aventura, com a presença do Mário Casa Nova Martins e do Eurico de Barros e a compreensível ausência do João Marchante. Uma óptima experiência da qual saliento o conhecimento e clareza nas exposições dos oradores, que colheram a atenção dos presentes e motivaram a troca de opiniões que se seguiu. Está de parabéns o Núcleo Infante D. Henrique e todos os que contribuíram para este evento. Venham mais!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Uma estranha ideia de liberdade de expressão

Je ne suis pas d'accord avec ce que vous dites,
mais je me battrai jusqu'à la mort
pour que vous ayez le droit de le dire.

Voltaire

O editorial da revista «Sábado», publicada hoje, tem um parágrafo que não resisto a transcrever, na sequência do incrível caso do cartaz do PNR e o vereador Sá Fernandes, que por várias vezes referi aqui. Um lembrete de que a liberdade de expressão também se aplica àquilo com o qual não estamos de acordo. Reza assim: “José Sá Fernandes considera que a liberdade de expressão dos partidos políticos começa nas coisas com que ele concorda e acaba naquelas de que ele não gosta — ou que acha esteticamente reprováveis. No passado, o vereador, eleito pelo Bloco de Esquerda e adoptado pelo PS, já tinha explicado como vê uma parte deste limites democráticos. Perante um outdoor do PNR, que apelava à xenofobia e à expulsão dos imigrantes, resolveu mandar retirá-lo numa decisão política disfarçada de medida administrativa. A ideia do PNR pode ser condenável — e é —, mas proibir o partido de a expressar é um atentado à liberdade de expressão e à livre actuação de um partido constitucional.

Cadernetas de cromos (XI)

Hoje trago duas cadernetas, os Álbuns I e II de Maravilhas do Mundo, uma colecção publicada no nosso país em 1957, pela Agência Portuguesa de Revistas, integrada na Colecção Cultura e baseada um original espanhol da Editorial Bruguera de 1956.

No Álbum I, dedicado às maravilhas naturais, três dos cromos originais, da autoria Miguel Conde, foram substituídos pelas ilustrações de Carlos Alberto Santos relativas ao Vale das Furnas, à Cabeça da Velha, e à Ilha da Madeira.

No Álbum II, dedicado às maravilhas construídas pelo Homem, dois dos cromos originais, da autoria Miguel Conde, foram substituídos pelas ilustrações de Carlos Alberto Santos relativas ao Mosteiro dos Jerónimos e ao Palácio da Pena.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Terre & Peuple Magazine n.º 39

O último número da revista da associação Terre et Peuple tem como tema de capa “A arma geopolítica” e oferece-nos um excelente dossier com os artigos “Geopolítica da Eurásia. O centro do mundo e os interesses americanos” e “Ocidente e Eurosibéria?”, de Alain Cagnat, “A República não precisa de sábios. Aymeric Chauprade vítima dos inquisidores”, de Pierre Vial, e a análise de fundo “Crónica de uma guerra colonial anunciada”, de Jean-Patrick Arteault.

A destacar, o encontro com Gabriele Adinolfi, por ocasião da sua presença em França a apresentar a edição francesa do seu último livro“Pensées Corsaires, Abécédaire de Lutte et de Victoire”, que respondeu às perguntas de Pierre Vial e explicou as perspectivas para a Casa Pound e o Polaris. A não perder, também, a “Crónica da decadência”, de Emmanuel Ratier, a entrevista com Michel Alain sobre o Darwinismo e o artigo “Os nossos antepassados os gauleses. Os nossos antepassados os francos”, de Pierre Vial.

Para além de outros artigos, podemos ainda ler críticas a livros, bem como comentários sobre a actualidade e as habituais rubricas sobre genealogia e culinária.

sábado, 11 de abril de 2009

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 41

À venda nas bancas em Portugal está o número 41 da obrigatória «La Nouvelle Revue d’Histoire». O tema central é “Catástrofes verdadeiras e falsas”, em cujo dossier o destaque vai para o artigo sobre o terramoto de Lisboa de 1755, assinado por Jean-Michel Baldassari, onde encontramos também artigos consagrados à Atlântida, ao saque de Roma, ao ano mil, às invasões bárbaras, ao progresso, bem como uma entrevista com François-Georges Dreyfus e a cronologia de Charles Vaugeois.

Destaque ainda para a excelente entrevista com o geopolitólogo francês Aymeric Chauprade sobre a sua visão da História e o seu último livro “Chronique du choc des civilisations”, que lhe valeu o afastamento como professor da École de Guerre, ordenado pelo atlantista ministro da Defesa. A não perder, também, os óptimos artigos “A Alemanha secreta de Claus von Stauffenberg”, de Dominique Venner, e “A brilhante geração Brasillach”, de Philippe d'Hugues.

Podemos ainda ler os artigos “Luísa da Prússia”, de Emma Demeester, “Há três séculos: O fim da supremacia sueca”, de Éric Mousson-Lestang, e as entrevistas com Jean-Pierre Poussou, sobre a História comparada, e Pierre de Meuse, sobre o catarismo. Como sempre, para além de outros artigos, temos a crónica de Péroncel-Hugoz, desta vez sobre a monarquia suíça, e as secções habituais.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Solidariedade com Abruzzo

A CasaPound lançou uma operação de solidariedade em grande escala para acudir às vítimas do terramoto de Abruzzo. Em todo o território italiano, a associação está a recolher cobertores, roupa, fraldas, leite em pó, água e todos os bens de primeira necessidade que possam servir às populações gravemente atingidas pelo tremor de terra. A CasaPound apela também à solidariedade internacional, através do sistema PayPal.

Réfléchir & Agir n.º 31

O último número da «Réfléchir & Agir» tem como tema central a “extrema-direita em França”, e faz uma excelente análise e reflexão sobre esta família política. O dossier, muito bem conseguido e de leitura obrigatória, conta com entrevistas com Dominique Venner e Jean-Marie Le Pen, os artigos “Psicopatologia da direita nacional”, de Léon Camus, “Le Pen e a Frente Nacional”, de Michel Schneider, “Viva a crise!”, de Alfred Montrose, e “Queremos verdadeiramente ganhar? Tornemo-nos sérios!”, “As sete famílias da extrema-direita francesa” e “Em direcção a que recomposição?”, de Eugène Krampon. Destaque ainda para os artigos “Platão e as três funções indo-europeias”, de Edouard Rix, “Pierre Drieu La Rochelle. O sonho e a acção”, de Daniel Leskens, e “Quatro bolas de couro”, de Pierre Gillieth, sobre o boxe no cinema.

Nas muitas notas de leitura, é de assinalar a que se refere ao livro “Pensées Corsaires, Abécédaire de Lutte et de Victoire”, de Gabriele Adinolfi, finalmente traduzido e publicado em França, considerado “um dos grandes livros políticos da década”. Sem esquecer as habituais críticas a livros, música e cinema, os breves comentários à actualidade e outras secções habituais, referência ainda para a breve entrevista com Batskin sobre o bar que abriu em Paris e as actividades aí desenvolvidas.

Continua...

Ainda a propósito do cartaz contra a imigração colocado pelo PNR em Lisboa, é de referir que continua na justiça. Desta vez com uma queixa-crime contra o partido, apresentada pelo vereador Sá Fernandes, por “discriminação racial”, tendo sido aplicada a José Pinto-Coelho a medida de coacção de termo de identidade e residência... Ler mais sobre o desenvolvimento inacreditável deste caso aqui.

Quem vê capas...

O último número do «Magazine Littéraire», nas bancas, tem uma capa bastante enganadora. Apesar de mostrar uma fotografia de Céline, não dedica qualquer artigo ao escritor francês, referindo-o apenas nas linhas que repoduzo a seguir:

Moins Céline a cru en l'homme, plus il a aimé les bêtes : c'est « Aux animaux » qu'est dédicacé Rigodon, son dernier roman. À Meudon, pendant les années 1950, il vit très entouré. Outre Bébert le matou, il a ramené du Danemark la chienne Bessy et les chats Thomine et Flûte. Le premier à disparaître est Bébert : « Il est mort agile et gracieux, impeccable, il sautait encore par la fenêtre le matin même ... » (Nord). Pour se consoler, on achète à la Samaritaine un perroquet du Gabon : Toto apprend vite à chanter J'ai du bon tabac. « Louis le laissait en liberté, raconte Lucette Destouches. Il faisait des saletés partout. Toto lui cassait ses crayons, lui faisait des tours pendables. Louis criait contre lui. Toto répondait. » Il y a aussi Balou, Yasmine, Frida, le hérisson Dodard, évoqués dans D'un château l'autre. Et l'agonie de Bessy : « Je voulais pas du tout la piquer... lui faire même un petit peu de morphine... elle aurait eu peur de la seringue... »

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Norteado

Já cá canta o segundo volume da trilogia céliniana de que falei aqui — comprado hoje! É possível ler um excerto do livro, pré-publicado pelo Blogtailors.

domingo, 5 de abril de 2009

Cadernetas de cromos (X)

A caderneta de hoje é Esquadras de Guerra, publicada em Portugal pela Agência Portuguesa de Revistas em 1957, era uma colecção de 312 cromos, baseada num original espanhol, tendo vários dos cromos sido redesenhados para a edição nacional.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Interrogações blogosféricas

1. A direita portuguesa padece há décadas de síndrome de Estocolmo. Quem o diz é o Manuel Azinhal. Pergunta incómoda: tem uma doença, ou tornou-se uma doença?

2. O activismo é uma brincadeira? Uma fase? Para mim, enquanto militante, é um combate de vida constante. Será? A ler, sem demoras, o texto de Pierre Chatov no Inconformista.

3. Pessoa e a República — um tema deliberadamente esquecido? O BOS lembra-o da melhor forma.

4. A arte morreu? Finalmente em português: o Manifesto do Turbodinamismo.

5. O caso Freeport (ou fripór, em inglês técnico) é importante? Nada como enumerar dez razões, como fez Pacheco Pereira na última «Sábado», também disponível no Abrupto.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Cadernetas de cromos (IX)

A caderneta de hoje é Bandeiras do Universo, a 2.ª série da Colecção Cultura, um conjunto de álbuns educativos editados pela Agência Portuguesa de Revistas. Foi publicada no nosso país em 1957 e era composta por 128 cromos de E. Vicente Rodriguez, tendo por base um original espanhol da Editorial Bruguera de 1956. Em Portugal foram substituídos o cromo original referente à bandeira portuguesa e o da bandeira dos conquistadores espanhóis pelo da bandeira da fundação nacionalidade, ambos ilustrados por Carlos Alberto Santos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Entrevista com Marco Tarchi

Marco Tarchi, que nos anos 70 do século passado foi a figura eminente da Nuova Destra, é hoje professor catedrático de Ciência Política e Comunicação Política da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Florença e esteve em Portugal, no passado dia 18 de Fevereiro, para uma conferência muito interessante intitulada “O populismo na Europa à luz do caso italiano”, realizada no ICS, à qual assisti. A seguir, tive oportunidade de falar com Tarchi, que foi muito acessível e simpático — fez uma dedicatória no meu exemplar de “Fascismo. Teorie, interpretazioni e modelli” —, mostrando-se bastante interessado na realidade portuguesa. Nessa altura foi também gravada uma entrevista feita por Nuno Rogeiro para o programa Sociedade das Nações, da SIC, que só agora vi graças à internet e que aconselho aos que visitam esta casa.